{"id":7784,"date":"2011-08-24T14:46:08","date_gmt":"2011-08-24T17:46:08","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7784"},"modified":"2011-08-24T14:46:42","modified_gmt":"2011-08-24T17:46:42","slug":"area-equivalente-a-cidade-de-natal-pode-ser-desmatada-por-belo-monte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7784","title":{"rendered":"\u00c1rea equivalente \u00e0 cidade de Natal pode ser desmatada por Belo Monte"},"content":{"rendered":"<p><span><strong>Hidrel\u00e9trica no Par\u00e1 ser\u00e1 a segunda maior do pa\u00eds em gera\u00e7\u00e3o de energia.<br \/>\nAt\u00e9 175 km\u00b2 de florestas ser\u00e3o suprimidos; empreendedor promete replantio.<\/strong><\/span><\/p>\n<figure style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\" \" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/08\/18\/desmatamentotravessao620.jpg\" alt=\"\u00c1rvores derrubadas para alargamento de estrada que d\u00e1 acesso aos acampamentos e \u00e0 Transamaz\u00f4nica (Foto: Mariana Oliveira \/ G1)\" width=\"347\" height=\"260\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00c1rvores derrubadas para alargamento de estrada que d\u00e1 acesso aos acampamentos dos trabalhadores da usina e \u00e0 Transamaz\u00f4nica (Foto: Mariana Oliveira \/ G1)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span>A obra da hidrel\u00e9trica de Belo Monte \u00e9 a maior em andamento no Brasil. A usina ser\u00e1 a segunda do pa\u00eds em capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia, atr\u00e1s apenas da binacional Itaipu. O governo diz que Belo Monte \u00e9 essencial para suprir a demanda energ\u00e9tica do pa\u00eds em raz\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico e, por isso, persiste na constru\u00e7\u00e3o da usina apesar de todos os questionamentos dos impactos socioambientais.<\/span><\/p>\n<p>A constu\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) mesmo sem os dados precisos do tamanho da \u00e1rea que ser\u00e1 desmatada. A Norte Energia, empresa respons\u00e1vel pela obra &#8211; o governo \u00e9 dono de cerca de 50% da empresa -, diz que ainda est\u00e1 sendo feito um levantamento da \u00e1rea de supress\u00e3o vegetal e da quantidade de mata que ser\u00e1 replantada.<\/p>\n<p>Segundo estimativa de Antonio Neto, gerente de Gest\u00e3o Ambiental da Norte Energia, podem ser suprimidos entre 30 mil e 35 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o (um hectare equivale a 0,01 km\u00b2), dos quais entre 40% e 50% s\u00e3o florestas &#8211; o restante s\u00e3o pastos ou \u00e1reas j\u00e1 desmatadas.\u00a0 Isso representa uma \u00e1rea entre 300 km\u00b2 e 350 km\u00b2, sendo que entre 120 km\u00b2 e 175 km\u00b2 s\u00e3o florestas.<\/p>\n<p>A \u00e1rea a ser desmatada \u00e9 a soma das obras de infraestrutura na regi\u00e3o para que a usina possa ser constru\u00edda, como abertura de estradas e constru\u00e7\u00e3o de acampamentos, mais a \u00e1rea que ser\u00e1 alagada pelos reservat\u00f3rios da hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2011\/08\/inpe-registra-desmatamento-de-3127-km-em-junho-na-amazonia-legal.html\">Par\u00e1 foi o estado que mais desmatou em junho<\/a>. Em rela\u00e7\u00e3o a maio, houve um aumento de 82,5% na \u00e1rea de desmatamento detectada. No entanto, o instituto n\u00e3o fez nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre o desmatamento e a obra da usina.