{"id":8081,"date":"2011-09-15T10:19:00","date_gmt":"2011-09-15T13:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8081"},"modified":"2011-09-15T10:19:00","modified_gmt":"2011-09-15T13:19:00","slug":"cientistas-pedem-cinturoes-verdes-para-proteger-florestas-primarias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8081","title":{"rendered":"Cientistas pedem &#8216;cintur\u00f5es verdes&#8217; para proteger florestas prim\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p><strong>Biodiversidade em regi\u00f5es tropicais nunca se recupera ap\u00f3s degrada\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>Artigo com brasileiro co-autor ser\u00e1 publicado na Nature nesta quinta-feira.<\/strong><\/p>\n<p>Estudo que ser\u00e1 publicado nesta quinta-feira (15) na revista &#8220;Nature&#8221; alerta sobre a necessidade de se criar mais \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o a florestas tropicais prim\u00e1rias (aquelas que n\u00e3o sofreram degrada\u00e7\u00e3o e s\u00e3o praticamente intactas), no intuito de preservar a biodiversidade local.<\/p>\n<p>De acordo com o documento, elaborado por 11 pesquisadores, entre eles o brasileiro Carlos Peres, que \u00e9 docente da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, o impacto do ser humano tem reduzido o valor da biodiversidade.<\/p>\n<p>A r\u00e1pida convers\u00e3o da floresta tropical em \u00e1reas destinadas \u00e0 agricultura, produ\u00e7\u00e3o de madeira e outros usos fazem com que a vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se regenere mais, extinguindo esp\u00e9cies de animais residentes nessas localidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa reuniu informa\u00e7\u00f5es de 28 pa\u00edses, incluindo dados de desmatamento na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira. Foram feitas 2.220 compara\u00e7\u00f5es em 92 tipos de paisagens diferentes. Apesar da conhecida devasta\u00e7\u00e3o do maior bioma do pa\u00eds, com dados divulgados pelo minist\u00e9rio do Meio Ambiente, os cientistas constataram que a cobertura florestal da \u00c1sia \u00e9 a que mais perde com a explora\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p><strong>Alta densidade demogr\u00e1fica<\/strong><br \/>\n\u201cA mudan\u00e7a do uso do solo nesta regi\u00e3o e sua degrada\u00e7\u00e3o ocorrem principalmente pela alta densidade demogr\u00e1fica. Tem muita gente. Al\u00e9m disso, as florestas s\u00e3o muito antigas e os bichos sens\u00edveis a essas altera\u00e7\u00f5es. Em pa\u00edses como Indon\u00e9sia e Mal\u00e1sia s\u00e3o produzidos o \u00f3leo de palma para o mundo inteiro nessas \u00e1reas devastadas\u201d, disse Carlos Peres.<\/p>\n<p>As aves s\u00e3o as principais esp\u00e9cies afetadas por essas mudan\u00e7as, afirma o estudo, principalmente quando o solo \u00e9 utilizado para agricultura. J\u00e1 as queimadas afetam a recomposi\u00e7\u00e3o vegetal.<\/p>\n<p>Outro ponto citado no artigo \u00e9 que a abertura de estradas florestais facilitaria a migra\u00e7\u00e3o humana para fronteiras da mata nativa, desencadeando a explora\u00e7\u00e3o madeireira ilegal. Ambientalistas brasileiros temem esta possibilidade em uma regi\u00e3o que compreende os estados do Mato Grosso e Par\u00e1, em decorr\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o da BR-163, estrada federal que liga Cuiab\u00e1 a Santar\u00e9m e que corta uma grande \u00e1rea da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<figure style=\"width: 496px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2011\/09\/09\/04_.jpg\" alt=\"Foco de inc\u00eandio em \u00e1rea da floresta amaz\u00f4nica que est\u00e1 em regenera\u00e7\u00e3o. Desde o come\u00e7o do ano, Par\u00e1 registrou 4.039 focos de queimada, segundo o Inpe (Foto: Paulo Whitaker\/Reuters)\" width=\"496\" height=\"280\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foco de inc\u00eandio em \u00e1rea da floresta amaz\u00f4nica que est\u00e1 em regenera\u00e7\u00e3o no Par\u00e1. Degrada\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em \u00e1reas tropicais afeta a biodiversidade. Solu\u00e7\u00e3o \u00e9 criar cintur\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o, sem reduzi-la posteriormente por interesses econ\u00f4micos (Foto: Paulo Whitaker\/Reuters)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Impacto no Brasil<\/strong><br \/>\nSegundo Peres, o processo de perturba\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, pela derrubada e aumento da ca\u00e7a, afeta sistemas naturais da floresta que podem impactar no cotidiano de outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de falarem que o bioma perdeu apenas de 18% de seu total, h\u00e1 estragos que n\u00e3o s\u00e3o constatados. Essa penetra\u00e7\u00e3o no interior da floresta quebra o ciclo de preserva\u00e7\u00e3o. Com as secas constantes que t\u00eam sido registradas, se perde biomassa e o processo de evapotranspira\u00e7\u00e3o (forma pela qual a \u00e1gua da superf\u00edcie terrestre passa para a atmosfera no estado de vapor). Tais fatos reduzem as chuvas, que alimentam boa parte do Brasil\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cSe colocar na ponta do l\u00e1pis e quantificar os servi\u00e7os ambientais da Amaz\u00f4nia e suas bacias hidrol\u00f3gicas, os contribuintes brasileiros n\u00e3o conseguiriam pagar nunca. Mas como \u00e9 tudo de gra\u00e7a, ningu\u00e9m liga para o que est\u00e1 ocorrendo\u201d, complementa.<\/p>\n<p>De acordo com Peres, \u00e9 importante \u201ccercar\u201d as \u00e1reas protegidas constituindo unidades de conserva\u00e7\u00e3o para \u201csegurar\u201d a degrada\u00e7\u00e3o por prazo indeterminado. \u201cO que n\u00e3o se pode fazer \u00e9 reduzir os n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de interesses econ\u00f4micos\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biodiversidade em regi\u00f5es tropicais nunca se recupera ap\u00f3s degrada\u00e7\u00e3o. Artigo com brasileiro co-autor ser\u00e1 publicado na Nature nesta quinta-feira. 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