{"id":8142,"date":"2011-09-19T11:35:12","date_gmt":"2011-09-19T14:35:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8142"},"modified":"2011-09-19T11:35:12","modified_gmt":"2011-09-19T14:35:12","slug":"substancia-elimina-o-protozoario-da-leishmaniose","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8142","title":{"rendered":"SUBST\u00c2NCIA ELIMINA O PROTOZO\u00c1RIO DA LEISHMANIOSE"},"content":{"rendered":"<p>A leishmaniose deixou de ser uma doen\u00e7a de ocorr\u00eancia apenas em \u00e1reas consideradas remotas. Nos \u00faltimos 30 anos, a mazela avan\u00e7ou sobre os centros urbanos e hoje se encontra fora de controle no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia de sua gravidade e do seu avan\u00e7o no pa\u00eds, a enfermidade \u00e9 um dos maiores problemas de sa\u00fade p\u00fablica do estado do Par\u00e1 e j\u00e1 chegou ao Sul \u2014 regi\u00e3o antes considerada de dif\u00edcil adapta\u00e7\u00e3o dos insetos transmissores, por conta das baixas temperaturas. Al\u00e9m da transmiss\u00e3o descontrolada, outro problema, talvez ainda mais grave, aflige a sociedade: a falta de um tratamento adequado e eficaz contra a doen\u00e7a. A sa\u00edda, por\u00e9m, pode estar na pr\u00f3pria natureza, mais especificamente, nas costas de anf\u00edbios. Uma pesquisa brasileira indica que uma subst\u00e2ncia encontrada na secre\u00e7\u00e3o desses animais tem a\u00e7\u00e3o potente contra o protozo\u00e1rio que provoca o mal.<\/p>\n<p>A descoberta foi feita por Jos\u00e9 Roberto Leite, coordenador da equipe do N\u00facleo de Pesquisa em Biodiversidade e Biotecnologia da Universidade Federal do Piau\u00ed (Biotec\/UFPI), ap\u00f3s testar a subst\u00e2ncia em c\u00e9lulas infectadas pela leishmania. \u201cEntre dezenas de outras subst\u00e2ncias testadas, encontramos uma que pode dar origem a um f\u00e1rmaco muito mais eficaz que os existentes hoje\u201d, afirma o pesquisador. A mol\u00e9cula se destacou contra a leishmaniose tegumentar, tipo da doen\u00e7a que se manifesta na pele.<\/p>\n<p>A subst\u00e2ncia \u00e0 qual Leite se refere \u00e9 a dermaseptina 01, e foi extra\u00edda da secre\u00e7\u00e3o produzida pela Phyllomedusa nordestina, perereca de cerca de 5cm de comprimento muito comum no Delta do Parna\u00edba, no Piau\u00ed. Segundo o pesquisador, o l\u00edquido extra\u00eddo do dorso do animal tem alto poder antimicrobiano, sendo capaz de proteg\u00ea-lo de bact\u00e9rias e fungos. O ambiente \u00famido e cheio de mat\u00e9ria org\u00e2nica em que os anf\u00edbios est\u00e3o imersos na quase totalidade de sua vida \u00e9 ideal para a prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias comensais, que vivem na parte externa do corpo dos animais. Assim, o desenvolvimento de um sistema imunol\u00f3gico eficaz foi essencial para o sucesso evolutivo de esp\u00e9cies da ordem dos anuros \u2014 sapos, r\u00e3s e pererecas.<\/p>\n<p>Sabendo disso, os cientistas focaram os estudos na identifica\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias presentes na secre\u00e7\u00e3o e na forma como elas atuam sobre micro-organismos patog\u00eanicos. \u201cA ideia \u00e9 conhecer essas subst\u00e2ncias antimicrobianas, sua estrutura molecular, e tentar mimetizar seus efeitos antibi\u00f3ticos contra bact\u00e9rias patog\u00eanicas ao homem\u201d, descreve Leite. Esse esfor\u00e7o de prospec\u00e7\u00e3o se iniciou em 2002, com anf\u00edbios do Cerrado, quando o especialista integrava uma equipe de pesquisadores na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n<p>Pouco t\u00f3xica<br \/>\nOs anf\u00edbios possuem em sua regi\u00e3o dorsal uma s\u00e9rie de gl\u00e2ndulas granulares, especializadas na produ\u00e7\u00e3o de veneno. Leite explica que essas estruturas produzem diversas classes de mol\u00e9culas de interesse, principalmente pept\u00eddeos \u2014 biomol\u00e9culas formadas pela liga\u00e7\u00e3o de dois ou mais amino\u00e1cidos. No caso da Phyllomedusa nordestina, h\u00e1 mais de 20 subst\u00e2ncias no pept\u00eddeo que foram isoladas e estudadas uma a uma.