<\/p>\n<figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/08\/18\/trabalhadoerssupressao30020.jpg\" alt=\"Al\u00e9m de tratores, trabalhadores fazem corte da mata manualmente com fac\u00f5es e motosseras (Foto: Mariana Oliveira \/ G1)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Al\u00e9m do uso de tratores, trabalhadores fazem corte da mata manualmente com fac\u00f5es e motosseras (Foto: Mariana Oliveira \/ G1)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A Norte Energia afirma que as florestas suprimidas para a constru\u00e7\u00e3o da usina s\u00e3o \u201c&#8221;antropizadas&#8221;\u201d, ou seja, j\u00e1 sofreram a a\u00e7\u00e3o do homem. Ainda de acordo com o gerente da Norte Energia Antonio Neto haver\u00e1 replantio como compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos fazendo um invent\u00e1rio florestal justamente para fazer o levantamento de quanto ser\u00e1 extinto de floresta. Na verdade, muita dessa \u00e1rea j\u00e1 era pasto. Pode-se ter certeza de estamos tendo o maior cuidado com a vegeta\u00e7\u00e3o e os animais, e que essa obra tem o componente ambiental acima de qualquer coisa&#8221;, afirmou Antonio Neto.<\/p>\n<p><span>O\u00a0<strong>G1<\/strong> acompanhou o trabalho de derrubada de mata em estrada que d\u00e1 acesso aos futuros acampamentos de trabalhadores e \u00e0 Transamaz\u00f4nica, principal rodovia da regi\u00e3o. A estrada est\u00e1 sendo ampliada, conforme a Norte Energia, para que caminh\u00f5es e equipamentos possam passar pelo local.<\/span><\/p>\n<p><span><span>O desmatamento \u00e9 feito com tratores e motosserras e tamb\u00e9m manualmente, com foices e fac\u00f5es. Enquanto a supress\u00e3o vegetal \u00e9 realizada, bi\u00f3logos atuam no local para afugentar os animais para outras \u00e1reas de floresta que n\u00e3o ser\u00e3o desmatadas ou resgat\u00e1-los para tratamento.<\/span><\/span><\/p>\n<p>Diariamente, de acordo com o bi\u00f3logo Fl\u00e1vio Cardoso Poli, s\u00e3o encontrados de 25 a 30 animais nas \u00e1reas desmatadas. Os bichos mais capturados s\u00e3o sapos e cobras, mas tamb\u00e9m foram registrados casos de tatus, tamandu\u00e1s e bichos-pregui\u00e7a. &#8220;Muito bicho sai s\u00f3 com o barulho, por instinto de sobreviv\u00eancia. N\u00e3o registramos nenhum caso de perda de animais&#8221;, disse Poli.<\/p>\n<p>Uma das condicionantes determinadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para a constru\u00e7\u00e3o da usina foi a constru\u00e7\u00e3o de uma base de resgate de animais, que est\u00e1 em fase de conclus\u00e3o pela Norte Energia.<\/p>\n<p><span><strong>Sociedade civil<\/strong><br \/>\nPara o empres\u00e1rio Vilmar Soares, que coordena o F\u00f3rum Regional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Socioambiental da Transamaz\u00f4nica e Xingu (Fort Xingu), a \u00e1rea a ser desmatada para a usina n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, uma vez que representa pouco -\u2013 cerca de 0,1% &#8211; da \u00e1rea de Altamira, o maior munic\u00edpio brasileiro em extens\u00e3o territorial, com quase 160 mil km\u00b2, cem vezes o tamanho da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;A usina vai gerar desmatamento em uma \u00e1rea pequena. E, al\u00e9m disso, vai ser compensado com a gera\u00e7\u00e3o de energia para o Brasil e o desenvolvimento de Altamira&#8221;, diz o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>O procurador da Rep\u00fablica em Altamira Cl\u00e1udio Terre do Amaral discorda. Para ele, al\u00e9m da &#8220;grande preocupa\u00e7\u00e3o&#8221; com o desmatamento em raz\u00e3o da obra, h\u00e1 ainda o aumento populacional. O MPF tem, em andamento, trezes a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a contra a obra &#8211; 11 a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas e duas a\u00e7\u00f5es de improbidade administrativa.<\/p>\n<p><span>&#8220;Altamira chegou a ser campe\u00e3 de desmatamento este ano, obviamente por causa de Belo Monte. E esse impacto do projeto sobre o desmatamento era uma das grandes lacunas dos estudos de impacto ambiental, porque n\u00e3o haviam proje\u00e7\u00f5es para o crescimento do desmatamento com o fluxo migrat\u00f3rio atra\u00eddo pela obra.