{"id":7616,"date":"2011-08-16T09:21:31","date_gmt":"2011-08-16T12:21:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7616"},"modified":"2011-08-16T09:21:31","modified_gmt":"2011-08-16T12:21:31","slug":"do-codigo-florestal-a-agua-da-torneira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7616","title":{"rendered":"Do C\u00f3digo Florestal \u00e0 \u00e1gua da torneira"},"content":{"rendered":"<p><span>Artigo de Suzana M. Padua, Claudio Padua, Eduardo Ditt e Thomaz Almeida publicado na Folha de S\u00e3o Paulo de ontem (15).<\/p>\n<p>Para muita gente pode ser dif\u00edcil perceber que as perdas de florestas decorrentes da mudan\u00e7a no C\u00f3digo Florestal v\u00e3o afetar nosso bem-estar. Estamos falando de perdas fundamentais, como a \u00e1gua. Desmatamento em nascentes, cursos d&#8217;\u00e1gua e reservat\u00f3rios afetar\u00e3o a disponibilidade da \u00e1gua, e a tend\u00eancia \u00e9 que isso aconte\u00e7a exponencialmente se o c\u00f3digo sofrer as mudan\u00e7as em discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Vamos usar um exemplo que conhecemos ami\u00fade. O reservat\u00f3rio do rio Atibainha, localizado em Nazar\u00e9 Paulista, S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma das represas que comp\u00f5em o sistema Cantareira. Constru\u00eddo entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1970, o sistema visava atender \u00e0 demanda crescente por \u00e1gua decorrente do aumento da popula\u00e7\u00e3o da Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Hoje, o sistema fornece mais de 50% da \u00e1gua de S\u00e3o Paulo, 95% da \u00e1gua de Campinas e quase a totalidade das cidades da regi\u00e3o, com mais de 9 milh\u00f5es de habitantes-consumidores.<\/p>\n<p>Aproximadamente 50% das terras no entorno do Atibainha s\u00e3o ocupadas por remanescentes de mata atl\u00e2ntica. Uma propor\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. \u00c9 essa riqueza ambiental que torna a regi\u00e3o uma verdadeira produtora de \u00e1guas. As matas garantem a prote\u00e7\u00e3o das nascentes dos rios, a qualidade dos cursos d&#8217;\u00e1gua e sua produ\u00e7\u00e3o, e o reservat\u00f3rio funciona como uma grande caixa d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>O desmatamento, se permitido legalmente pelas mudan\u00e7as propostas no C\u00f3digo Florestal, causar\u00e1 um efeito direto que pode amea\u00e7ar a quantidade e a qualidade de \u00e1gua dispon\u00edvel em um dos maiores conglomerados humanos do pa\u00eds. Estudos do IP\u00ca (Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas) quantificam o efeito dos usos do solo.<\/p>\n<p>Uma \u00e1rea de 7.000 hectares ao redor do reservat\u00f3rio tem sedimenta\u00e7\u00e3o quase inexistente se ocupada por floresta nativa. Se substitu\u00edda por pastagem, nosso c\u00e1lculo \u00e9 que seja como um carregamento de 1.470 toneladas de sedimentos entrando na represa por ano -equivalente a 270 caminh\u00f5es de terra-, o que o encher\u00e1 at\u00e9 n\u00e3o haver espa\u00e7o para a \u00e1gua, comprometendo sua disponibilidade para consumo.<\/p>\n<p>Desde que o reservat\u00f3rio Atibainha foi constru\u00eddo, as press\u00f5es t\u00eam aumentado, como em outras regi\u00f5es do pa\u00eds. \u00c9 um exemplo de local com riqueza natural e desafios sociais, o que pode dar a impress\u00e3o de que para ter progresso \u00e9 preciso destruir a natureza.<\/p>\n<p>Mas o mundo mudou, e os valores precisam ser atualizados para que haja chance de um futuro de bem-estar para todos. A natureza n\u00e3o deveria mais ser computada como um &#8220;presente&#8221;, sem valor nas equa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. O IP\u00ca h\u00e1 mais de 15 anos vem tornando a regi\u00e3o um laborat\u00f3rio de pesquisa e a\u00e7\u00e3o, desenvolvendo metodologias de reflorestamento e restaura\u00e7\u00e3o da paisagem. Melhorias sociais, no entanto, podem levar mais tempo.<\/p>\n<p>Se o C\u00f3digo Florestal for alterado, os desmatamentos ser\u00e3o permitidos por lei e trar\u00e3o impactos que incluem a \u00e1gua produzida na regi\u00e3o do Atibainha, que sai nas torneiras de milhares de pessoas.<\/p>\n<p>Suzana M. Padua \u00e9 doutora em educa\u00e7\u00e3o ambiental pela UnB, \u00e9 presidente do IP\u00ca (Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas) e vencedora do Pr\u00eamio Empreendedor Social 2009. Claudio Padua \u00e9 doutor em ecologia pela Universidade da Fl\u00f3rida (EUA), \u00e9 reitor da Escola Superior de Conserva\u00e7\u00e3o Ambiental e Sustentabilidade (Escas) e vencedor do Pr\u00eamio Empreendedor Social 2009. Eduardo Ditt \u00e9 doutor em ci\u00eancia ambiental pelo Imperial College London, \u00e9 diretor da empresa Arvorar Solu\u00e7\u00f5es Florestais. Thomaz Almeida \u00e9 bi\u00f3logo, \u00e9 pesquisador do IP\u00ca e mestrando na Escas.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Suzana M. Padua, Claudio Padua, Eduardo Ditt e Thomaz Almeida publicado na Folha de S\u00e3o Paulo de ontem (15). Para muita gente pode ser dif\u00edcil perceber que as perdas de florestas decorrentes da mudan\u00e7a no C\u00f3digo Florestal v\u00e3o afetar nosso bem-estar. Estamos falando de perdas fundamentais, como a \u00e1gua. 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