{"id":8078,"date":"2011-09-15T10:07:36","date_gmt":"2011-09-15T13:07:36","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8078"},"modified":"2011-09-15T10:07:36","modified_gmt":"2011-09-15T13:07:36","slug":"guanandi-surge-como-opcao-para-reflorestamento-com-madeira-de-lei","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8078","title":{"rendered":"Guanandi surge como op\u00e7\u00e3o para reflorestamento com madeira de lei"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.ibflorestas.org.br\/images\/stories\/imagens\/guanandicerto.jpg\" alt=\"alt\" width=\"210\" height=\"210\" \/>A cada dia que passa, fica mais dif\u00edcil encontrar, no mercado, madeiras de qualidade, que s\u00e3o usadas para m\u00f3veis e decora\u00e7\u00e3o. O aperto da legisla\u00e7\u00e3o ambiental est\u00e1 transformando em raridade madeiras vindas das florestas nativas.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia ser\u00e1 o mercado se abastecer com madeiras plantadas. Nesse contexto, come\u00e7a a chamar a aten\u00e7\u00e3o uma \u00e1rvore de brejo, que est\u00e1 alimentando o sonho das pessoas.<\/p>\n<p>No Museu da Madeira, do Instituto Florestal de S\u00e3o Paulo, seja em afrescos na parede, seja no tabuleiro de placas trabalhadas em relevo, est\u00e3o amostras da riqueza em madeira que S\u00e3o Paulo tem &#8211; ou teve. Dentre as mais valorizadas, est\u00e3o as madeiras de lei.<\/p>\n<p>\u201cFoi um termo criado pela Coroa Portuguesa para regulamentar todo o corte e explora\u00e7\u00e3o das madeiras no Brasil. Atualmente, esse termo ainda permanece, mas para madeiras que, por seu alto valor econ\u00f4mico, s\u00e3o empregadas para fins nobres\u201d, afirma o bi\u00f3logo Eduardo Longhi.<\/p>\n<p>Uma reserva florestal em Lu\u00eds Ant\u00f4nio, munic\u00edpio a 260 km de S\u00e3o Paulo, no norte do estado, em conjunto com outra unidade de conserva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no estado, totalizam 10 mil hectares onde se preserva o pouco que resta do cerrad\u00e3o paulista, e onde se fazem experi\u00eancias com plantio de \u00e1rvores nativas de voca\u00e7\u00e3o para madeira.<\/p>\n<p>Seja pelo atual ou por um novo C\u00f3digo Florestal, muitos ter\u00e3o que reflorestar para ficar dentro da legalidade. \u00c9 uma boa ideia usar a madeira de lei para agregar valor ao reflorestamento, mas como plantar uma \u00e1rvore desse tipo?<\/p>\n<p>Um dos testes que a reserva de Lu\u00eds Ant\u00f4nio vem fazendo \u00e9 comparar o crescimento de quatro esp\u00e9cies nobres: jequitib\u00e1, pau-marfim, ip\u00ea roxo e louro pardo. As quatro foram plantadas em condi\u00e7\u00f5es iguais h\u00e1 26 anos.<\/p>\n<p>O jequitib\u00e1 vem ganhando na compara\u00e7\u00e3o, com uma madeira de melhor qualidade e maior cubicagem. Outra \u00e1rvore, por\u00e9m, aparece como op\u00e7\u00e3o: o guanandi.<\/p>\n<p><strong>O guanandi<\/strong><\/p>\n<p>O nome varia conforme a regi\u00e3o do Brasil, mas \u00e9 considerada sempre uma madeira de lei, de cor bonita, valorizada, que agora tem atr\u00e1s de si um trabalho de observa\u00e7\u00e3o, um esquema de mudas e sementes e at\u00e9 um agricultor entusiasmado que espera fazer R$ 1 milh\u00e3o com uma ro\u00e7a de um hectare de guanandi em 18 anos.<\/p>\n<p>O guanandi, cujo nome cient\u00edfico \u00e9 Calophyllum brasiliense, foi descrito pela primeira vez pelo alem\u00e3o Von Martius, autor da Flora Brasiliense, no come\u00e7o do s\u00e9culo XIX. Ocorre em todo o territ\u00f3rio nacional, e \u00e9, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m chamado de guanandi-cedro ou guanandi-carvalho. \u00c9 madeira resistente e de grande aceita\u00e7\u00e3o, mas dif\u00edcil de encontrar hoje em dia.<\/p>\n<p>Em Monte Alto, a 370 km da capital paulista, ainda no norte do estado, Lorisval Vasconcelos, agr\u00f4nomo aposentado e perito judicial, acredita ter descoberto no guanandi um neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Vasconcelos tem uma pequena planta\u00e7\u00e3o de guanandi no seco, na qual a planta, apesar da origem no brejo, cresce melhor que no terreno encharcado. A desrama \u00e9 o manejo certo para a \u00e1rvore subir reta, mas a atividade principal no local \u00e9 o viveiro de mudas, tocado por Rodrigo e Maicon, filhos de Vasconcelos, os dois tamb\u00e9m agr\u00f4nomos.