{"id":8747,"date":"2011-11-14T08:50:35","date_gmt":"2011-11-14T11:50:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8747"},"modified":"2011-11-14T08:50:35","modified_gmt":"2011-11-14T11:50:35","slug":"negocios-e-pesquisa-em-energia-eolica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8747","title":{"rendered":"Neg\u00f3cios e pesquisa em energia e\u00f3lica no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Artigo de Alexandre Street, Delberis Lima e Bruno F\u00e2nzeres no Valor Econ\u00f4mico de sexta-feira (11).<\/p>\n<p>No Brasil, as tr\u00eas principais fontes alternativas de energia el\u00e9trica s\u00e3o as pequenas centrais hidrel\u00e9tricas (PCHs), a cogera\u00e7\u00e3o com biomassa derivada do baga\u00e7o da cana e a e\u00f3lica, que h\u00e1 pouco ressurgiu com um forte papel. Elas s\u00e3o denominadas alternativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s principais fontes convencionalmente utilizadas &#8211; as grandes usinas hidrel\u00e9tricas e termel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Investir em fontes alternativas \u00e9 positivo pois implica aumentar a diversidade da matriz energ\u00e9tica brasileira. Ademais, tais fontes de energia tamb\u00e9m recebem o valioso sobrenome renov\u00e1vel, especialmente positivo por aproveitar os recursos naturais que podem ser renovados pela pr\u00f3pria natureza no curto prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre 2005 e 2010, foram realizados 14 leil\u00f5es destinados \u00e0 compra de contratos oriundos de novos empreendimentos de gera\u00e7\u00e3o. Dos 18.500 megawatts m\u00e9dios (MWmed) negociados, 3.500 (19%) eram provenientes de fontes alternativas renov\u00e1veis: 1% de PCHs, 9% de e\u00f3licas e 9% de biomassa da cana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, esse montante contratado de energia e\u00f3lica \u00e9 proveniente sobretudo dos leil\u00f5es realizados em 2009 e 2010, quando foram negociados 780 MWmed a um pre\u00e7o m\u00e9dio de R$ 148,39\/MWh, e 1.160 MWmed, a R$ 130,86\/MWh. Esse resultado positivo seguiu sendo observado nos leil\u00f5es A-3 e de reserva deste ano, quando as e\u00f3licas surpreenderam o mercado movimentando quase 2.300 MWmed a um pre\u00e7o m\u00e9dio inferior a 100 R$\/MWh.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dois principais fatores para o avan\u00e7o significativo do interesse pela energia e\u00f3lica s\u00e3o: 1) a crise mundial, que tornou o Brasil a v\u00e1lvula de escape dos fabricantes do mundo todo, aumentando o poder de negocia\u00e7\u00e3o dos nossos investidores, o que faz o pre\u00e7o dos equipamentos ca\u00edrem; e 2) recentes ajustes regulat\u00f3rios, como incentivos fiscais e desenhos de contratos espec\u00edficos para essa fonte, feitos para mitigar os riscos dos investidores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, contratos com cl\u00e1usulas especiais foram utilizados a fim de mitigar o risco financeiro decorrente da grande incerteza e sazonalidade do insumo vento. Al\u00e9m disso, foi criada uma cl\u00e1usula que trata da necessidade de comprar o montante contratado e n\u00e3o produzido ao pre\u00e7o de curto prazo, o temido pre\u00e7o de liquida\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as (PLD).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os geradores temem vender energia ao PLD, pois este \u00e9 muito vol\u00e1til, podendo chegar a valer at\u00e9 seis vezes o pre\u00e7o do contrato em tempos de crise, causando, nessas situa\u00e7\u00f5es, uma grande perda financeira ao gerador que contratou de mais e produziu de menos. Por outro lado, na maior parte do tempo existe excesso de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios. Isso proporciona um PLD, que no Brasil \u00e9 calculado como o custo de oportunidade do uso da \u00e1gua, muito baixo. Assim, vender energia sem um contrato, ao PLD, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 boa ideia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentre as mudan\u00e7as realizadas no contrato padr\u00e3o, o chamado contrato de quantidade, est\u00e1 a possibilidade de comprar a diferen\u00e7a entre o contratado e o produzido ao pre\u00e7o do pr\u00f3prio contrato. Todos esses ajustes acarretaram em um ambiente menos