{"id":8975,"date":"2011-12-14T09:34:59","date_gmt":"2011-12-14T12:34:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8975"},"modified":"2011-12-15T08:42:19","modified_gmt":"2011-12-15T11:42:19","slug":"livro-defende-nova-origem-para-os-caes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=8975","title":{"rendered":"Livro defende nova origem para os c\u00e3es"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para Mark Derr, autor de &#8216;How the dog became the dog&#8217;, a teoria de que os c\u00e3es se originaram de lobos selvagens, quando os homens se tornaram sedent\u00e1rios, est\u00e1 errada. Para ele, novos dados arqueol\u00f3gicos e gen\u00e9ticos indicam que a aproxima\u00e7\u00e3o aconteceu muito antes<\/strong><\/p>\n<p>Por volta de 15.000 anos atr\u00e1s, o planeta estava saindo da \u00faltima Era do Gelo. \u00c0 noite, lobos rondavam as primeiras aldeias pr\u00e9-hist\u00f3ricas, em busca de comida f\u00e1cil, os restos jogados fora pelos humanos. Era o in\u00edcio de uma grande e duradoura amizade. Ao longo de gera\u00e7\u00f5es, as duas esp\u00e9cies foram se aproximando e os homens passaram a criar filhotes de lobo. Os mais mansos ficaram nas aldeias e foram se diferenciando de seus ancestrais. Sem ter que dilacerar a ca\u00e7a, foram perdendo a for\u00e7a da mordida. Mal alimentados pelos homens, com sobras, perderam tamanho. E se tornaram uma esp\u00e9cie diferente dos lobos, a primeira esp\u00e9cie animal que surgiu gra\u00e7as \u00e0 interfer\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a teoria mais aceita pela maioria dos cientistas. O pesquisador americano\u00a0\u00a0Mark Derr, no entanto, desenvolveu novos argumentos para afirmar que a parceria homem\/c\u00e3o \u00e9 muito mais antiga do que se pensa. \u00a0No\u00a0livro\u00a0<em>How the dog became the dog &#8211; from wolves to our best friends<\/em>(<em>Como o c\u00e3o se tornou o c\u00e3o &#8211; dos lobos aos nossos melhores amigos<\/em>, sem edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas), Derr se baseia em novos estudos gen\u00e9ticos e arqueol\u00f3gicos para defender que os primeiros cachorros apareceram h\u00e1 pelo menos 30.000 ou 40.000 anos, quando o Homo sapiens ainda se comportava de maneira n\u00f4made.<\/p>\n<p>O livro lan\u00e7ado nos EUA \u00e9 porta voz de uma teoria minorit\u00e1ria, por\u00e9m cada vez mais popular, que defende que os lobos cinzentos se aproximaram dos humanos quando nossa esp\u00e9cie ainda vagava pela \u00c1frica, Europa e \u00c1sia, ca\u00e7ando, e coletando frutas e ra\u00edzes.\u00a0O autor afirma que n\u00e3o h\u00e1 provas arqueol\u00f3gicas cabais desse encontro porque os lobos que se aproximaram do homem n\u00e3o se diferenciaram fisiologicamente de seus irm\u00e3os selvagens pelos mil\u00eanios seguintes. &#8220;Mas eles viajavam juntos h\u00e1 muito tempo e continuam fazendo isso at\u00e9 hoje&#8221;, afirmou ele, em entrevista ao site de VEJA.\u00a0Para Derr, os lobos cinzentos se aproximaram dos humanos por curiosidade. A fase de observa\u00e7\u00e3o deve ter durado gera\u00e7\u00f5es. &#8220;Os animais t\u00eam diferentes personalidades, como os humanos. Assim como h\u00e1 homens corajosos, h\u00e1 os que t\u00eam medo da pr\u00f3pria sombra. Eu acho que os lobos mais soci\u00e1veis e os humanos mais soci\u00e1veis se aproximaram, come\u00e7aram a correr juntos e nunca mais pararam.&#8221;<\/p>\n<figure style=\"width: 320px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/pictures\/45076\/cranio-size-320.jpg\" alt=\"Cr\u00e2nio \u00e9 considerado uma raridade porque ilustra o in\u00edcio da domestica\u00e7\u00e3o do cachorro, antes da Era do Gelo. A seta indica a parte retirada pela equipe para an\u00e1lise de data\u00e7\u00e3o por carbono\" width=\"320\" height=\"180\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e2nio raro encontrado na B\u00e9lgica pode ilustrar domestica\u00e7\u00e3o do cachorro antes \u00faltima da Era do Gelo. A seta indica a parte retirada por cientistas para an\u00e1lise de data\u00e7\u00e3o por carbono. Fonte: Divulga\u00e7\u00e3o\/ Ovodov ND- Russian Academy of Sciences, Institute of Archaeology and Ethnography, Novosibirsk, Russia<\/figcaption><\/figure>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m defende que a domestica\u00e7\u00e3o do animal ocorreu em \u00e1reas e tempos diferentes ao longo da hist\u00f3ria, por isso deve haver muitos &#8220;elos perdidos&#8221;, que se diferenciaram dos lobos, mas n\u00e3o originaram os c\u00e3es modernos .Derr baseia sua hip\u00f3tese em descobertas como a de um cr\u00e2nio encontrado nas montanhas Altai, na Sib\u00e9ria, que tem 33.000 anos e algumas caracter\u00edsticas diferentes dos lobos selvagens, como o focinho. OU ainda em casos como o de um\u00a0f\u00f3ssil, encontrado na caverna Goyet, na B\u00e9lgica, que tem 31.700 anos de idade. &#8220;Estudos do DNA mitocondrial apontam para a presen\u00e7a de animais diferentes de lobos h\u00e1 um per\u00edodo que pode variar de 45 a 135.000 anos atr\u00e1s&#8221;, conta ele. &#8220;Em tempo geol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 nada, mas do ponto de vista biol\u00f3gico \u00e9 determinante.