{"id":8242,"date":"2011-09-26T20:37:14","date_gmt":"2011-09-26T23:37:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8242"},"modified":"2011-09-26T20:37:14","modified_gmt":"2011-09-26T23:37:14","slug":"ibama-e-o-abandono-de-quelonios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8242","title":{"rendered":"Ibama e o abandono de quel\u00f4nios"},"content":{"rendered":"<div>Leiliane Marinho &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oecoamazonia.com\/\">http:\/\/www.oecoamazonia.com<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cD\u00e1 pra sentir pelo cheiro\u201d. A insistente fuma\u00e7a do casco sapecado na brasa, forma como \u00e9 preparada a tartaruga-da-amaz\u00f4nia, ainda apreciada no norte do Brasil, denuncia que o n\u00famero de f\u00eameas capturadas no momento da desova em Praia Alta, Rond\u00f4nia, n\u00e3o \u00e9 pequeno. \u201cEst\u00e3o comendo tartaruga como nunca\u201d, conta Eduardo Bissagio, analista ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), em Porto Velho. A captura tem ocorrido por falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e fechamento do escrit\u00f3rio do Ibama justamente na \u00e1rea de um projeto de prote\u00e7\u00e3o de quel\u00f4nios que tinha mais de 30 anos de atividades de sucesso.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"300\" cellspacing=\"5\" cellpadding=\"10\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#cccccc\"><strong>\u00c1rea de abrang\u00eancia do PQA<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de Goi\u00e1s, o Projeto se estende a todos os estados que comp\u00f5em a Amaz\u00f4nia Legal (Acre, Amazonas, Amap\u00e1, Roraima, Rond\u00f4nia, Tocantins, Par\u00e1, Mato Grosso e Maranh\u00e3o). Em 2007 havia cerca de quinze localidades na Bacia Amaz\u00f4nica e do Araguaia onde o PQA mantinha bases. A maior parte, fora de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) Federais. Outros 112 s\u00edtios de reprodu\u00e7\u00e3o fora de UCs enfrentam os mesmos problemas que Praia Alta.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div>Uma das bases do Projeto Quel\u00f4nios da Amaz\u00f4nia (PQA) fica na Praia Alta, rio Guapor\u00e9, fronteira entre Brasil e Bol\u00edvia. Nesta regi\u00e3o h\u00e1 grande concentra\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Podocnemis expansa<\/em>, maior tartaruga de \u00e1gua doce da Am\u00e9rica do Sul \u2013 chega a ter 80 cent\u00edmetros de comprimento e pesar 60 quilos. Existem pelo menos 60 mil f\u00eameas em idade reprodutiva em todo o Brasil. Em 2010, o projeto teve seis mil covas da esp\u00e9cie e, em Praia Alta, 600 mil filhotes foram liberados.<\/p>\n<p>Apesar dos n\u00fameros de outrora, a m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o de recursos j\u00e1 insuficientes resultou na falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e o que se v\u00ea atualmente \u00e9 um festival de ca\u00e7a ilegal a um animal que deveria ser protegido pelo Ibama. \u201cNeste \u00faltimo m\u00eas consumimos todo o dinheiro e tivemos que fazer novo or\u00e7amento. Quatro fiscais e um coordenador j\u00e1 retomaram a fiscaliza\u00e7\u00e3o e est\u00e3o em Praia Alta\u201d, afirma C\u00e9sar Luis Guimar\u00e3es, superintendente do Ibama em Rond\u00f4nia.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table cellspacing=\"5\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div><img loading=\"lazy\" title=\"Clique para ampliar\" src=\"http:\/\/www.oecoamazonia.com\/images\/stories\/Set2011\/PQA_RO.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"495\" \/>Clique para ampliar<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/www.oeco.com.br\/reportagens\/1071-oeco_12079\" target=\"_blank\"><strong>Tartaruga a pr\u00eamio:<\/strong>\u00a0Cortes de verba limitam o manejo e abrem campo para a ca\u00e7a e a cria\u00e7\u00e3o clandestina<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.oeco.com.br\/todos-os-colunistas\/37-reportagens\/1791-oeco_19707\" target=\"_blank\"><strong>Morrendo na praia:<\/strong>\u00a0Sem dinheiro e aten\u00e7\u00e3o do governo, projeto n\u00e3o consegue evitar o sumi\u00e7o dos animais<\/a><\/div>\n<p><strong>\u201cA Deus dar\u00e1\u201d<\/strong><\/p>\n<table width=\"300\" cellspacing=\"5\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div><img loading=\"lazy\" title=\"Mapa de Praia Alta. Imagem: Eduardo L. Bissagio | Clique para ampliar\" src=\"http:\/\/www.oecoamazonia.com\/images\/stories\/Set2011\/Mapa-Praia-Alta.