{"id":8380,"date":"2011-10-10T09:47:54","date_gmt":"2011-10-10T12:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8380"},"modified":"2011-10-10T09:47:54","modified_gmt":"2011-10-10T12:47:54","slug":"vai-faltar-arvore-no-mercado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8380","title":{"rendered":"Vai faltar \u00e1rvore no mercado?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para especialistas, projetos de compensa\u00e7\u00e3o ambiental no Pa\u00eds podem entrar em crise com a escassez de mudas de esp\u00e9cies nativas<\/strong><\/p>\n<figure style=\"width: 386px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\" \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_950086489587383.jpg\" alt=\"chamada.jpg\" width=\"386\" height=\"242\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cA prioridade \u00e9 para esp\u00e9cies nativas, mas algumas importadas podem ser aceitas\u201d Murilo Bustamante, promotor do Meio Ambiente do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro.(Foto: ISTO\u00c9)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">O cen\u00e1rio n\u00e3o poderia ser mais favor\u00e1vel: h\u00e1 dinheiro, vontade e m\u00e3o de obra capacitada para promover uma grande recupera\u00e7\u00e3o das florestas nativas brasileiras no rastro das ecologicamente corretas compensa\u00e7\u00f5es ambientais. No entanto, especialistas na flora nacional est\u00e3o preocupados, e n\u00e3o otimistas, porque a falta de mat\u00e9ria-prima pode comprometer os projetos de reflorestamento previstos para os pr\u00f3ximos anos no Pa\u00eds. T\u00e9cnicos do governo e produtores que atuam no segmento verde alertam que a produ\u00e7\u00e3o de mudas de esp\u00e9cies brasileiras n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para atender \u00e0 demanda que se desenha. E, na falta de esp\u00e9cies nacionais, as \u00e1rvores ex\u00f3ticas (naturais de outros pa\u00edses) podem ocupar o lugar da flora nacional. \u201cA prioridade nos reflorestamentos \u00e9 para as esp\u00e9cies nativas, mas algumas ex\u00f3ticas podem ser aceitas, caso o plantio seja aprovado pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais\u201d, afirma o promotor Murilo Bustamante, da Promotoria do Meio Ambiente do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro. Se o reflorestamento fosse importante apenas para o controle das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, a origem da \u00e1rvore n\u00e3o interessaria tanto. \u201cEla precisa apenas ter potencial para sequestrar e manter o carbono\u201d, explica o coordenador de recupera\u00e7\u00e3o ambiental do munic\u00edpio do Rio, Marcelo Hudson. \u201cMas, se pensarmos em biodiversidade, temos de obedecer \u00e0s regras da natureza.<\/p>\n<figure style=\"width: 338px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_950103824704266.jpg\" alt=\"img.jpg\" width=\"338\" height=\"400\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">COMPENSA\u00c7\u00c3O Obras da CSA obrigar\u00e3o a companhia a plantar centenas de \u00e1rvores.(Foto: ISTO\u00c9)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">A introdu\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores de outros biomas pode causar dist\u00farbios tanto na fauna quanto no solo do ecossistema\u201d, completa Hudson, que comanda um projeto que em 20 anos plantou cerca de cinco milh\u00f5es de mudas nativas na cidade. A falta de um programa espec\u00edfico para fomentar a produ\u00e7\u00e3o de mudas nativas \u00e9 um dos problemas que vieram \u00e0 tona com a demanda ocasionada pelo aquecimento global. Ecologistas estimam entre 170 milh\u00f5es e 200 milh\u00f5es de hectares a \u00e1rea de florestas destru\u00edda que pode ser recuperada, mas a quantidade de mudas nativas produzidas no Pa\u00eds \u00e9 um mist\u00e9rio.De acordo com o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), do Minist\u00e9rio da Agricultura, existem 3.641 produtores de mudas no Brasil. Entretanto ningu\u00e9m sabe quantos deles se dedicam \u00e0s esp\u00e9cies nacionais. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) tamb\u00e9m n\u00e3o tem dados sobre os que semeiam mudas nativas. Os mais otimistas arriscam o n\u00famero de 15 milh\u00f5es por ano. Como cada hectare comporta entre 800 e 1.200 mudas, o d\u00e9ficit torna-se expressivo. \u201cEntre 60% e 70% dos munic\u00edpios brasileiros s\u00e3o desprovidos de viveiros. E os que existem s\u00e3o dedicados \u00e0 arboriza\u00e7\u00e3o urbana\u201d, adverte o engenheiro florestal Luiz Carlos S\u00e9rvulo de Aquino, do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Entre as grandes obras que v\u00e3o exigir compensa\u00e7\u00f5es ambientais, apenas no Estado do Rio de Janeiro, est\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o do parque industrial da Companhia Sider\u00fargica do Atl\u00e2ntico (CSA), do Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro (Comperj), a implanta\u00e7\u00e3o do trem- bala e o arco rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<figure style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_950117844888854.jpg\" alt=\"img1.jpg\" width=\"265\" height=\"400\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Plantio de Mudas(Foto: ISTO\u00c9)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Os investimentos est\u00e3o na casa dos bilh\u00f5es, sendo que a legisla\u00e7\u00e3o ambiental determina que meio por cento do custo das obras seja aplicado em compensa\u00e7\u00f5es ambientais. \u201cCertamente, teremos um boom de projetos de reflorestamento no Rio e em outros Estados, sem que a produ\u00e7\u00e3o de mudas consiga acompanhar essa demanda\u201d, alerta o engenheiro florestal Marcelo de Carvalho Silva, dono da Biovert, empresa fluminense que produz e comercializa mudas e sementes do sistema vegetal atl\u00e2ntico. Segundo Silva, a Biovert, que tem capacidade de produ\u00e7\u00e3o de at\u00e9 tr\u00eas milh\u00f5es de mudas por ano, est\u00e1 se preparando para dobrar a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 2012 e triplic\u00e1-la at\u00e9 2014, de olho nos reflorestamentos resultantes de compensa\u00e7\u00f5es ambientais. Alguns \u00f3rg\u00e3os do governo anunciam esfor\u00e7os para resolver o problema. Mas as iniciativas ainda s\u00e3o t\u00edmidas e demonstram o descaso com que a flora nativa foi tratada ao longo dos anos. O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, por exemplo, somente agora est\u00e1 elaborando com t\u00e9cnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) uma lista de esp\u00e9cies potencialmente aptas tanto para os plantios imediatos de \u00e1reas degradadas quanto para o aperfei\u00e7oamento das pesquisas.<\/p>\n<figure style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_950095444699234.jpg\" alt=\"G_Reflorestamento.jpg\" width=\"512\" height=\"301\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: ISTO\u00c9<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">V\u00e3o fazer o que foi feito com esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, como pinus e eucalipto (que abastecem o setor de papel e celulose, a siderurgia e a ind\u00fastria moveleira), a partir da d\u00e9cada de 60 e que tornou o Brasil l\u00edder mundial de produtividade e de conhecimento acumulado nesses g\u00eaneros. O chefe do departamento de pol\u00edticas e estudos de meio ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), M\u00e1rcio Macedo, disse que o \u00f3rg\u00e3o tem um leque de op\u00e7\u00f5es de financiamento para recupera\u00e7\u00e3o florestal, mas reconhece que n\u00e3o h\u00e1 linhas de cr\u00e9dito espec\u00edficas para a amplia\u00e7\u00e3o de viveiros de mudas nativas. \u201cCompartilhamos dessa preocupa\u00e7\u00e3o, mas estamos em est\u00e1gio incipiente. Afinal, essa demanda nunca esteve t\u00e3o evidente\u201d, afirma Macedo. Mas a li\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: para recuperar nossas florestas e conservar nosso ecossistema, o mercado de mudas nativas tem de florescer.<\/p>\n<figure style=\"width: 242px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_950127229181693.jpg\" alt=\"img2.jpg\" width=\"242\" height=\"400\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cTeremos um boom de reflorestamento, sem que a produ\u00e7\u00e3o de mudas acompanhe a demanda\u201d Marcelo de Carvalho Silva, engenheiro florestal.(Foto: ISTO\u00c9)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Fonte: Wilson Aquino, ISTO\u00c9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para especialistas, projetos de compensa\u00e7\u00e3o ambiental no Pa\u00eds podem entrar em crise com a escassez de mudas de esp\u00e9cies nativas O cen\u00e1rio n\u00e3o poderia ser mais favor\u00e1vel: h\u00e1 dinheiro, vontade e m\u00e3o de obra capacitada para promover uma grande recupera\u00e7\u00e3o das florestas nativas brasileiras no rastro das ecologicamente corretas compensa\u00e7\u00f5es ambientais. 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