{"id":7499,"date":"2011-08-09T15:22:01","date_gmt":"2011-08-09T18:22:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7499"},"modified":"2011-08-09T15:22:01","modified_gmt":"2011-08-09T18:22:01","slug":"poluicao-e-falta-de-mata-ciliar-prejudicam-o-paraguacu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7499","title":{"rendered":"Polui\u00e7\u00e3o e falta de mata ciliar prejudicam o Paragua\u00e7u"},"content":{"rendered":"<p><span><\/p>\n<figure style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/08\/06\/sujeira.jpg\" alt=\"Rio polu\u00eddo (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"250\" height=\"167\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Lixo e esgoto maltratam o Paragua\u00e7u (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando os \u00edndios batizaram o rio, escolheram um nome que desse a ele a no\u00e7\u00e3o do seu tamanho. Uma palavra bastou: Paragua\u00e7u, que significa \u2018\u00e1gua grande\u2019, em tupi guarani.<\/p>\n<p>Entre os rios nordestinos, o Paragua\u00e7u \u00e9 um dos mais importantes. Tem 614 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e atravessa tr\u00eas regi\u00f5es da\u00a0Bahia\u00a0at\u00e9 alcan\u00e7ar o mar.<\/p>\n<p>O Paragua\u00e7u nasce no munic\u00edpio de Barra da Estiva. Na Chapada Diamantina ele distribui suas \u00e1guas para irrigar um dos p\u00f3los agr\u00edcolas da Bahia, onde se produz caf\u00e9, batata e at\u00e9 ma\u00e7\u00e3 e ameixa.<\/p>\n<p>A reportagem do Globo Rural segue por onde o rio se despede da Chapada Diamantina e entra no semi-\u00e1rido. O roteiro inclui os munic\u00edpios de Itaet\u00ea, Marcion\u00edlio Souza, Ia\u00e7u e Boa Vista do Tupim.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos por Itaet\u00ea. As \u00e1guas do Paragua\u00e7u foram represadas pela barragem Bandeira de Melo, que tem a miss\u00e3o de evitar que o leito do rio seque quando a chuva falta. Uma represa de 24 quil\u00f4metros de comprimento.<\/p>\n<p>Daqui em diante, o Paragua\u00e7u atravessa a regi\u00e3o que mais depende de suas \u00e1guas. Por uma triste ironia, \u00e9 tamb\u00e9m a regi\u00e3o que mais agride o rio.<\/p>\n<p>Em Marcion\u00edlio Souza, o Paragua\u00e7u serve at\u00e9 para limpar v\u00edsceras de boi. O gado \u00e9 abatido nas fazendas e as tripas s\u00e3o tratadas no rio. Mas as tripas n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica sujeira que o rio recebe, a mesma \u00e1gua que limpa as v\u00edsceras, e que depois se transformam em pratos de buchada, corre de onde mulheres lavam roupas. \u00c9 com esse trabalho que elas sustentam as fam\u00edlias.<\/p>\n<p><\/span>O rio sofre tamb\u00e9m adiante. Nas cidades ribeirinhas a mesma \u00e1gua que mata a sede e a fome, recebe polui\u00e7\u00e3o de todo canto.<\/p>\n<p>Do jeito que sai das casas e das ruas, a sujeira cai na \u00e1gua. O caramujo, transmissor da esquistossomose, est\u00e1 presente. Em meio ao perigo de contamina\u00e7\u00e3o, os pescadores procuram peixes.<\/p>\n<p>Um motor de 30 cavalos faz a \u00e1gua chegar na parte mais alta da propriedade. De dois reservat\u00f3rios ela desce por gravidade para irrigar a planta\u00e7\u00e3o l\u00e1 embaixo em um assentamento da reforma agr\u00e1ria. Um dos primeiros, no m\u00e9dio Paragua\u00e7u, a receber \u00e1gua do rio para molhar a terra.<\/p>\n<p>A \u00e1rea do assentamento \u00e9 de 360 hectares divididos entre 25 fam\u00edlias. O carro-chefe do assentamento \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de banana e a irriga\u00e7\u00e3o por gotejamento cumpre bem a fun\u00e7\u00e3o de molhar a terra sem desperdi\u00e7ar \u00e1gua.<\/p>\n<p>Mercado para a banana n\u00e3o \u00e9 problema. Boas colheitas, prosperidade em terras da seca. O rio que faz brotar a comida, em troca recebe a ingratid\u00e3o.<\/p>\n<p><span>desapareceu. Resultado: a eros\u00e3o tomou conta do leito e a margem do rio come\u00e7ou a desbarrancar.<\/span><span>Na regi\u00e3o da caatinga, o pasto s\u00f3 n\u00e3o invadiu o curso das \u00e1guas, como a mata ciliar<\/p>\n<p><\/span><span>Por causa da falta de prote\u00e7\u00e3o das matas ciliares, v\u00e1rios afluentes j\u00e1 morreram na regi\u00e3o da caatinga. Um riacho, de t\u00e3o assoreado, n\u00e3o v\u00ea \u00e1gua nem em \u00e9poca de chuva. O Paragua\u00e7u, logo adiante, n\u00e3o recebe nenhuma contribui\u00e7\u00e3o do parceiro h\u00e1 mais de 10 anos.<\/p>\n<p>Carlos Romero dirige uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental, a SOS Paragua\u00e7u, que h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada vem denunciando essas agress\u00f5es. De acordo com estudos recentes, a devasta\u00e7\u00e3o da mata ciliar chega a 70% da extens\u00e3o do rio. Isso significa cerca de 400 dos 614 quil\u00f4metros do Paragua\u00e7u.<\/p>\n<p>Dois deles passam pela fazenda da fam\u00edlia do pecuarista Dilson Oliveira. S\u00e3o dois quil\u00f4metros de pasto no lugar da \u00e1rea que deveria ser preservada. O rebanho de 80 cabe\u00e7as de gado costuma passar fome quando a chuva demora. O capim n\u00e3o cresce. O medo de Dilson \u00e9 que um dia a \u00e1gua do Paragua\u00e7u tamb\u00e9m falte. E ele conta que ela j\u00e1 est\u00e1 diminuindo.<\/p>\n<figure style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/08\/06\/erosao.jpg\" alt=\"eros\u00e3o (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"250\" height=\"167\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Eros\u00e3o \u00e0s margens do Paragua\u00e7u (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os ambientalistas j\u00e1 fizeram os c\u00e1lculos de quanto precisam reflorestar. De acordo com Carlos Romero, seria preciso replantar 1700 quil\u00f4metros de mata ciliar. Na pr\u00e1tica \u00e9 dif\u00edcil, mas se envolver as comunidades que destru\u00edram as matas, um dia ser\u00e1 poss\u00edvel novamente ver o rio respirar.<\/p>\n<p><em>Fonte: Globo Rural<\/em><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando os \u00edndios batizaram o rio, escolheram um nome que desse a ele a no\u00e7\u00e3o do seu tamanho. Uma palavra bastou: Paragua\u00e7u, que significa \u2018\u00e1gua grande\u2019, em tupi guarani. Entre os rios nordestinos, o Paragua\u00e7u \u00e9 um dos mais importantes. Tem 614 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e atravessa tr\u00eas regi\u00f5es da\u00a0Bahia\u00a0at\u00e9 alcan\u00e7ar o mar. 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