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"350\" \/>Mapa de Praia Alta. Imagem: Eduardo L. Bissagio | Clique para ampliar<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div>A desova de tartarugas tamb\u00e9m enfrenta outro problema: a desativa\u00e7\u00e3o do Escrit\u00f3rio Regional de Costa Marques, do Ibama, parte do projeto onde ocorriam atividades de cunho educativo, como palestras e eventos p\u00fablicos. Devido \u00e0 decis\u00e3o, o local j\u00e1 n\u00e3o conta com museu de educa\u00e7\u00e3o ambiental e tanques para exposi\u00e7\u00e3o de quel\u00f4nios vivos.<\/p>\n<p>Citado em praticamente todos os guias tur\u00edsticos do estado, o escrit\u00f3rio fortaleceu-se como centro de visitantes que recebia pesquisadores e turistas do Brasil e do mundo. Questionado sobre o fechamento do escrit\u00f3rio, C\u00e9sar Luis responde que \u00e9 preciso resolver \u201cpend\u00eancias com servidores\u201d. \u201cPara quem vive de derrotar o meio ambiente ser\u00e1 uma boa fechar o escrit\u00f3rio. Por termos ficado sem fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 se fala no consumo de tartaruga em todo lugar que se anda\u201d, conta Jo\u00e3o Jos\u00e9 da Silva que, aos 50 anos, completou 21 de servi\u00e7o no Ibama de Costa Marques.<\/p>\n<p>Segundo Celso Santos, chefe da Reserva Biol\u00f3gica (REBIO) de Guapor\u00e9, vizinha da \u00e1rea de desova, o fim do escrit\u00f3rio representa queda na fiscaliza\u00e7\u00e3o daquela regi\u00e3o. \u201cNeste ano o Projeto Quel\u00f4nios da Amaz\u00f4nia ficou literalmente \u2018ao Deus dar\u00e1\u2019, abandonado. Ficou um clima de \u2018projeto de ningu\u00e9m\u2019, sem coordena\u00e7\u00e3o ou planejamento de atividades. Chegamos a acreditar que nada seria feito\u201d, desabafa Santos. \u201cPelo menos este ano, gra\u00e7as a alguns servidores idealistas e volunt\u00e1rios, as tartarugas est\u00e3o a salvo de uma destrui\u00e7\u00e3o anunciada\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para Celso Santos, a presen\u00e7a dos \u00f3rg\u00e3os governamentais com compet\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 fraca e minguada. \u201cA Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de realizar um trabalho regular de fiscaliza\u00e7\u00e3o no rio Guapor\u00e9, e se tivesse n\u00e3o sei se o faria, pois se trata de um segmento muito pol\u00edtico e o governo do estado de Rond\u00f4nia nunca teve como uma das suas diretrizes o cuidado com o meio ambiente\u201d, diz.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/www.oeco.com.br\/noticias\/24104-vamos-tomar-sol-diz-a-tartaruga\" target=\"_blank\">\u201cVamos tomar sol\u201d, diz a\u00a0<strong>tartaruga<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oecoamazonia.com\/br\/reportagens\/venezuela\/246-o-mergulho-dos-filhotes-de-tartarugas-arrau\" target=\"_blank\">O mergulho dos filhotes de\u00a0<strong>tartarugas Arrau<\/strong><\/a><\/div>\n<p><strong>O come\u00e7o do problema. \u00c9 ou n\u00e3o prioridade?<\/strong><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table cellspacing=\"5\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div><img loading=\"lazy\" title=\"Praia Alta, RO. Fonte: Google Maps. Clique para ampliar\" src=\"http:\/\/www.oecoamazonia.com\/images\/stories\/Set2011\/Praia%20Alta%20RO.