{"id":775,"date":"2009-07-02T13:27:38","date_gmt":"2009-07-02T16:27:38","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=775"},"modified":"2011-02-23T16:33:27","modified_gmt":"2011-02-23T19:33:27","slug":"floresta-vazia-ou-desconhecida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=775","title":{"rendered":"Floresta vazia ou desconhecida?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: x-small; font-family: Verdana;\"><\/p>\n<figure id=\"attachment_776\" aria-describedby=\"caption-attachment-776\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/dscf0997.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-776\" title=\"dscf0997\" src=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/dscf0997-300x224.jpg\" alt=\"Mono-carvoeiro - Parque Carlos Botelho. Foto: Livea S. Almeida\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/dscf0997-300x224.jpg 300w, http:\/\/ipevs.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/dscf0997-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-776\" class=\"wp-caption-text\">Mono-carvoeiro - Parque Carlos Botelho. Foto: Livea S. Almeida<\/figcaption><\/figure>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\">Maior compila\u00e7\u00e3o de censos de popula\u00e7\u00f5es de grandes mam\u00edferos na Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 gerada por estudo do programa Biota-Fapesp. Resultados s\u00e3o publicados em artigo na revista Biological Conservation<\/p>\n<p>Jussara Mangini escreve para a \u201cAg\u00eancia Fapesp\u201d:<\/p>\n<p>Um grupo de bi\u00f3logos e ec\u00f3logos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizou, durante quatro anos, censos de mam\u00edferos cineg\u00e9ticos (que s\u00e3o alvo de ca\u00e7a) em 12 unidades de conserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o agrupamento de todos os censos, os dados foram comparados com outros levantamentos feitos em toda a extens\u00e3o do bioma. A metan\u00e1lise foi publicada em artigo na edi\u00e7\u00e3o de junho da revista Biological Conservation.<\/p>\n<p>O trabalho consiste na maior amostragem das popula\u00e7\u00f5es de grandes mam\u00edferos na Mata Atl\u00e2ntica e foi produzido a partir de um projeto ligado ao programa Biota-Fapesp na modalidade Aux\u00edlio a Pesquisa \u2013 Regular, conduzido pelo professor Mauro Galetti, do Laborat\u00f3rio de Biologia da Conserva\u00e7\u00e3o do Departamento de Ecologia da Unesp, em Rio Claro.<\/p>\n<p>Segundo Galetti, at\u00e9 ent\u00e3o, a maioria dos censos na Mata Atl\u00e2ntica enfocava apenas fragmentos pequenos, ignorando \u00e1reas cont\u00ednuas do litoral. \u201cBoa parte dos pesquisadores acredita que as popula\u00e7\u00f5es de grandes mam\u00edferos est\u00e3o salvas nas principais \u00e1reas protegidas do litoral. Temos em S\u00e3o Paulo a maior floresta cont\u00ednua de Mata Atl\u00e2ntica, sobre a qual n\u00e3o se sabe quase nada\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O projeto fez um diagn\u00f3stico das popula\u00e7\u00f5es de grandes mam\u00edferos em \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o fragmentadas para estimar as popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies pouco conhecidas como mono-carvoeiro, queixadas, cutias, esquilos e outras que s\u00e3o alvos de ca\u00e7a. \u201cNossa pesquisa buscou entender o que explica a varia\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia de grandes mam\u00edferos nesse cont\u00ednuo florestal e tamb\u00e9m em toda a Mata Atl\u00e2ntica\u201d, disse Galetti.<\/p>\n<p>Os censos foram realizados em 12 unidades de conserva\u00e7\u00e3o nas tr\u00eas maiores ilhas de S\u00e3o Paulo: do Cardoso, Ilhabela e Anchieta. Tamb\u00e9m foram amostradas as popula\u00e7\u00f5es de mam\u00edferos na Serra de Paranapiacaba \u2013 parques do Petar, Carlos Botelho, Intervales, Jacupiranga e Jureia \u2013 e Serra do Mar \u2013 parques Picinguaba, Caraguatatuba, Cunha e Santa Virg\u00ednia \u2013, al\u00e9m do Jurupar\u00e1, que liga as duas serras, onde h\u00e1 floresta cont\u00ednua.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-10671px;left:-5320px;\"><a href=\"http:\/\/about.me\/the-roommate-movie\">the roommate movie in hd<\/a><\/div>\n<p>A escassez de grandes animais, como anta, queixada e macacos, pode ser explicada pela press\u00e3o de ca\u00e7a e tipo de floresta, apontam os pesquisadores. Em contrapartida, a abund\u00e2ncia dos pequenos mam\u00edferos, como cutias e saguis, aumenta em \u00e1reas com maior press\u00e3o de ca\u00e7a, um fen\u00f4meno chamado de \u201ccompensa\u00e7\u00e3o de densidade\u201d.