{"id":8805,"date":"2011-11-23T10:49:13","date_gmt":"2011-11-23T13:49:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8805"},"modified":"2011-11-23T10:49:13","modified_gmt":"2011-11-23T13:49:13","slug":"recuperacao-de-areas-de-preservacao-permanente-divide-opinioes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8805","title":{"rendered":"Recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente divide opini\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong>As APPs s\u00e3o locais fr\u00e1geis \u00e0 beira de rios, topos de morros e encostas, que devem ter a vegeta\u00e7\u00e3o original protegida porque s\u00e3o fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e controle da eros\u00e3o do solo.<\/strong><\/p>\n<p>Onde hoje se v\u00ea mata fechada, s\u00f3 havia cana-de-a\u00e7\u00facar dez anos atr\u00e1s. Em uma fazenda foram plantadas quase um milh\u00e3o de mudas de \u00e1rvores para recuperar as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>APPs s\u00e3o locais fr\u00e1geis \u00e0 beira de rios, topos de morros e encostas, que devem ter a vegeta\u00e7\u00e3o original protegida porque s\u00e3o fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e controle da eros\u00e3o do solo.<\/p>\n<p>Uma usina perdeu \u00e1rea de plantio de cana, mas conquistou o certificado de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, valorizando a empresa no mercado internacional. \u201cGanhamos na exporta\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool e de a\u00e7\u00facar. O pessoal l\u00e1 de fora quer saber se est\u00e1 fazendo preserva\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Ricardo Ometto.<\/p>\n<p>Em Iracem\u00e1polis, no interior de S\u00e3o Paulo, o desrespeito \u00e0 APP deixou a represa que abastece o munic\u00edpio desprotegida. Resultado: em 1985, a cidade ficou sem \u00e1gua. A \u00e1rea precisou ser recuperada em regime de urg\u00eancia.<\/p>\n<p>O plantio da cana-de-a\u00e7\u00facar que ia at\u00e9 a beira da represa teve que recuar 100 metros. No local, foram plantadas \u00e1rvores nativas. Nunca mais Iracem\u00e1polis teve problema de abastecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Iracem\u00e1polis e a usina de cana s\u00e3o dois exemplos dos benef\u00edcios e da necessidade de se cuidar bem das APPs. O projeto do novo C\u00f3digo Florestal saiu da C\u00e2mara sem garantias de recupera\u00e7\u00e3o das APPs desmatadas antes de julho de 2008.<\/p>\n<p>No Senado, a proposta evoluiu para assegurar que deve ser de 15 metros a faixa m\u00ednima de vegeta\u00e7\u00e3o a ser recuperada \u00e0s margens dos rios com at\u00e9 dez metros de largura. E os conselhos estaduais de meio ambiente ganham poder para ampliar a faixa de recupera\u00e7\u00e3o da mata ciliar, de acordo com as necessidades de cada \u00e1rea. No caso dos rios mais largos, pode chegar a 100 metros de extens\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCabe \u00e0 Uni\u00e3o Federal o estabelecimento de regras gerais para o pa\u00eds inteiro, mas o nosso pa\u00eds \u00e9 um continente. Precisamos chamar os estados \u00e0 responsabilidade de nos ajudar a fazer essa harmonia entre produ\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente\u201d, afirmou o senador Jorge Viana (PT-AC), relator.<\/p>\n<p>Uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es dos ambientalistas e da comunidade cient\u00edfica \u00e9 garantir no C\u00f3digo Florestal a preserva\u00e7\u00e3o das nascentes e c\u00f3rregos intermitentes que fornecem \u00e1gua apenas durante uma parte do ano, mas que s\u00e3o fundamentais para o equil\u00edbrio do meio ambiente.<\/p>\n<p>O texto em debate no Senado ainda n\u00e3o garante a preserva\u00e7\u00e3o das nascentes. Os ambientalistas v\u00e3o apresentar uma emenda para resolver o problema. \u201cA ideia \u00e9 que se tenha um m\u00ednimo de 30 metros para as nascentes, os olhos d\u2019\u00e1gua e demais rios. Isso \u00e9 importante porque, como est\u00e1 previsto na regra que veio da C\u00e2mara, nascentes e os olhos d\u2019\u00e1gua n\u00e3o teriam qualquer tipo de recupera\u00e7\u00e3o. O seria um absurdo porque \u00e9 dali que nascem os rios\u201d, explica Tasso Azevedo, ex-diretor do Servi\u00e7o Florestal Brasileiro.<\/p>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura (CNA) resiste \u00e0 mudan\u00e7a, porque diz que ela atingiria pequenos e m\u00e9dios produtores. \u201cAcho que seria interessante, por exemplo, excluirmos o plantio extensivo de milho, de algod\u00e3o, de soja e abrir m\u00e3o apenas para os pequenos e m\u00e9dios agricultores que t\u00eam uma pequena ro\u00e7a, uma pequena horta e uma pequena pastagem, uma campineira para seu gado de leite\u201d, diz a senadora K\u00e1tia Abreu, presidente do CNA.<\/p>\n<p>Os ruralistas tamb\u00e9m n\u00e3o aceitam a retirada do gado das encostas dos morros, um ponto defendido pelos ambientalistas. \u201cGado e APP s\u00e3o duas coisas que se pudessem ser evitadas seria extremamente importante. O casco do gado gera um peso muito grande. Em geral, gera eros\u00e3o, al\u00e9m de contaminar a \u00e1gua\u201d, alerta Eduardo Martins, ex-presidente do Ibama.<\/p>\n<p>A pecu\u00e1ria \u00e9 o principal uso da terra no Brasil. S\u00e3o 200 milh\u00f5es de hectares de pastagem. A agricultura ocupa 65 milh\u00f5es de hectares. A longo prazo, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a produtividade da pecu\u00e1ria, inferior a uma cabe\u00e7a de gado por hectare. Nas APPs \u00e0 beira de rios, muitas \u00e1reas hoje ocupadas pelo gado poderiam ser restauradas sem grandes investimentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro anos, toda a \u00e1rea de uma propriedade era ocupada pelo pasto. Bastou tirar o gado para ver que as \u00e1rvores cresceram naturalmente. A t\u00e9cnica pode ser aplicada com sucesso em 80% do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cIsso acontece na Amaz\u00f4nia, no Brasil central com os cerrados e em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. S\u00f3 20% delas que foram muito degradadas historicamente \u00e9 que, efetivamente, v\u00e3o precisar de um investimento maior com o plantio de mudas\u201d, explica Ricardo Rodrigues, professor \u2013 Esalq &#8211; USP.<\/p>\n<p>Click e veja o v\u00eddeo:\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2011\/11\/recuperacao-de-areas-de-preservacao-permanente-divide-opinioes.html\">http:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2011\/11\/recuperacao-de-areas-de-preservacao-permanente-divide-opinioes.html<\/a><\/p>\n<p>Fonte: G1, Jornal Nacional<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As APPs s\u00e3o locais fr\u00e1geis \u00e0 beira de rios, topos de morros e encostas, que devem ter a vegeta\u00e7\u00e3o original protegida porque s\u00e3o fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e controle da eros\u00e3o do solo. Onde hoje se v\u00ea mata fechada, s\u00f3 havia cana-de-a\u00e7\u00facar dez anos atr\u00e1s. 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