{"id":7740,"date":"2011-08-22T11:41:59","date_gmt":"2011-08-22T14:41:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7740"},"modified":"2011-08-22T11:41:59","modified_gmt":"2011-08-22T14:41:59","slug":"pesquisa-alerta-para-poluicao-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7740","title":{"rendered":"Pesquisa alerta para polui\u00e7\u00e3o do mar"},"content":{"rendered":"<p><span>As aves migrat\u00f3rias sofrem cada vez mais com os n\u00edveis de \u00f3leo nas \u00e1guas e com a polui\u00e7\u00e3o que aumenta em seus pontos de abrigo.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois meses, ao norte do Rio Grande do Sul, dezenas de ma\u00e7aricos-de-papo-vermelho foram encontrados mortos nas praias do litoral. Segundo observam os pesquisadores, j\u00e1 se constata uma redu\u00e7\u00e3o de quase 60% nas popula\u00e7\u00f5es dessa ave migrat\u00f3ria, que todos os anos foge das baixas temperaturas do \u00c1rtico, voando at\u00e9 a Patag\u00f4nia argentina e passando por toda a costa brasileira, onde faz paradas para descansar e alimentar-se. \u00c9 um animal que, a ritmo acelerado, est\u00e1 caminhando para a extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As tartarugas marinhas parecem n\u00e3o ter melhor sorte. A cada ano, sobe o n\u00famero de quel\u00f4nios que aparecem mortos ou em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade na costa fluminense. Nelas, os bi\u00f3logos geralmente constatam a presen\u00e7a de pl\u00e1stico no est\u00f4mago e um grande n\u00famero de bact\u00e9rias patog\u00eanicas. &#8220;Ambos os casos s\u00e3o emblem\u00e1ticos da altera\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica e da r\u00e1pida redu\u00e7\u00e3o dos ambientes que essas esp\u00e9cies habitam, resultado das mudan\u00e7as promovidas pelo homem.&#8221; Para o bi\u00f3logo Salvatore Siciliano, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, e pesquisador visitante da Faperj, &#8220;parece que retrocedemos 40 anos&#8221;. &#8220;As pol\u00edticas de desenvolvimento a qualquer custo, a exemplo do modelo chin\u00eas, t\u00eam significado inestim\u00e1veis preju\u00edzos ambientais.&#8221;<\/p>\n<p>Ao dar continuidade ao projeto, Salvatore e equipe tamb\u00e9m tem trabalhado em conjunto com Reinaldo Calixto de Campos, professor do Departamento de Qu\u00edmica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC-Rio) e Cientista do Nosso Estado, da Faperj, no projeto &#8220;Suporte Anal\u00edtico a Estudos Ambientais, de Sa\u00fade e Tecnol\u00f3gicos&#8221;. &#8220;Eles v\u00eam me encaminhando amostras desses animais coletados para an\u00e1lise no laborat\u00f3rio. Os resultados t\u00eam mostrado a presen\u00e7a de contaminantes acima dos n\u00edveis naturais esperados, em grande parte das amostras&#8221;, fala o professor Reinaldo.<\/p>\n<p>Integrante da equipe de Salvatore na Fiocruz, o doutorando Jailson Fulgencio de Moura &#8211; que contou com apoio de bolsa de mestrado da Faperj -, \u00e9 um dos pesquisadores que v\u00eam recolhendo amostras de boto-cinza no litoral fluminense, entre Saquarema, na regi\u00e3o dos Lagos, e S\u00e3o Francisco do Itabapoana, no norte fluminense. &#8220;Na compara\u00e7\u00e3o com exemplares recolhidos no Amap\u00e1, nossa expectativa era de que a bacia Amaz\u00f4nica e do Orinoco pudessem estar distribuindo n\u00edveis expressivos de merc\u00fario por aquela \u00e1rea. Mas os resultados mostraram exatamente o contr\u00e1rio: as amostras do Amap\u00e1 apresentavam n\u00edveis bem mais baixos para merc\u00fario e condi\u00e7\u00f5es bem melhores do que as fluminenses.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Jailson, os n\u00edveis bem maiores de metais pesados nos botos recolhidos no Rio de Janeiro podem resultar da atividade de antigos garimpos ao longo do rio Para\u00edba do Sul, de res\u00edduos de agrot\u00f3xicos usados no cultivo de cana, ou mesmo do aporte de efluentes de atividade industrial na ba\u00eda de Guanabara. &#8220;Pelo que pudemos constatar, a grande maioria dos 20 botos coletados, mortos em consequ\u00eancia de captura acidental em rede de pesca, mostrava deformidades \u00f3sseas. S\u00f3 a continuidade dos estudos nos dir\u00e1 se essas deformidades teriam sido provocadas por contaminantes industriais&#8221;, calcula Jailson.