{"id":8577,"date":"2011-10-26T13:43:48","date_gmt":"2011-10-26T16:43:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8577"},"modified":"2011-10-26T13:43:48","modified_gmt":"2011-10-26T16:43:48","slug":"biodiesel-de-algas-promessa-ou-futuro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8577","title":{"rendered":"Biodiesel de Algas: Promessa ou Futuro?"},"content":{"rendered":"<p>Confira o editorial do Journal of the Brazilian Chemical Society.<\/p>\n<p>A demanda crescente por combust\u00edveis &#8220;verdes&#8221; para a substitui\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis levou, em todo o mundo, ao lan\u00e7amento de programas para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis. O governo brasileiro, ao lan\u00e7ar primeiro o programa do \u00e1lcool e depois o do biodiesel, saiu na frente nessa corrida. Hoje, no Brasil, \u00e9 obrigat\u00f3ria a adi\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool \u00e0 gasolina (em teor que varia de 20 a 25% de acordo com a oferta de etanol anidro no mercado) e de biodiesel ao diesel (com teor fixo de 5%)\u00b9. Para atender a demanda anual por mais de 40 bilh\u00f5es de litros da mistura diesel\/biodiesel, a produ\u00e7\u00e3o desse biocombust\u00edvel no Brasil j\u00e1 passou de 2 bilh\u00f5es de litros ao ano, com uma forte tend\u00eancia de aumento para conseguir acompanhar o crescente consumo da mistura diesel\/biodiesel, que hoje cresce a uma taxa de quase 1% ao m\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vantagem dos biocombust\u00edveis em rela\u00e7\u00e3o aos combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de CO2, SOx, fuligem e hidrocarbonetos. No entanto, se por um lado os biocombust\u00edveis s\u00e3o menos poluidores, por outro a sua produ\u00e7\u00e3o exige grandes \u00e1reas de terras agricult\u00e1veis. Como a demanda por combust\u00edveis para transporte aumenta anualmente, a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis exigir\u00e1 cada vez mais terras ar\u00e1veis, e isso come\u00e7a a amea\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar, porque produzir mais \u00e1lcool significa produzir menos a\u00e7\u00facar, e tamb\u00e9m porque, no Brasil, a maior parte do biodiesel \u00e9 feita a partir do \u00f3leo de soja. Para que esse problema n\u00e3o se agrave, ser\u00e1 necess\u00e1rio desenvolver novas tecnologias e, principalmente, passar a usar res\u00edduos urbanos, industriais e agr\u00edcolas, al\u00e9m de novas fontes de biomassa como mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis\u00b2.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre as muitas alternativas de produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis, o cultivo intensivo de algas e fungos vem recebendo especial aten\u00e7\u00e3o devido \u00e0 possibilidade de se produzir at\u00e9 200 vezes mais \u00f3leo ou a\u00e7\u00facar por hectare, sem a necessidade do uso de terras f\u00e9rteis.<\/p>\n<p>Tanto as algas como os fungos podem ser colhidos em poucos dias, o que n\u00e3o exige infraestrutura para armazenamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse fato levou pequenas e grandes empresas e muitos acad\u00eamicos, em todo o mundo, a investirem recursos e muito tempo \u00e0s pesquisas com algas como fonte de \u00f3leo e a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Os resultados alcan\u00e7ados, em pequena escala de laborat\u00f3rio, s\u00e3o animadores. Entretanto, todas as experi\u00eancias com algas, em grande escala, para a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo visando a biocombust\u00edveis falharam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As principais raz\u00f5es dessas falhas foram:<\/p>\n<p>1 &#8211; ataque de cepas selvagens n\u00e3o produtoras de \u00f3leo;<\/p>\n<p>2 &#8211; pre\u00e7o alto dos nutrientes;<\/p>\n<p>3 &#8211; o \u00f3leo obtido geralmente tem alto teor de \u00e1cidos graxos livres e elevado \u00edndice de iodo;<\/p>\n<p>4 &#8211; dificuldades em se desidratar a alga para extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo;<\/p>\n<p>5 &#8211; controle dif\u00edcil dos par\u00e2metros acidez, temperatura e nutrientes para evitar quedas bruscas na produ\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo a extin\u00e7\u00e3o dos cultivares das algas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como a tecnologia para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel foi toda desenvolvida com base em catalisadores b\u00e1sicos\u00b3 o alto teor de \u00e1cidos graxos no \u00f3leo obtido de algas encarece o seu processo de produ\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o necess\u00e1rias onerosas etapas pr\u00e9vias de purifica\u00e7\u00e3o. Esse problema \u00e9 agravado pelo alto grau de insatura\u00e7\u00e3o do \u00f3leo que, por isso, \u00e9 muito sens\u00edvel \u00e0 oxida\u00e7\u00e3o, sendo necess\u00e1ria a modifica\u00e7\u00e3o do \u00f3leo antes de seu processamento ou o uso de aditivos antioxidantes. Em consequ\u00eancia, o custo de produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo a partir de algas \u00e9 hoje cerca de 20 vezes superior, por exemplo, ao do \u00f3leo de soja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As algas t\u00eam grande potencial como futura fonte de mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel. Entretanto, para que esse futuro se torne realidade, \u00e9 necess\u00e1rio que se encontre condi\u00e7\u00f5es adequadas para seu crescimento em grande escala, para que a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo seja vi\u00e1vel economicamente. At\u00e9 que isso aconte\u00e7a, a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel a partir de algas deve ser encarada como uma solu\u00e7\u00e3o de longo prazo. \u00c9 por essas e outras raz\u00f5es que grandes empresas anunciaram recentemente que v\u00e3o interromper suas pesquisas neste campo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel a partir de algas depende fortemente da pesquisa fundamental e de desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Se as ag\u00eancias de fomento tiverem linhas de financiamento para estudos com algas para a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo, o Brasil poder\u00e1 ganhar mais essa corrida dos biocombust\u00edveis e come\u00e7ar, talvez, o que se pode chamar de uma segunda &#8220;revolu\u00e7\u00e3o verde&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os programas do \u00e1lcool e do biodiesel, al\u00e9m dos dividendos econ\u00f4micos que renderam ao Pa\u00eds, serviram para mostrar que sempre que h\u00e1 financiamento, os pesquisadores brasileiros se destacam no cen\u00e1rio internacional. O melhor exemplo \u00e9 a lideran\u00e7a brasileira no ranking mundial das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas envolvendo estudos sobre biodiesel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>1. Pousa, G.P.A.G.; Santos, A.L.F.;Suarez, P.A.Z.; Energy Policy 2007, 35, 5393.<\/p>\n<p>2. Suarez, P.A.Z.; Santos A.L.F.; Rodrigues J.P.; Alves, M. B.; Quim. Nova 2009, 32, 768.<\/p>\n<p>3. Pinto, A. C.; Guarieiro, L. L. N.; Rezende, M. J. C.; Ribeiro, N. M.; Torres, E. A.; Lopes, W. A.; Pereira, P. A. P; de Andrade, J. B.; J. Braz. Chem. Soc. 2005, 16, 1313.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Editorial assinado pelos professores Paulo A. Z. Suarez (Universidade de Bras\u00edlia) e Angelo C. Pinto (Universidade Federal do Rio de Janeiro e Editor JBCS).<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira o editorial do Journal of the Brazilian Chemical Society. A demanda crescente por combust\u00edveis &#8220;verdes&#8221; para a substitui\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis levou, em todo o mundo, ao lan\u00e7amento de programas para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis. 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