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o da dermaseptina 01 foi feita depois de ser testada nas c\u00e9lulas infectadas pela leishmaniose. Em 24 horas, a subst\u00e2ncia conseguiu acabar com o protozo\u00e1rio da doen\u00e7a. \u201cEssas mol\u00e9culas t\u00eam se mostrado muito potentes contra a leishmaniose tegumentar, al\u00e9m de apresentar menos efeitos colaterais contra c\u00e9lulas humanas, ou seja, baixa toxicidade\u201d, afirma o coordenador da Biotec.<\/p>\n<p>A toxicidade \u00e9 um dos gargalos no tratamento contra a leishmaniose no mundo. Os dois \u00fanicos rem\u00e9dios existentes contra a doen\u00e7a trazem efeitos colaterais extremamente prejudiciais ao homem. Para se ter uma ideia do n\u00edvel t\u00f3xico de tais medicamentos, o \u00edndice de mortalidade de pacientes que fizeram uso do tratamento \u00e9 entre 5% a 20%. \u201cPor isso, a dermaseptina 01 tem nos dado a expectativa de que, a partir dela, possam surgir uma classe de medicamentos eficazes contra a doen\u00e7a\u201d, acredita Leite.<br \/>\nNanoestruturas<\/p>\n<p>Para que essa subst\u00e2ncia se torne mais eficaz contra a doen\u00e7a, os pesquisadores criaram nanofilmes com espessuras semelhantes a uma membrana natural que, aplicada sobre a pele, libera aos poucos a dermaseptina 01. \u201cPara atacar a c\u00e9lula, a dermaseptina 01 tem de atravessar a parede celular. Assim como nos nanofilmes artificiais, j\u00e1 podemos analisar como se d\u00e1 o processo na membrana celular da leishmania\u201d, explica Valtencir Zucolotto, professor do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos (IFSC\/USP) e coordenador da rede Nanobiomed, que estuda plataformas nanotecnol\u00f3gicas aplicadas \u00e0 medicina.<\/p>\n<p>No N\u00facleo de Pesquisa em Biodiversidade e Biotecnologia, no Piau\u00ed, os cientistas desenvolveram um tipo de nanofilme feito da goma de cajueiro, na qual a subst\u00e2ncia pode ser inserida para chegar \u00e0 c\u00e9lula e combater o protozo\u00e1rio. \u201cPretendemos utilizar esse material de car\u00e1ter regional como uma membrana antiparasit\u00e1ria em feridas de pacientes com leishmaniose cut\u00e2nea, aproveitando, al\u00e9m das propriedades do pept\u00eddeo, os efeitos da goma de cajueiro purificada que possui atividade antimicrobiana e antioxidante, j\u00e1 comprovadas por outros trabalhos de nosso grupo\u201d, completa Leite.<\/p>\n<p>O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) e doutor em sa\u00fade p\u00fablica pela Universidade de Harvard, Carlos Henrique Costa, mostra-se animado com os resultados da pesquisa e acredita que o estudo dos pept\u00eddeos possa originar novos medicamentos, sobretudo contra outras doen\u00e7as tropicais. \u201cOs anf\u00edbios conseguiram sobreviver \u00e0s grandes cat\u00e1strofes, muito por conta dos pept\u00eddeos que eles produzem \u2014 inimigos naturais dos micro-organismos patog\u00eanicos.\u201d<\/p>\n<p>Costa ressalta a import\u00e2ncia de pesquisas sobre a leishmaniose por causa da transmiss\u00e3o descontrolada, j\u00e1 que o inseto transmissor da doen\u00e7a se ada pta bem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es urbanas. \u201cEle pode se transforma no novo Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue) muito mais rapidamente do que imaginamos\u201d, alerta. \u201cToda pesquisa em busca de produtos farmacol\u00f3gicos traz esperan\u00e7a, pois n\u00e3o temos como combater a doen\u00e7a, que est\u00e1 se expandindo\u201d, enfatiza o presidente da SBMT.<\/p>\n<p>Tipos<br \/>\nA leishmaniose pode ser do tipo tegumentar e visceral. No primeiro caso, provoca les\u00f5es na pele e, em casos mais graves, ataca as mucosas do rosto, como nariz e l\u00e1bios (leishmaniose mucosa). A manifesta\u00e7\u00e3o visceral afeta os \u00f3rg\u00e3os internos, causando febre, emagrecimento, anemia, aumento do f\u00edgado e do ba\u00e7o e imunodefici\u00eancia (diminui\u00e7\u00e3o da capacidade de defesa do organismo contra outros micr\u00f3bios).<\/p>\n<p><em>Fonte: Correio Braziliense<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o CFMV<\/em><\/p>\n<div><em><strong><br \/>\n<\/strong><\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A leishmaniose deixou de ser uma doen\u00e7a de ocorr\u00eancia apenas em \u00e1reas consideradas remotas. Nos \u00faltimos 30 anos, a mazela avan\u00e7ou sobre os centros urbanos e hoje se encontra fora de controle no Brasil e no mundo. 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