{"id":8238,"date":"2011-09-26T10:31:57","date_gmt":"2011-09-26T13:31:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8238"},"modified":"2011-09-26T10:31:57","modified_gmt":"2011-09-26T13:31:57","slug":"garrafas-pet-x-garrafas-de-vidro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8238","title":{"rendered":"Garrafas PET x garrafas de vidro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Jean Marc Sasson* &#8211;<\/strong>\u00a0Quando pensamos em embalagem de refrigerantes, o que seria ambientalmente mais correto: a garrafa PET ou a garrafa de vidro. D\u00favidas n\u00e3o faltam. \u00c9 uma quest\u00e3o relativa que merece uma an\u00e1lise mais detalhada e cr\u00edtica.<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, as garrafas de vidro eram facilmente encontradas nos principais supermercados brasileiros. Contudo, com o advento da garrafa PET, as garrafas de vidro desapareceram do mercado, retornando, agora, com for\u00e7a total. Para se ter uma ideia, em 2000, a Coca-Cola, uma das maiores empresas deste setor, disponibilizava apenas um modelo de vidro no Brasil. Hoje j\u00e1 s\u00e3o mais de sete modelos e investimentos cada vez maiores neste tipo de embalagem.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o in\u00fatil sob a \u00f3tica de sermos o pa\u00eds no topo do\u00a0<em>ranking<\/em>\u00a0dos maiores consumidores de refrigerantes\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0anuais com 487 copos, superando os Estados Unidos com 436 copos. Deste total, segundo dados de dezembro de 2006, da Associa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de Refrigerantes (Abir), em todo o mercado brasileiro de refrigerantes, o vidro participa com 12,3%, as embalagens PET dominam com 79,8%, enquanto as latas ficam com apenas 7,9%.<\/p>\n<p>Em paralelo, foi tra\u00e7ado o perfil de consumo brasileiro. Os consumidores da classe A e B preferem a conveni\u00eancia ao optarem pelas latas e garrafas PET. J\u00e1 as classes C e D optam pelo baixo custo do produto, sendo a embalagem de vidro retorn\u00e1vel a preferida.<\/p>\n<p>Assim, diante de n\u00fameros t\u00e3o expressivos, \u00e9 importante identificar qual seria a melhor garrafa na perspectiva ambiental e econ\u00f4mica. Para isso, utilizarei uma ferramenta fundamental, a an\u00e1lise do ciclo de vida do produto. Analisa-se desde a extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais at\u00e9 o consumo final, passando, claro, pela log\u00edstica do processo. N\u00e3o podemos nos ater apenas ao aspecto ambiental de qualquer produto. Para que um produto seja comercializado, ele tem de ser primeiramente economicamente vi\u00e1vel. Tanto uma como a outra embalagem s\u00e3o vi\u00e1veis. Portanto, vou me ater somente aos aspectos ambientais.<\/p>\n<p>No primeiro momento do ciclo de vida, devemos analisar a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos naturais na obten\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima. O vidro \u00e9 composto basicamente por areia, calc\u00e1rio, barrilha, alumina, corantes e descorantes. Em sua maioria s\u00e3o elementos facilmente encontrados na natureza e, em parte, renov\u00e1veis. J\u00e1 a garrafa PET \u00e9 feita basicamente de pl\u00e1stico, derivado do petr\u00f3leo, fonte n\u00e3o renov\u00e1vel e emitente de gases de efeito estufa. Neste aspecto, pode-se dizer que a garrafa de vidro \u00e9 melhor op\u00e7\u00e3o que a de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Na segunda fase, na fabrica\u00e7\u00e3o das garrafas, independente da composi\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o feitas, a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa e a utiliza\u00e7\u00e3o de energia e de recursos naturais, a longo prazo, ser\u00e3o menores na produ\u00e7\u00e3o da garrafa de vidro, tendo em vista a possibilidade de serem produzidas apenas uma \u00fanica vez e reutilizadas at\u00e9 40 vezes, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Em termos log\u00edsticos, acredito que as garrafas PET s\u00e3o as menos impactantes por dois motivos. Primeiro, porque as embalagens descart\u00e1veis s\u00e3o mais leves, possuindo a melhor rela\u00e7\u00e3o peso\/conte\u00fado do mercado. A garrafa PET de dois litros tem em m\u00e9dia apenas 47g, enquanto uma garrafa de vidro de um litro para refrigerante pesa 950g. Segundo, elas podem ser comprimidas para estocagem, cabendo no mesmo espa\u00e7o mais garrafas do que as de vidro. Al\u00e9m disso, as garrafas de vidro, por serem mais pesadas, far\u00e3o o caminh\u00e3o emitir mais CO2 para transport\u00e1-las, somando-se, ainda, a emiss\u00e3o de CO2 no seu retorno \u00e0 f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Contudo, se consideradas dist\u00e2ncias de distribui\u00e7\u00e3o de at\u00e9 400 quil\u00f4metros, levando em considera\u00e7\u00e3o a mat\u00e9ria-prima, a energia e o combust\u00edvel consumidos na fabrica\u00e7\u00e3o, transporte das embalagens e coleta para disposi\u00e7\u00e3o final, as garrafas de vidro s\u00e3o mais vantajosas no que se refere \u00e0 emiss\u00e3o de CO2 e ao<a title=\"consumo de energia\" href=\"http:\/\/www.ambienteenergia.com.br\/index.php\/tag\/consumo-de-energia\">consumo de energia<\/a>.