<\/p>\n<p>Para quantificar o volume de animais abatidos ilegalmente dentro dos parques, Rodrigo Nobre, aluno de mestrado de Galetti descobriu que, anualmente, cerca de 500 tucanos e de 400 inhambus s\u00e3o mortos na regi\u00e3o de Picinguaba. \u201c\u00c9 um fato alarmante, j\u00e1 que as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o deveriam ser um lugar em que a fauna se encontra protegida, mas n\u00e3o foi isso que encontramos\u201d, comentou Galetti.<\/p>\n<p>Abund\u00e2ncias diferenciadas<\/p>\n<p>\u201cCada regi\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica tem uma abund\u00e2ncia diferenciada de grandes mam\u00edferos. Essa enorme varia\u00e7\u00e3o reflete, em parte, a press\u00e3o de ca\u00e7a em cada \u00e1rea e a abund\u00e2ncia de recursos-chave como o palmito ju\u00e7ara\u201d, disse Galetti.<\/p>\n<p>Os parques localizados na Serra de Paranapiacaba t\u00eam uma grande abund\u00e2ncia de primatas, mas s\u00e3o pobres em ungulados, como queixadas e veados. Por outro lado, na Serra do Mar, pr\u00f3ximo a Ubatuba e Caraguatatuba, v\u00e1rias esp\u00e9cies, como on\u00e7a pintada e mono-carvoeiro, s\u00e3o muito raras ou foram extintas localmente. Por\u00e9m, o queixada (porco-do-mato), que \u00e9 um animal amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito comum no Parque Estadual de Santa Virg\u00ednia e na Ilha do Cardoso.<\/p>\n<p>Em Ilhabela, que tem mais de 30 mil hectares e \u00e9 toda florestada, as popula\u00e7\u00f5es de grandes mam\u00edferos s\u00e3o muito baixas. \u201cIlhabela possui a mastofauna mais empobrecida de S\u00e3o Paulo, mas tem a maior abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies de aves de grande porte, como jacutingas e macucos\u201d, disse Galetti.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos a causa dessa alta abund\u00e2ncia, isso ainda \u00e9 um mist\u00e9rio, j\u00e1 que existe muita ca\u00e7a na ilha. Uma hip\u00f3tese \u00e9 a exist\u00eancia de \u00e1reas de acesso muito dif\u00edcil para ca\u00e7adores na ilha, e essas popula\u00e7\u00f5es se concentrariam ali.\u201d<\/p>\n<p>Defauna\u00e7\u00e3o na diversidade de plantas<\/p>\n<p>Um Projeto Tem\u00e1tico aprovado recentemente no \u00e2mbito do Biota-Fapesp pretende avaliar qual o efeito da varia\u00e7\u00e3o em abund\u00e2ncias de grandes mam\u00edferos na diversidade vegetal das plantas.<\/p>\n<p>\u201cTodos esses grandes mam\u00edferos s\u00e3o importantes dispersores e predadores de sementes e tamb\u00e9m herb\u00edvoros, e s\u00e3o eles que controlam ou favorecem as popula\u00e7\u00f5es de diversas esp\u00e9cies de plantas\u201d, apontou Galetti.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o projeto pretende estimar a abund\u00e2ncia de algumas esp\u00e9cies, usando t\u00e9cnicas de extra\u00e7\u00e3o de DNA fecal e de pelos. Antas, felinos e queixadas s\u00e3o raramente avistados pelos pesquisadores na floresta, mas deixam seus vest\u00edgios por onde andam.<\/p>\n<p>\u201cNosso laborat\u00f3rio na Unesp, junto com pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, est\u00e1 trabalhando intensamente na elabora\u00e7\u00e3o de marcadores moleculares dessas esp\u00e9cies. Com isso, teremos em m\u00e3os uma ferramenta importante para determinar n\u00e3o apenas o tamanho populacional dessas esp\u00e9cies, mas tamb\u00e9m sua variabilidade gen\u00e9tica\u201d, disse Galetti.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o Biota\u2013Fapesp: http:\/\/www.biota.org.br<\/p>\n<p>O artigo Priority areas for the conservation of Atlantic forest large mammals, de Mauro Galetti e outros, pode ser lido por assinantes da Biological Conservation em http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/journal\/00063207<br \/>\n(Ag\u00eancia Fapesp, 1\u00ba\/7)<\/p>\n<p><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maior compila\u00e7\u00e3o de censos de popula\u00e7\u00f5es de grandes mam\u00edferos na Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 gerada por estudo do programa Biota-Fapesp. 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