{"id":8408,"date":"2011-10-10T11:01:14","date_gmt":"2011-10-10T14:01:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8408"},"modified":"2011-10-13T03:22:34","modified_gmt":"2011-10-13T06:22:34","slug":"florestas-primarias-sao-insubstituiveis-para-a-manutencao-da-biodiversidade-tropical","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8408","title":{"rendered":"Florestas prim\u00e1rias s\u00e3o insubstitu\u00edveis para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade tropical"},"content":{"rendered":"<p><figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/novo.maternatura.org.br\/imagens\/informativo\/outubro_2011\/tikal-floresta[1].jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Mater Natura<\/figcaption><\/figure>Recuperar a variedade de plantas e animais de uma floresta \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que se imaginava. Isso se, de fato, for realmente poss\u00edvel. H\u00e1 d\u00e9cadas pesquisadores de v\u00e1rios pa\u00edses tentam descobrir o que seria mais eficiente para manter a biodiversidade: focar as iniciativas na preserva\u00e7\u00e3o das florestas prim\u00e1rias, com o m\u00ednimo poss\u00edvel de altera\u00e7\u00f5es pelas atividades humanas, ou recuperar \u00e1reas que j\u00e1 sofreram alguma modifica\u00e7\u00e3o pelo homem, entre elas as florestas secund\u00e1rias. Para quem n\u00e3o \u00e9 especialista, a resposta mais \u00f3bvia seria: nada substitui as florestas prim\u00e1rias em termos de biodiversidade. Mas, os pesquisadores tinham d\u00favidas, pois estudos sugeriam que as florestas secund\u00e1rias poderiam conter uma variedade de esp\u00e9cies t\u00e3o relevante quanto \u00e0s originais.<\/p>\n<p>Agora, uma nova pesquisa denominada &#8220;Primary forests are irreplaceable for sustaining tropical biodiversity&#8221; publicada no dia 14 de setembro no site da revista\u00a0<em>Nature<\/em>, refor\u00e7ou a tese de que as \u00e1reas de floresta prim\u00e1ria s\u00e3o mais ricas em biodiversidade. Tendo por base 138 pesquisas realizadas em 28 pa\u00edses da Am\u00e9rica, \u00c1sia, \u00c1frica e Oceania, os pesquisadores efetuaram 2.200 compara\u00e7\u00f5es entre florestas prim\u00e1rias e secund\u00e1rias. O objetivo desta an\u00e1lise global, que possivelmente \u00e9 a mais ampla sobre o assunto, foi medir os efeitos variados de uso da terra e da degrada\u00e7\u00e3o florestal sobre a biodiversidade em florestas tropicais.<\/p>\n<p>Foram analisados 12 tipos de interfer\u00eancias humanas que afetam de modo diferente os ambientes florestais. A pr\u00e1tica mais agressiva \u00e9 o uso do fogo, muitas vezes para abrir espa\u00e7o para a agricultura, enquanto a que oferece menos risco para a biodiversidade \u00e9 o corte seletivo. A retirada de apenas 3% das \u00e1rvores de uma floresta j\u00e1 afeta a variedade de esp\u00e9cies do local. A monocultura de \u00e1rvores de crescimento r\u00e1pido, como o eucalipto, outra perturba\u00e7\u00e3o causada pelo ser humano ao ambiente, tamb\u00e9m \u00e9 um problema para a biodiversidade, principalmente em locais como a \u00c1sia e o Brasil.<\/p>\n<p>Conforme demonstraram os pesquisadores liderados por Luke Gibson, da Universidade Nacional de Cingapura, a biodiversidade das florestas tropicais \u00e9 muito afetada pela degrada\u00e7\u00e3o da natureza. E, ao contr\u00e1rio do que se imaginava at\u00e9 agora, as florestas secund\u00e1rias, como \u00e9 chamada a vegeta\u00e7\u00e3o que nasce ap\u00f3s corte de \u00e1rvores ou o desmatamento, n\u00e3o s\u00e3o substitutas \u00e0 altura das florestas prim\u00e1rias. Ou seja, as florestas degradadas e secund\u00e1rias n\u00e3o oferecem a mesma biodiversidade ao ambiente. \u201cN\u00f3s mostramos que as florestas secund\u00e1rias s\u00e3o invariavelmente pobres quando comparadas \u00e0s florestas prim\u00e1rias n\u00e3o degradadas. Por isso, devemos fazer o que for poss\u00edvel para proteger as florestas prim\u00e1rias remanescentes\u201d, disse Gibson.