\u00a0 Esse dado \u00e9 fundamental se pensarmos que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds continental. Para os centros urbanos cujas dist\u00e2ncias s\u00e3o menores, as garrafas de vidro deveriam ser prioridade. J\u00e1 para destinos remotos, as de PET teriam sua vez por gastar menos combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Outro ponto a ser analisado no ciclo de vida \u00e9 a pegada h\u00eddrica. N\u00e3o podemos esquecer um bem t\u00e3o preciso \u00e0 humanidade. Para produzir um litro de bebidas em PET, apenas dois litros de \u00e1gua s\u00e3o usados, nos quais incluem a \u00e1gua utilizada para a produ\u00e7\u00e3o do refrigerante. J\u00e1 nas garrafas de vidro, utilizam-se at\u00e9 seis litros de \u00e1gua para cada litro produzido em raz\u00e3o da \u00e1gua necess\u00e1ria para a lavagem das garrafas para serem reutilizadas e dos engradados que as transportam.<\/p>\n<p>Por fim, o consumo. Muitos sentem a diferen\u00e7a de sabor, mas n\u00e3o sabem o motivo. Ele \u00e9 muito superior nas garrafas de vidro. Esta qualidade do refrigerante se d\u00e1 em raz\u00e3o da quantidade de g\u00e1s encontrado na garrafa. Como as garrafas PET possuem paredes porosas e perme\u00e1veis, parte do g\u00e1s se perde junto com o sabor e a consist\u00eancia do refrigerante.<\/p>\n<p>Outro ponto crucial nesta fase \u00e9 o descarte da embalagem. Em termos de reciclagem, ambos s\u00e3o vantajosos. Tanto o vidro quanto o pl\u00e1stico s\u00e3o materiais 100% recicl\u00e1veis. Se considerarmos somente o \u00edndice de reciclagem, segundo dados de 2008 do relat\u00f3rio de Indicadores de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (IDS) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), o campe\u00e3o absoluto da reciclagem no Brasil \u00e9 o alum\u00ednio com 91,5%. Em seguida, v\u00eam as embalagens PET com 54,8%, enquanto as de vidro v\u00eam se mantendo est\u00e1vel nos \u00faltimos anos, com 47% do total em 2008.\u00a0 Apesar da taxa ser aparentemente baixa, o Brasil ocupa o segundo lugar no\u00a0<em>ranking<\/em>\u00a0de pa\u00edses recicladores da garrafa PET, com \u00edndice de 51%, perdendo apenas para o Jap\u00e3o com 55,5%, segundo dados divulgados pelo Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem).<\/p>\n<p>Conclui-se, assim, que 49% das garrafas PET produzidas no pa\u00eds causam impacto ambiental, isto \u00e9, cerca de 200 toneladas de PET\u00b4s anualmente s\u00e3o lan\u00e7adas ao mar, rios, lagos, c\u00f3rregos permanecendo ali por no m\u00ednimo 400 anos at\u00e9 ser decomposta, quando n\u00e3o s\u00e3o ingeridas por animais. Apesar de o vidro demorar 10 vezes mais para se decompor, eles n\u00e3o causam tanto impacto ambiental por terem outro destino.<\/p>\n<p>O impacto da garrafa de vidro \u00e9 menor em raz\u00e3o da log\u00edstica reversa praticada pelas fabricantes de refrigerantes. Elas concedem desconto ao consumidor no ato da compra de um novo produto quando ele retorna com a garrafa em determinados pontos de coleta. Na pr\u00e1tica o consumidor paga originalmente n\u00e3o s\u00f3 pelo conte\u00fado, mas tamb\u00e9m pela embalagem. Ao retornar com a garrafa vazia e comprando um novo produto pagar\u00e1 somente pelo seu conte\u00fado.\u00a0 Este tipo de rela\u00e7\u00e3o \u00e9 bom para todos. O fabricante, o consumidor e o meio ambiente saem ganhando.<\/p>\n<p>Sem d\u00favidas, a retomada das garrafas de vidro pela ind\u00fastria de refrigerantes \u00e9 ben\u00e9fica ao meio ambiente. Contudo, vislumbro outra alternativa. Indicaria como solu\u00e7\u00e3o a garrafa PET retorn\u00e1vel, pois agregaria os melhores valores de cada um dos materiais. Ela seria retorn\u00e1vel, evitando novas produ\u00e7\u00f5es em s\u00e9rie de novas garrafas, seria leve contribuindo para menos emiss\u00f5es de gases efeito estufa no seu transporte e alto \u00edndice de reciclagem para aquelas que n\u00e3o retornassem.<\/p>\n<p><strong>*Jean Marc Sasson \u00e9 advogado com especializa\u00e7\u00e3o em\u00a0<a title=\"gest\u00e3o ambiental\" href=\"http:\/\/www.ambienteenergia.com.br\/index.php\/tag\/gestao-ambiental\">gest\u00e3o ambiental<\/a>\u00a0pela COPPE\/UFRJ e colunista do Portal Ambiente Energia. Ele tamb\u00e9m \u00e9 editor do blog Verdejando (www.verdejeando.blogspot.com)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Ambiente Energia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jean Marc Sasson* &#8211;\u00a0Quando pensamos em embalagem de refrigerantes, o que seria ambientalmente mais correto: a garrafa PET ou a garrafa de vidro. D\u00favidas n\u00e3o faltam. \u00c9 uma quest\u00e3o relativa que merece uma an\u00e1lise mais detalhada e cr\u00edtica. 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