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"266\" \/>Praia Alta, RO. Fonte: Google Maps. Clique para ampliar<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div>2007 tinha tudo para ser tornar um marco positivo para o Projeto, ano que o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) considerou Praia Alta como umas das \u00c1reas Priorit\u00e1rias para Conserva\u00e7\u00e3o, Uso Sustent\u00e1vel e Reparti\u00e7\u00e3o de Benef\u00edcios da Biodiversidade, regi\u00e3o de import\u00e2ncia extremamente alta. Ironicamente, foi justamente a\u00ed que os problemas se agravaram.<\/p>\n<p>\u201cCom a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), as a\u00e7\u00f5es do Projeto pioraram. Verificaram que n\u00e3o se enquadrava nele. Essa discuss\u00e3o de \u2018onde o Projeto deve ficar\u2019 durou tr\u00eas anos. Em mar\u00e7o de 2011 decidiram que deveria retornar para o Ibama. Enquanto isso, as tartarugas passaram a enfrentar muita press\u00e3o de seus predadores humanos\u201d, explica Antonio Pacaya Ihuaraqui, coordenador substituto do projeto e analista ambiental do Ibama. \u201cAssim como ocorre em Praia Alta, h\u00e1 tr\u00eas anos todos os pontos de desova de quel\u00f4nios nos estados do Norte se encontram na mesma situa\u00e7\u00e3o\u201d, explica Pacaya, citando alguns exemplos: Monte Cristo em Santar\u00e9m (PA), Carauari no Amazonas, Afu\u00e1 no Amap\u00e1, Tarauac\u00e1 no Acre e Lagoa da Confus\u00e3o no Tocantins.<\/p>\n<p>Roberto Gallucci, respons\u00e1vel pela biodiversidade aqu\u00e1tica no MMA, n\u00e3o quis se pronunciar sobre o assunto. \u201cEssa quest\u00e3o n\u00e3o chegou at\u00e9 n\u00f3s\u201d, disse.\u201cComo n\u00e3o \u00e9 uma prioridade do governo federal, nunca haver\u00e1 dinheiro para o desenvolvimento de projetos como este. Apesar dos planejamentos, quem sofre corte nos or\u00e7amentos \u00e9 a fauna. Se n\u00f3s t\u00e9cnicos n\u00e3o fossemos perseverantes h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, com certeza os quel\u00f4nios teriam adentrado na lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Pacaya.<\/p>\n<p>Ele explica que o Projeto Quel\u00f4nios da Amaz\u00f4nia\u00a0 deve sofrer algumas mudan\u00e7as. \u201cQueremos que seja modelo de sustentabilidadecom atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental permanente, tecnologias sustent\u00e1veis, articula\u00e7\u00e3o interinstitucional, fiscaliza\u00e7\u00e3o integrada, pesquisa\u201d. Isso se os repasses financeiros e a boa vontade p\u00fablica permitirem a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Sen\u00e3o, a ca\u00e7a ilegal \u00e0s tartarugas poder\u00e1 continuar.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"640\" cellspacing=\"5\" cellpadding=\"10\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#cccccc\"><strong>Fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Quel\u00f4nios comem material vegetal para transform\u00e1-los em fonte de energia para outras esp\u00e9cies, conforme explica Richard Vogt, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA) e diretor geral do Projeto Tartarugas da Amaz\u00f4nia, com sede em Manaus. \u201cUma tartaruga-da-amaz\u00f4nia p\u00f5e em m\u00e9dia de 100 a 150 ovos por ano. Esses ovos rep\u00f5em o meio ambiente com mais tartarugas e servem como fonte de alimento para carn\u00edvoros como aves, botos, jacar\u00e9s, peixes, on\u00e7as\u201d, conta.<\/p>\n<p>A ca\u00e7a ilegal destr\u00f3i o equil\u00edbrio biol\u00f3gico. \u201cSe o homem consome as f\u00eameas em desova, ser\u00e1 preciso esperar pelo menos 12 anos para que os animais sub-adultos atinjam a maturidade. A perda no estoque da popula\u00e7\u00e3o de tartarugas em idade desova s\u00f3 \u00e9 recuperada ap\u00f3s 30 anos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 uma estimativa no n\u00famero de f\u00eameas perdidas este ano em Praia Alta, mas espera-se atraso na desova por conta do movimento de embarca\u00e7\u00f5es, mas devido principalmente ao movimento de ca\u00e7adores. O atraso no nascimento resulta em mortandade de filhotes, que morrem afogados com o aumento do n\u00edvel das \u00e1guas.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leiliane Marinho &#8211;\u00a0http:\/\/www.oecoamazonia.com \u201cD\u00e1 pra sentir pelo cheiro\u201d. 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