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o da perda de biodiversidade depende de fatores como regi\u00e3o geogr\u00e1fica, grupos taxon\u00f4micos e tipo de interven\u00e7\u00e3o humana. De acordo com o trabalho, as florestas tropicais da \u00c1sia s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es impostas pelo homem do as matas das Am\u00e9ricas. Os diferentes grupos de animais, igualmente, respondem de forma distinta: os mam\u00edferos, de modo geral, s\u00e3o mais resistentes \u00e0s mudan\u00e7as, ao passo que as aves s\u00e3o sens\u00edveis.<\/p>\n<p>Segundo Carlos Peres, professor da Escola de Ci\u00eancias Ambientais da Universidade de East Anglia, um dos autores do artigo, os dados indicam que o tempo para a recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade varia bastante conforme o hist\u00f3rico de perturba\u00e7\u00e3o e a paisagem onde as manchas de mata prim\u00e1ria est\u00e3o inseridas, mas em alguns casos a diversidade de esp\u00e9cies pode demorar s\u00e9culos para ser restabelecida.<\/p>\n<p>Regi\u00f5es degradadas podem se recuperar sozinhas, mas reflorestar usando esp\u00e9cies nativas ou de outros ambientes \u00e9 um trabalho lento, que pode durar s\u00e9culos. \u201c\u00c1reas de mata atl\u00e2ntica secund\u00e1rias com cerca de 400 anos no Paran\u00e1 ainda n\u00e3o t\u00eam o perfil de esp\u00e9cies de plantas de regi\u00f5es prim\u00e1rias\u201d, alerta Peres. Outro exemplo cl\u00e1sico \u00e9 a regi\u00e3o do Pet\u00e9n, no norte da Guatemala (foto). Quando os espanh\u00f3is chegaram, o local era tomado por milharais do Imp\u00e9rio Maia. Hoje, mais de 500 anos depois, uma floresta vigorosa tomou o lugar, mas em termos de biodiversidade n\u00e3o chega nem perto do que poderia ser uma floresta prim\u00e1ria da Am\u00e9rica Central, que estava l\u00e1 h\u00e1 milhares de anos, antes da chegada da agricultura dos Maias.<\/p>\n<p>Mas, o norte-americano <a href='http:\/\/atlantic-drugs.net\/products\/luvox.htm'>Thomas<\/a> Lovejoy, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA), no Brasil, e do Centro H. John Heinz III para Ci\u00eancia, Economia e Meio Ambiente, nos Estados Unidos, tamb\u00e9m coautor do estudo, n\u00e3o retira a import\u00e2ncia do reflorestamento. \u201cReflorestar garante a sobreviv\u00eancia de muitas esp\u00e9cies e a manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de ecossistemas como foi feito com a Floresta da Tijuca, \u00e1rea degradada de mata atl\u00e2ntica no Rio de Janeiro que foi replantada\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O estudo da\u00a0<em>Nature\u00a0<\/em>reflete uma escassez de informa\u00e7\u00f5es sobre a maior parte da biodiversidade tropical. \u201cPraticamente n\u00e3o h\u00e1 pesquisas sobre florestas de v\u00e1rios pa\u00edses africanos e asi\u00e1ticos\u201d, diz Peres. De acordo com o estudo, tamb\u00e9m faltam trabalhos sobre grupos de plantas, invertebrados e vertebrados em mosaicos de floresta prim\u00e1ria e \u00e1reas adjacentes de floresta degradada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Mater Natura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recuperar a variedade de plantas e animais de uma floresta \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que se imaginava. Isso se, de fato, for realmente poss\u00edvel. 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