<\/p>\n<p>O guanandi j\u00e1 se tornou uma fonte de renda comum para os viveiristas. Existem viveiros at\u00e9 maiores que o de Monte Alto, com produ\u00e7\u00e3o regular de mudas e assessoria t\u00e9cnica.<br \/>\n<strong><br \/>\nPlantio<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um jeito para a produ\u00e7\u00e3o das mudas render mais. Com a prepara\u00e7\u00e3o de mudas, deve se fazer um trinco na casca externa da planta, para facilitar a germina\u00e7\u00e3o. Para plantar, fa\u00e7a uma cova de 40 cm x 40 cm x 40 cm, um tanto de esterco de curral e 200 g de adubo b\u00e1sico (NPK).<\/p>\n<p>Misture com a terra retirada da cova, cobre o buraco e abre uma entradinha para a muda.<br \/>\nEm Uberaba, no Tri\u00e2ngulo Mineiro, a quase 500 km de Belo Horizonte, em um local da cidade chamado Ch\u00e1cara das Freiras, um antigo convento, existe um bosque nativo de guanandi.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de guanandi no Bosque das Freiras \u00e9 uma prova, segundo o agricultor D\u00edlson Meireles, de que a planta \u00e9 adaptada e se dar\u00e1 bem na regi\u00e3o. Em sua fazenda, em Uberaba, Meireles tem 7.500 p\u00e9s de guanandi em cinco hectares. At\u00e9 o quarto ano, o guanandi permite consorciamentos; no caso, com guandu, mandioca e milho.<\/p>\n<p>Seu esquema \u00e9 este: em um hectare de terra, o plantio \u00e9 de 1.500 mudas. Em seis anos, h\u00e1 o primeiro raleamento: retiram-se 500 plantas, que s\u00e3o aproveitadas como lenha. Em 10 anos, h\u00e1 o segundo raleamento, e retiram-se mais 500 \u00e1rvores, mas o aproveitamento agora \u00e9 como madeira fina.<\/p>\n<p>Permanecem ent\u00e3o as 500 melhores \u00e1rvores do talh\u00e3o, as quais, em 18 a 20 anos, dever\u00e3o produzir 400 metros c\u00fabicos de madeira. Meireles sonha alto: espera conseguir R$ 1 milh\u00e3o de por hectare com guanandi em pouco mais de 18 anos.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Em Botucatu, no centro de S\u00e3o Paulo, fica a se\u00e7\u00e3o de engenharia florestal da Unesp. Vera Lex trabalha h\u00e1 20 anos com madeiras de lei, e o guanandi \u00e9 seu velho conhecido. \u201cAcho que o guanandi tem muito potencial, assim como outras esp\u00e9cies nativas para plantio comercial, inclusive potencial de gerar muita renda, mas sou bastante cuidadosa no que se refere ao prazo, que seria o corte final\u201d, afirma a engenheira.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que n\u00e3o se consegue ter uma madeira de qualidade com menos de 30 anos. Tamb\u00e9m (sou c\u00e9tica) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estimativa de crescimento, porque n\u00e3o h\u00e1 ainda pesquisas suficientes em larga escala de \u00e1reas planta\u00e7\u00f5es no Brasil para dar um indicativo seguro de quanto essa esp\u00e9cie cresce\u201d, completa Vera.<\/p>\n<p>\u201cEla pode at\u00e9 estar certa. Por\u00e9m, a gente tem que pensar que os pre\u00e7os das madeiras est\u00e3o cada vez mais elevados. Ontem, por exemplo, em Uberaba, fui a algumas madeireiras e consegui madeira de lei para forno a R$ 3.700 o metro c\u00fabico. J\u00e1 temos not\u00edcia que, em S\u00e3o Paulo, as madeiras de lei nativas e nobres est\u00e3o acima de R$ 4.500 o metro c\u00fabico\u201d, rebate Meireles, que ressalta o papel de \u201cpoupan\u00e7a em longo prazo\u201d do investimento para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Globo Rural<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada dia que passa, fica mais dif\u00edcil encontrar, no mercado, madeiras de qualidade, que s\u00e3o usadas para m\u00f3veis e decora\u00e7\u00e3o. O aperto da legisla\u00e7\u00e3o ambiental est\u00e1 transformando em raridade madeiras vindas das florestas nativas. A tend\u00eancia ser\u00e1 o mercado se abastecer com madeiras plantadas. 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