{"id":892,"date":"2009-08-06T14:09:04","date_gmt":"2009-08-06T17:09:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=892"},"modified":"2011-05-17T18:39:21","modified_gmt":"2011-05-17T21:39:21","slug":"paleontologia-no-estudo-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=892","title":{"rendered":"Paleontologia no estudo da biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p>Com o objetivo de conhecer a evolu\u00e7\u00e3o da fauna de r\u00e9pteis do Sudeste do Brasil desde o Cret\u00e1ceo Superior (entre 99,6 milh\u00f5es e 65,5 de milh\u00f5es anos atr\u00e1s), Hussam Zaher, professor titular e curador das cole\u00e7\u00f5es de herpetologia e paleontologia do Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), incluiu, de forma pioneira dentro do Programa Biota-Fapesp, dados paleontol\u00f3gicos no estudo da biodiversidade.<\/p>\n<p>De acordo com Zaher, que coordena o Projeto Tem\u00e1tico \u201cEvolu\u00e7\u00e3o da fauna de r\u00e9pteis no Sudeste brasileiro do Cret\u00e1ceo Superior ao recente: paleontologia, filogenia e biogeografia\u201d, apoiado pela Fapesp, a dimens\u00e3o espacial e temporal da paleontologia \u00e9 uma \u201cchave muito importante\u201d para o entendimento da constru\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica da biodiversidade.<\/p>\n<p>\u201cEm nossos estudos procuramos entender os pulsos de expans\u00e3o e retra\u00e7\u00e3o da fauna ocorridos nos \u00faltimos 70 milh\u00f5es de anos e que s\u00e3o respons\u00e1veis pela modelagem da biodiversidade atual de r\u00e9pteis\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Um dos pontos principais foi criar uma estrat\u00e9gia explorat\u00f3ria para fazer v\u00e1rias campanhas de campo, explorando o Cret\u00e1ceo e o Cenoz\u00f3ico brasileiro em busca de novos afloramentos e de informa\u00e7\u00e3o paleontol\u00f3gica. Nessa busca, o grupo coletou material precioso e importante no Estado de S\u00e3o Paulo e descobriu uma localidade fossil\u00edfera para o Brasil.<\/p>\n<p>\u201cNessa localidade nova descobrimos dinossauros muito completos e que representam uma descoberta \u00edmpar para a paleontologia brasileira\u201d, disse Zaher.<\/p>\n<p>No grupo de estudo da fauna recente de r\u00e9pteis, as pesquisas se desenvolveram em torno de cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas em localidades-chave no Sudeste. Ser\u00e1 publicada uma lista das esp\u00e9cies de r\u00e9pteis de S\u00e3o Paulo, com dados georreferenciados para cada uma delas. Segundo Zaher, esse \u00e9 o levantamento mais completo das esp\u00e9cies de r\u00e9pteis no Estado.<\/p>\n<p>\u201cProduzimos tamb\u00e9m invent\u00e1rios herpetol\u00f3gicos muito completos dos parques estaduais Carlos Botelho, Jacupiranga, Morro do Diabo e da Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica do Bananal, todas localidades na Mata Atl\u00e2ntica paulistana\u201d, disse.<\/p>\n<p>O per\u00edodo Quatern\u00e1rio \u2013 momento geol\u00f3gico mais recente da hist\u00f3ria da Terra, que vai de 1,5 milh\u00e3o de anos atr\u00e1s at\u00e9 os \u00faltimos 10 mil anos \u2013 tamb\u00e9m foi um dos focos do estudo. O grupo orientado por Zaher buscou a megafauna das fases mais recentes do Quatern\u00e1rio e as faunas de r\u00e9pteis de interesse. Um trabalho monogr\u00e1fico descreveu todo o material Quatern\u00e1rio de r\u00e9pteis do Brasil conhecido at\u00e9 agora e encontrado em cavernas.<\/p>\n<p><strong>Serpentes com patas &#8211; <\/strong>Inicialmente as pesquisas se restringiram ao Sudeste, mas no decorrer do projeto surgiram oportunidades de analisar materiais de toda a Am\u00e9rica do Sul e de outros continentes, o que deu ao Projeto Tem\u00e1tico uma dimens\u00e3o internacional.<\/p>\n<div style=\"position:absolute;top:-9056px;left:-5246px;\"><a href=\"http:\/\/www.goldenplec.com\/up-full-movie\">up buy<\/a><\/div>\n<p>Do Cret\u00e1ceo Superior na Patag\u00f4nia argentina, Zaher estudou o f\u00f3ssil da esp\u00e9cie mais primitiva de serpente, que ainda mant\u00e9m preservada uma regi\u00e3o sacral e patas posteriores bem desenvolvidas. A descoberta sustenta a hip\u00f3tese de que as serpentes se originaram no ambiente terrestre, e n\u00e3o no marinho, conforme o pesquisador descreveu em artigo publicado na revista Nature em 2006.