&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Conforme o procurador, o MPF tem dados da organiza\u00e7\u00e3o ambiental Imazon que apontam que o desmatamento indireto causado por Belo Monte, &#8220;no melhor dos cen\u00e1rios, pode ser de 800 km\u00b2 e, no pior dos cen\u00e1rios, de mais de 5 mil km\u00b2&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Madeira<\/strong><br \/>\nUm dos pontos pol\u00eamicos relacionados ao desmatamento em Altamira \u00e9 a destina\u00e7\u00e3o da madeira retirada. Conforme a Norte Energia, como concession\u00e1ria da obra, a empresa \u00e9 tamb\u00e9m a dona do material retirado.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda est\u00e1 sendo estudado o que ser\u00e1 feito. A madeira pode ser vendida ou utilizada na obra&#8221;, disse Antonio Neto, da Norte Energia.<\/p>\n<p>O Fort Xingu, entidade que re\u00fane empres\u00e1rios da regi\u00e3o, diz que \u00e9 necess\u00e1rio um &#8220;debate mais amplo&#8221; sobre a destina\u00e7\u00e3o da madeira. Uma das op\u00e7\u00f5es, sugere a entidade, seria efetiva\u00e7\u00e3o de parceria com ind\u00fastrias madeeiras da regi\u00e3o, que est\u00e3o paradas por falta de mat\u00e9ria-prima. &#8220;Estas empresas t\u00eam capacidade de produzir de forma sustent\u00e1vel, gerando emprego e renda&#8221;. A entidade acrescenta ainda que, caso n\u00e3o haja di\u00e1logo com a sociedade civil, h\u00e1 risco de &#8220;questionamentos das decis\u00f5es&#8221; tomadas pela Norte Energia.<\/p>\n<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content\">\n<div>\n<div>\n<p><strong>Obra<\/strong><br \/>\nA hidrel\u00e9trica ocupar\u00e1 parte da \u00e1rea de cinco munic\u00edpios: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador Jos\u00e9 Porf\u00edrio e Vit\u00f3ria do Xingu. Altamira \u00e9 a mais desenvolvida dessas cidades e tem a maior popula\u00e7\u00e3o, quase 100 mil habitantes, segundo o IBGE. Os demais munic\u00edpios t\u00eam entre 10 mil e 20 mil habitantes.<\/p>\n<p>Belo Monte custar\u00e1 pelo menos R$ 25 bilh\u00f5es, segundo a Norte Energia. H\u00e1 estimativas de que o custo chegue a R$ 30 bilh\u00f5es. Trata-se de uma das maiores obras do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo federal.<\/p>\n<p>Apesar de ter capacidade para gerar 11,2 mil MW de energia, Belo Monte n\u00e3o deve operar com essa pot\u00eancia. Segundo o governo, a pot\u00eancia m\u00e1xima s\u00f3 pode ser obtida em tempo de cheia. Na seca, a gera\u00e7\u00e3o pode ficar abaixo de mil MW. A energia m\u00e9dia assegurada \u00e9 de 4,5 mil MW. Para cr\u00edticos da obra, o custo-benef\u00edcio n\u00e3o compensa. O governo contesta e afirma que a energia a ser gerada \u00e9 fundamental para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;O nosso pa\u00eds \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 crescendo. (&#8230;) E necessita aproximadamente de 7 mil MW por ano nos pr\u00f3ximos dez anos para permitir esse crescimento econ\u00f4mico e o desenvolvimento do nosso pa\u00eds&#8221;, disse Altino Ventura, diretor de Planejamento Energ\u00e9tico do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/08\/24\/serie_belomonte.jpg\" alt=\"Programa\u00e7\u00e3o s\u00e9rie Belo Monte quarta (Foto: Editoria de Arte \/ G1)\" \/><\/p>\n<p>Fonte: Mariana Oliveira, G1, Altamira<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hidrel\u00e9trica no Par\u00e1 ser\u00e1 a segunda maior do pa\u00eds em gera\u00e7\u00e3o de energia. At\u00e9 175 km\u00b2 de florestas ser\u00e3o suprimidos; empreendedor promete replantio. A obra da hidrel\u00e9trica de Belo Monte \u00e9 a maior em andamento no Brasil. 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