<\/p>\n<p>Se para a fauna marinha os preju\u00edzos da atividade humana s\u00e3o vis\u00edveis, eles tamb\u00e9m s\u00e3o percept\u00edveis para o homem. Um n\u00famero crescente de casos recentes de lobomicose, no Acre, apontam para o ressurgimento de uma doen\u00e7a que se acreditava quase extinta no pa\u00eds. &#8220;Descrita na d\u00e9cada de 1930 nos \u00edndios da etnia kaiabi, da regi\u00e3o central do Xingu, e considerada rara, a lobomicose acomete humanos e tamb\u00e9m golfinhos. \u00c9 um tipo de micose severa, que causa verrugas na pele que precisam ser retiradas cirurgicamente. Foram observados doentes no norte do Rio Grande do Sul, no Paran\u00e1 e no Acre, onde houve dezenas de casos.&#8221;<\/p>\n<p>Provocada por fungos saprof\u00edticos, presentes tanto no solo quanto na \u00e1gua, a doen\u00e7a, da mesma forma do que nos humanos, tamb\u00e9m causa anomalias sobre a pele lisa dos golfinhos. &#8220;N\u00e3o se sabe exatamente o que est\u00e1 levando a essa incid\u00eancia elevada de casos. Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que a contamina\u00e7\u00e3o de rios e cursos d&#8217;\u00e1gua vem progressivamente criando oportunidades para a reermerg\u00eancia de pat\u00f3genos. E como a globaliza\u00e7\u00e3o do mundo moderno tamb\u00e9m significa globaliza\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos, a \u00e1gua de lastro levada pelos navios dissemina esp\u00e9cies invasoras de um lado a outro do planeta, generalizando a contamina\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Um levantamento bacteriol\u00f3gico em tartarugas e aves marinhas encontradas encalhadas ou arribadas na costa fluminense mostra quase sempre um quadro bastante s\u00e9rio de condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. &#8220;Como s\u00e3o esp\u00e9cies que vivem em \u00e1guas costeiras &#8211; em geral, as que mais recebem todo o tipo de contamina\u00e7\u00e3o, seja despejo de esgotos, seja \u00f3leo resultante das atividades portu\u00e1rias -, esses animais sofrem com a dr\u00e1stica transforma\u00e7\u00e3o dos ambientes em que vivem ou onde se alimentam&#8221;, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Detalhando o quadro, ele fala que, no caso das tartarugas, muitas vezes elas apresentam obstru\u00e7\u00e3o intestinal, provocado pela ingest\u00e3o de pl\u00e1stico. &#8220;Em geral est\u00e3o com menos de metade de seu peso normal, o que lhes causa grande debilidade, a ponto de haver afundamento do plastr\u00e3o (casco). Tudo isso cria condi\u00e7\u00f5es para a prolifera\u00e7\u00e3o de agentes patog\u00eanicos e todo o tipo de infec\u00e7\u00e3o. Com isso, o animal para de se alimentar, enfraquece ainda mais e termina morrendo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de causas vale tamb\u00e9m para aves migrat\u00f3rias e baleias, por exemplo. &#8220;Os ma\u00e7aricos usam as \u00e1reas de manguezal para se alimentar, mas essas regi\u00f5es est\u00e3o desaparecendo com a ocupa\u00e7\u00e3o humana. Com a redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o e o aumento da presen\u00e7a de \u00f3leo nas \u00e1reas de suas rotas migrat\u00f3rias, essas aves sofrem v\u00e1rios tipos de agress\u00e3o ambiental. Nos \u00faltimos dias, em pleno inverno, grupos da esp\u00e9cie foram avistados em praias do Rio Grande do Sul, o que significa que n\u00e3o est\u00e3o conseguindo comida suficiente para seguir em frente e enfrentar as condi\u00e7\u00f5es adversas da migra\u00e7\u00e3o.&#8221; O resultado, aponta Salvatore, \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de casos como o da mortandade recente de grupos dessas aves nas proximidades de Tramanda\u00ed, no litoral norte do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><\/span><span>Fonte: Ag\u00eancia Faperj<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As aves migrat\u00f3rias sofrem cada vez mais com os n\u00edveis de \u00f3leo nas \u00e1guas e com a polui\u00e7\u00e3o que aumenta em seus pontos de abrigo. H\u00e1 dois meses, ao norte do Rio Grande do Sul, dezenas de ma\u00e7aricos-de-papo-vermelho foram encontrados mortos nas praias do litoral. 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