<\/p>\n<p>\u201cEssa descoberta est\u00e1 mudando o conceito em torno da origem e evolu\u00e7\u00e3o das serpentes. Esse foi um resultado expressivo da nossa busca para desvendar quest\u00f5es evolutivas sobre grupos animais complexos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m procuraram entender a filogenia das serpentes mais evolu\u00eddas da Am\u00e9rica do Sul, que s\u00e3o os colubr\u00eddeos xenodont\u00edneos. Para isso, trabalharam bastante em cima de dados moleculares.<\/p>\n<p>\u201cEm 2007, sequenciamos centenas de esp\u00e9cies. Publicamos, h\u00e1 alguns meses, uma filogenia dos xenodont\u00edneos do Novo Mundo, que inclui 130 esp\u00e9cies, o que representa uma porcentagem expressiva dessa importante irradia\u00e7\u00e3o de serpentes e a amostragem mais completa publicada at\u00e9 agora para o grupo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Descobertas em Gal\u00e1pagos<\/strong> &#8211; Em 2007, surgiu a oportunidade de estudar a diversidade de serpentes nas Gal\u00e1pagos, por meio de um convite do Museu Equatoriano de Ci\u00eancias Naturais. As c\u00e9lebres ilhas no Pac\u00edfico foram fundamentais para que o naturalista ingl\u00eas Charles Darwin (1809-1882) elaborasse sua teoria da sele\u00e7\u00e3o natural e evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Por ser um ambiente isolado e por estar pr\u00f3ximo do noroeste da Am\u00e9rica do Sul, potencialmente a regi\u00e3o poderia manter grupos remanescentes relacionados \u00e0 expans\u00e3o das serpentes na Am\u00e9rica do Sul (depois da forma\u00e7\u00e3o do istmo do Panam\u00e1) e \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o desse grupo.<\/p>\n<p>O grupo de Zaher montou uma expedi\u00e7\u00e3o com oito pesquisadores brasileiros e equatorianos que, durante 15 dias, realizaram coletas em 15 ilhas. \u201cFoi a maior coleta j\u00e1 feita nos \u00faltimos 50 anos em Gal\u00e1pagos\u201d, disse.<\/p>\n<p>O grupo observou mais de 300 serpentes, coletou mais de 150 amostras de tecidos e 40 indiv\u00edduos, formando uma amostragem extensa e \u00fanica da diversidade de serpentes encontrada no local.<\/p>\n<p>A coleta \u00e9 considerada importante por ter resultado na identifica\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie de serpente e por ter revelado uma diversidade ainda pouco entendida. Segundo Zaher, os estudos moleculares e morfol\u00f3gicos que est\u00e3o sendo realizados v\u00e3o mudar a taxonomia e a sistem\u00e1tica das serpentes das Gal\u00e1pagos.<\/p>\n<p>Ao longo dos cinco anos do projeto no \u00e2mbito do Biota-Fapesp foram coletados milhares de exemplares da fauna recente e centenas de exemplares f\u00f3sseis. Foi constru\u00eddo um laborat\u00f3rio de paleontologia, uma nova cole\u00e7\u00e3o de paleontologia no Museu de Zoologia da USP e uma cole\u00e7\u00e3o de tecidos com 12 mil amostras.<\/p>\n<p>Atualmente, est\u00e3o sendo sequenciadas 800 esp\u00e9cies de lagartos e serpentes para 12 genes. Os resultados ser\u00e3o desenvolvidos na continuidade dos estudos, em nova fase do projeto de pesquisa. (<em>Fonte: Ag\u00eancia Fapesp)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o objetivo de conhecer a evolu\u00e7\u00e3o da fauna de r\u00e9pteis do Sudeste do Brasil desde o Cret\u00e1ceo Superior (entre 99,6 milh\u00f5es e 65,5 de milh\u00f5es anos atr\u00e1s), Hussam Zaher, professor titular e curador das cole\u00e7\u00f5es de herpetologia e paleontologia do Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), incluiu, de forma pioneira dentro &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=892\"> <span class=\"screen-reader-text\">Paleontologia no estudo da biodiversidade<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[87,20],"tags":[3812,3859,13],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/892"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=892"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/892\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6012,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/892\/revisions\/6012"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}