{"id":7997,"date":"2011-09-09T11:17:39","date_gmt":"2011-09-09T14:17:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7997"},"modified":"2011-09-09T11:17:39","modified_gmt":"2011-09-09T14:17:39","slug":"o-tubarao-uma-especie-caricaturada-mal-protegida-e-ameacada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=7997","title":{"rendered":"O tubar\u00e3o, uma esp\u00e9cie caricaturada, mal protegida e amea\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<p><span>O filhote de tubar\u00e3o fu\u00e7ou o saco pl\u00e1stico cheio d&#8217;\u00e1gua no qual estava sendo transportado, conseguindo abrir uma sa\u00edda e ganhar o fundo marinho, ap\u00f3s v\u00e1rios dias no aqu\u00e1rio de um restaurante tailand\u00eas. Foi salvo de um massacre cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>Anualmente, nos \u00faltimos dez anos, 22.000 toneladas de tubar\u00f5es, em m\u00e9dia, s\u00e3o pescados ao longo da Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Mas, nos \u00faltimos dias, gra\u00e7as a Dive Tribe, uma organiza\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o, 60 filhotes recuperam a liberdade, ap\u00f3s terem sido comprados de restaurantes e mercados.<\/p>\n<p>Entre eles estavam alguns desses peixes jovens e inofensivos, destinados a enfeitar as tigelas de uma sopa muito apreciada no imenso mercado chin\u00eas de barbatana de tubar\u00e3o.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, era uma tradi\u00e7\u00e3o da elite chinesa. &#8220;Mas, hoje, \u00e9 a classe m\u00e9dia&#8221; que consome, irrita-se Jean-Christophe Thomas, um professor de mergulho, convencido da necessidade de uma a\u00e7\u00e3o mundial combinada.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es afirmam, com efeito, que 90% dos indiv\u00edduos de algumas esp\u00e9cies de tubar\u00f5es j\u00e1 desapareceram. As v\u00edtimas da pesca no planeta seriam 72 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>V\u00e1rios pa\u00edses, entre eles as Ilhas Mald\u00edvias e Honduras, constru\u00edram santu\u00e1rios, seguindo o exemplo do arquip\u00e9lago de Palau, na Oceania, que inaugurou a iniciativa, em 2009.<\/p>\n<p>Na \u00c1sia, Taiwan, um dos maiores pa\u00edses pescadores de tubar\u00f5es, anunciou, em julho, um plano para regulamentar a atividade. E o Estado mal\u00e1sio de Sabah, em Born\u00e9u, prev\u00ea uma proibi\u00e7\u00e3o pura e simples.<\/p>\n<p>Em 1999, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura das Na\u00e7\u00f5es Unidas (FAO) aprovou um plano de a\u00e7\u00e3o combinado. Mas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o Traffic, de luta contra o neg\u00f3cio de animais, as 20 maiores na\u00e7\u00f5es pescadoras do planeta n\u00e3o respeitam princ\u00edpios.<\/p>\n<p><\/span><span>&#8220;A preocupa\u00e7\u00e3o internacional em rela\u00e7\u00e3o aos tubar\u00f5es continua a aumentar, ao mesmo tempo em que surgem provas de que numerosas esp\u00e9cies amea\u00e7adas continuam a declinar&#8221;, considerou a organiza\u00e7\u00e3o num relat\u00f3rio, em janeiro.<\/p>\n<p>Para a Dive Tribe, a falta pode ser atribu\u00edda, tamb\u00e9m, ao c\u00e9lebre filme de 1975 de Steven Spielberg, &#8220;Tubar\u00e3o&#8221;, que assimilou o animal a um insaci\u00e1vel comedor de homens.<\/p>\n<p>&#8220;Na realidade, os ataques contra o homem s\u00e3o raros&#8221;, comentou Jean-Christophe Thomas.<\/p>\n<p>S\u00e1bado passado, 60 animais jovens deixaram em sacos pl\u00e1sticos cheios d&#8217;\u00e1gua o aqu\u00e1rio &#8220;Underwater World&#8221; de Pattaya, um balne\u00e1rio a 150 km a sudeste de Bangcoc. Foram libertados um por um.<\/p>\n<p>&#8220;Eu carregava o saco e nem me dei conta quando ele partiu&#8221;, brincou Wayne Phillips, professor de ecologia marinha da Universidade Mahidol de Bangcoc. &#8220;Ele conseguiu sozinho a liberdade. N\u00f3s s\u00f3 o orientamos. \u00c9 bem melhor assim&#8221;.<\/p>\n<p>Excluindo todo o romantismo, os tubar\u00f5es s\u00e3o predadores essenciais para o equil\u00edbrio marinho. Seu desaparecimento progressivo modifica o conjunto do ecossistema.<\/p>\n<p>&#8220;Protegendo os tubar\u00f5es, defendemos tudo o que est\u00e1 abaixo, inclusive o fundo marinho&#8221;, resumiu o cientista. &#8220;Devemos fazer entender como s\u00e3o importantes&#8221;.<\/p>\n<p>Quanto tempo resta, antes que seja muito tarde ? &#8220;Alguns dizem cinco anos, outros, dez. Mas n\u00e3o se sabe exatamente quantos tubar\u00f5es ainda vivem nos oceanos&#8221;, admite Gwyn Mills, fundador da Dive Tribe.<\/p>\n<p>&#8220;O com\u00e9rcio de barbatanas (&#8230;) e de outros produtos envolvendo a esp\u00e9cie deve ser proibido agora. Perdemos muitos deles a cada ano&#8221;.<\/p>\n<p>Resta convencer, tamb\u00e9m, os pescadores tailandeses que, como outros na \u00c1sia, cortam as barbatanas dos que est\u00e3o presos a suas redes, jogando-os depois na \u00e1gua, na agonia.<\/p>\n<p><\/span><span>A chave do sucesso ser\u00e1, ent\u00e3o, financeira, explicou Gwyn Mills, para quem um um tubar\u00e3o \u00e9 mais importante vivo para a ind\u00fastria do turismo, do que morto, no prato de um restaurante.<\/p>\n<p>Ele pensa, ent\u00e3o, num modelo econ\u00f4mico que permita indenizar os pescadores para que os libertem. Enquanto espera, o importante \u00e9 convenc\u00ea-los.<\/p>\n<p>Segundo um balan\u00e7o internacional estabelecido pela Universidade da Fl\u00f3rida, foram recenseados no ano passado 79 ataques de tubar\u00f5es no mundo, entre eles seis mortais, o que representa um aumneto de 25% nos acidentes em rela\u00e7\u00e3o a 2009.<\/p>\n<p>Ao lado disso, Hollywood estreia nesta sexta-feira &#8220;Shark 3D&#8221; &#8211; a hist\u00f3ria de um grupo de adolescentes massacrados uns ap\u00f3s os outros por tubar\u00f5es esfaimados, num lago salgado da Louisiana. Para a organiza\u00e7\u00e3o Dive Tribe e os demais defensores da esp\u00e9cie, o combate apenas come\u00e7a.<\/p>\n<p>Fonte: Veja Ci\u00eancia<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filhote de tubar\u00e3o fu\u00e7ou o saco pl\u00e1stico cheio d&#8217;\u00e1gua no qual estava sendo transportado, conseguindo abrir uma sa\u00edda e ganhar o fundo marinho, ap\u00f3s v\u00e1rios dias no aqu\u00e1rio de um restaurante tailand\u00eas. Foi salvo de um massacre cont\u00ednuo. 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