arriscado aos investidores e impulsionaram a viabiliza\u00e7\u00e3o dessa fonte no ambiente de contrata\u00e7\u00e3o regulado (ACR), onde os geradores vendem contratos para as distribuidoras atrav\u00e9s de leil\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, existe outro mercado em que a e\u00f3lica ainda n\u00e3o conseguiu se firmar: o ambiente de contrata\u00e7\u00e3o livre (ACL). O ACL \u00e9 um mercado do tipo balc\u00e3o, onde contratos bilaterais s\u00e3o livremente negociados entre geradores e grandes consumidores como shoppings, supermercados e ind\u00fastrias. A\u00ed s\u00e3o negociados contratos de quantidade, sem o al\u00edvio da cl\u00e1usula que obriga o gerador a comprar, a PLD, o d\u00e9ficit de produ\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao montante contratado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A dificuldade que as e\u00f3licas sofrem no ACL n\u00e3o \u00e9 exclusiva a essa fonte. As PCHs, com a altern\u00e2ncia entre per\u00edodos secos e \u00famidos, e as usinas a biomassa, que produzem energia em fun\u00e7\u00e3o da safra da cana, tamb\u00e9m sofrem com a sazonalidade dos seus recursos e enfrentam os mesmos desafios ao vender contratos de quantidade nesse ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o termina a\u00ed. O regime sazonal dos recursos, tanto da biomassa quanto da e\u00f3lica, \u00e9 fortemente complementar ao regime das hidrel\u00e9tricas. No per\u00edodo de seca dos rios do Sudeste \u00e9 quando venta no Nordeste e quando as usinas a biomassa do Sudeste e Centro-Oeste est\u00e3o a todo vapor devido \u00e0 safra da cana; a situa\u00e7\u00e3o se inverte na outra metade do ano, no per\u00edodo \u00famido das hidrel\u00e9tricas. Assim, a complementaridade entre os recursos renov\u00e1veis aponta para uma nova possibilidade de neg\u00f3cio em um ambiente com grande crescimento e muito rent\u00e1vel, o ACL.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda como uma pr\u00e1tica incipiente, comercializadoras e grandes holdings de gera\u00e7\u00e3o come\u00e7am a criar carteiras otimizadas dessas fontes renov\u00e1veis para revend\u00ea-las conjuntamente, mitigando o elevado risco financeiro de cada fonte. Esse movimento \u00e9 apenas uma vertente de um conjunto de pesquisas que est\u00e3o sendo realizadas neste momento pelos investidores atrav\u00e9s de universidades e empresas de consultoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos outros desafios ainda devem ser vencidos para consolidar e atrair de modo sustent\u00e1vel o investimento em geradores e\u00f3licos no Brasil. Por exemplo: desafios regulat\u00f3rios, como o desenho de leil\u00f5es e a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de troca de energia entre as usinas para mitigar a incerteza na gera\u00e7\u00e3o; desafios no \u00e2mbito el\u00e9trico, como o dimensionamento das redes para receber uma inje\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia vari\u00e1vel ao sabor dos ventos; climatol\u00f3gico\/estat\u00edsticos, como a previs\u00e3o, certifica\u00e7\u00e3o e simula\u00e7\u00e3o das velocidades dos ventos; e tecnol\u00f3gicos, como a tropicaliza\u00e7\u00e3o dos equipamentos para que se adaptem \u00e0 realidade nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses temas fazem parte de uma ampla \u00e1rea de pesquisa em que grupos isolados come\u00e7am a atuar. Contudo, a cria\u00e7\u00e3o de uma rede de pesquisa nacional, que gerencie de maneira coordenada e sin\u00e9rgica a pesquisa de temas estrat\u00e9gicos para o segmento, \u00e9 a principal arma para aproveitar e manter aberta a janela \u00fanica de oportunidade que o Brasil vive: alto poder de negocia\u00e7\u00e3o com os fornecedores e interesse das entidades reguladoras em desenvolver o segmento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alexandre Street e Delberis Lima s\u00e3o professores do Departamento de Engenharia El\u00e9trica do CTC\/PUC-Rio. Bruno F\u00e2nzeres \u00e9 aluno de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do CTC\/PUC-Rio.]<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Alexandre Street, Delberis Lima e Bruno F\u00e2nzeres no Valor Econ\u00f4mico de sexta-feira (11). 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