{"id":7685,"date":"2011-08-18T11:18:02","date_gmt":"2011-08-18T14:18:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7685"},"modified":"2011-08-18T11:18:02","modified_gmt":"2011-08-18T14:18:02","slug":"mais-de-350-especies-dadas-como-extintas-sao-%e2%80%98redescobertas%e2%80%99","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7685","title":{"rendered":"Mais de 350 esp\u00e9cies dadas como extintas s\u00e3o \u2018redescobertas\u2019"},"content":{"rendered":"<p><span>Extin\u00e7\u00e3o \u00e9 para sempre? Est\u00e1 mais para \u201ceterna enquanto dura\u201d, segundo uma nova pesquisa.<\/p>\n<p>Centenas de esp\u00e9cies atuais dadas por extintas j\u00e1 foram redescobertas na natureza, principalmente nas regi\u00f5es tropicais. A conclus\u00e3o est\u00e1 em artigo no peri\u00f3dico \u201cPLoS One\u201d.<\/p>\n<p>Os autores, pesquisadores de Cingapura, da Austr\u00e1lia e dos EUA, vasculharam a literatura cient\u00edfica em busca de casos de esp\u00e9cies que pareciam ter sumido, mas foram \u201cressuscitadas\u201d mais tarde.<\/p>\n<p>Eles conclu\u00edram que, no per\u00edodo de 120 anos, 351 esp\u00e9cies foram redescobertas: 104 anf\u00edbios, 144 aves e 103 mam\u00edferos \u2013 o estudo s\u00f3 abordou esses tr\u00eas grupos. Em m\u00e9dia, um animal ficava sumido por 61 anos.<\/p>\n<p>As redescobertas se concentram no hemisf\u00e9rio Sul, nas matas tropicais e subtropicais da Am\u00e9rica do Sul, da \u00c1frica, de Madag\u00e1scar, da \u00cdndia e da Nova Guin\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Boa ou m\u00e1 not\u00edcia?<\/strong> \u2013 Os cientistas se surpreenderam com o aumento da taxa de redescobertas ao longo dos anos. \u201cFicamos surpresos, especificamente por ver que a taxa de esp\u00e9cies amea\u00e7adas \u00e9 exponencialmente crescente, enquanto que poucas esp\u00e9cies que s\u00e3o redescobertas n\u00e3o s\u00e3o amea\u00e7adas\u201d, diz \u00e0 Folha o primeiro autor Brett Scheffers do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Nacional de Cingapura.<\/p>\n<p>O lado bom disso \u00e9 que \u201credescobrir esp\u00e9cies consideradas extintas demonstra um aumento no esfor\u00e7o e na \u00e1rea coberta por expedi\u00e7\u00f5es de coleta e observa\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 Folha Carlos Joly, professor da Unicamp e coordenador geral do Programa Biota, financiado pela Fapesp.<\/p>\n<p>Por outro lado, os autores da pesquisa alertam: \u201cIsso [o dado sobre redescobertas] pode fazer o p\u00fablico achar que a crise da biodiversidade n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande como se fala ou causar uma perda de credibilidade dos cientistas\u201d.<\/p>\n<p>Para eles, pode-se dizer at\u00e9 que as redescobertas tamb\u00e9m cresceram devido ao aumento do n\u00famero de esp\u00e9cies amea\u00e7adas e consideradas extintas -quanto maior a lista, maior tamb\u00e9m a chance de algum bicho ainda viver.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a crise de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 bem real. Calcula-se que a biodiversidade da Terra est\u00e1 sendo perdida a uma taxa at\u00e9 mil vezes mais r\u00e1pida do que o ritmo natural.<\/p>\n<p>Hoje, 30% de todos os anf\u00edbios, 12% das aves e 21% dos mam\u00edferos est\u00e3o extintos ou amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. O Brasil tem hoje 486 esp\u00e9cies na chamada Lista Vermelha de animais em risco.<\/p>\n<p>\u201cExistem provavelmente muitas esp\u00e9cies ainda esperando para serem redescobertas, no entanto, encontr\u00e1-las \u00e9 uma corrida contra o tempo\u201d diz Scheffers \u00e0 Folha.<\/p>\n<p><strong>Segunda extin\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 Nem bem ressuscitadas, a maioria das esp\u00e9cies redescobertas j\u00e1 est\u00e1 com o p\u00e9 na cova. Mais de 90% dos anf\u00edbios, 86% das aves e 86% dos mam\u00edferos reencontrados est\u00e3o altamente amea\u00e7ados, t\u00eam distribui\u00e7\u00e3o restrita e popula\u00e7\u00f5es pequenas.<\/p>\n<p>Muitas das 351 esp\u00e9cies \u201csalvas\u201d da extin\u00e7\u00e3o ir\u00e3o sumir de vez sem medidas agressivas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPara melhorar a conserva\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies altamente amea\u00e7adas e pouco estudadas, temos que promover e continuar a apoiar estudos ecol\u00f3gicos b\u00e1sicos e pesquisas biol\u00f3gicas. Isto pode ser feito atrav\u00e9s do maior financiamento ou simplifica\u00e7\u00e3o do processo para a autoriza\u00e7\u00e3o de pesquisas em \u00e1reas pouco conhecidas, especialmente nos tr\u00f3picos. S\u00f3 assim podemos reprimir extin\u00e7\u00f5es futuras\u201d, segundo Scheffers.<\/p>\n<p>Para os autores, o Brasil foi um dos pa\u00edses com mais redescobertas para todos os grupo estudados \u2013anf\u00edbios, aves e mam\u00edferos.<\/p>\n<p>\u201cIsto era esperado, j\u00e1 que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds rico em biodiversidade, mas tamb\u00e9m um pa\u00eds com uma hist\u00f3ria de alta perda de habitat e degrada\u00e7\u00e3o. Isto faz do Brasil um candidato principal para muitas redescobertas de qualquer esp\u00e9cie que n\u00e3o tenha sido vista por muitos anos ou esp\u00e9cies tidas por extintas e, mais tarde redescobertas\u201d, comentou Scheffers.<\/p>\n<p>Em territ\u00f3rio brasileiro, umas das esp\u00e9cies da lista \u00e9 o macaco-prego-galego\u00a0<em>(Cebus flavius)<\/em>. Esse primata loiro tinha sido visto pela \u00faltima vez em 1774, por naturalistas europeus, e redescoberto apenas em 2006.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual dele \u00e9 de risco extremamente alto de extin\u00e7\u00e3o. Estima-se que existam oito popula\u00e7\u00f5es, com um total de at\u00e9 300 indiv\u00edduos, sobrevivendo apenas em alguns poucos fragmentos de mata atl\u00e2ntica dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Para\u00edba e Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>Scheffers aponta que a \u201cperda de floresta diminuiu no Brasil, especialmente nos \u00faltimos anos, no entanto os sucessos de conserva\u00e7\u00e3o no futuro exigir\u00e1 ao Brasil manter uma atitude positiva frente \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o, fornecendo apoio cont\u00ednuo (por exemplo, atrav\u00e9s de financiamento e aprova\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00f5es de pesquisa) para invent\u00e1rios biol\u00f3gicos\u201d.<\/p>\n<p><em>Fonte: Marco Varella\/ Folha.com<\/em><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Extin\u00e7\u00e3o \u00e9 para sempre? Est\u00e1 mais para \u201ceterna enquanto dura\u201d, segundo uma nova pesquisa. 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