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Pol\u00eamica \u2014<\/strong>\u00a0Autor de outros cinco livros sobre c\u00e3es, nenhum deles publicado no Brasil, e colunista de publica\u00e7\u00f5es como\u00a0<em>The New York Times<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Scientific American<\/em>, Derr est\u00e1 longe de ser unanimidade entre os especialistas. Com mais de 50 trabalhos relacionados a c\u00e3es, o bi\u00f3logo evolucionista Raymond Coppinger, professor no Hampshire College, em Massachusetts, EUA, tem pesquisas citadas no livro e leu a obra. Para ele, o material n\u00e3o tem validade cient\u00edfica. \u201cO senhor Derr n\u00e3o \u00e9 muito rigoroso em sua avalia\u00e7\u00e3o da literatura cient\u00edfica recente sobre a origem dos c\u00e3es e tende a escolher os achados mais espetaculares e que corroborem com o argumento defendido por ele\u201d, afirmou a VEJA.<\/p>\n<p>Para Coppinger, as hip\u00f3teses sugeridas por Derr n\u00e3o podem ser provadas. &#8220;Entre 7.000 e 9.000 anos atr\u00e1s, h\u00e1 evid\u00eancias ineg\u00e1veis da presen\u00e7a de uma popula\u00e7\u00e3o de c\u00e3es. E popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a palavra chave, porque \u00e9 nesse n\u00edvel que se d\u00e1 a evolu\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie&#8221;, explica. &#8220;Antes disso, h\u00e1 esp\u00e9cimes que o autor &#8216;suspeita&#8217; que podem ser o &#8216;in\u00edcio&#8217; dos c\u00e3es. Mas s\u00e3o evid\u00eancias arqueol\u00f3gicas que n\u00e3o acrescentam nada. Ele cita esp\u00e9cimes de 30.000 e de 18.000 anos que tem a ossada e a arcada dent\u00e1ria t\u00edpica da classe dos lobos. Cita outro de 12.000 anos que \u00e9 um filhote. Mas nenhum especialista pode diferenci\u00e1-lo de um filhote de lobo&#8221;, afirma .<\/p>\n<p>Para Mauro Lantzman, veterin\u00e1rio e especialista em comportamento animal da PUC-SP, a explica\u00e7\u00e3o da domestica\u00e7\u00e3o tardia tem mais evid\u00eancias e faz mais sentido. &#8220;O ser humano, quando n\u00f4made, n\u00e3o tinha esse conceito de cria\u00e7\u00e3o. Mas uma vez que ele se tornou sedent\u00e1rio e come\u00e7ou a dominar a agricultura, partir para o cuidado dos animais foi um passo natural&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Para a doutora em gen\u00e9tica Priscila Guimar\u00e3es Otto, professora aposentada do Instituto de Bioci\u00eancias da USP, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel confirmar nenhuma das hip\u00f3teses. &#8220;S\u00e3o muitos os estudos, como os de DNA, DNA mitocondrial e morfologia. E muitas as prov\u00e1veis datas, pois s\u00e3o contadas aos milhares de anos&#8221;, diz. &#8220;Lobos cinzentos existem h\u00e1 uns 50 milh\u00f5es de anos e podem ter come\u00e7ado a ter interesse nos restos alimentares da esp\u00e9cie humana desde os 30.000 anos defendidos por Derr, mas o fato \u00e9 que os restos mais antigos do c\u00e3o dom\u00e9stico, que descende com certeza dos lobos, datam de 10 a 15 mil anos atr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n<p>Derr se defende dizendo que cada abordagem cient\u00edfica aponta resultados diferentes. &#8220;H\u00e1 respostas melhores que outras, mas eu n\u00e3o tenho certeza de que chegaremos a uma defini\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o sei se temos as ferramentas necess\u00e1rias&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Ra\u00e7as \u2014<\/strong>\u00a0\u00c9 consenso entre os especialistas que os primeiros cachorros eram muito parecidos com os lobos que os originaram. A diferencia\u00e7\u00e3o entre esses primeiros indiv\u00edduos se deu, em grande parte, pela vontade do homem. &#8220;Conforme a necessidade de determinado grupo de humanos \u2013 ca\u00e7ar, perseguir, guardar ou apenas servir como animais de estima\u00e7\u00e3o \u2013 eles escolhiam entre seus diferentes c\u00e3es aqueles que demonstrassem mais aptid\u00e3o e dirigiam os cruzamentos entre esses animais&#8221;, explica Priscila Otto. &#8220;Esse processo de sele\u00e7\u00e3o artificial, com cruzamentos escolhidos pelo homem continua at\u00e9 hoje e o resultado \u00e9 que as diferen\u00e7as em tamanho, conforma\u00e7\u00e3o e comportamento entre as cerca de 400 ra\u00e7as &#8216;oficiais&#8217; atuais s\u00e3o substanciais.&#8221;<\/p>\n<p>Para Derr, o processo de cria\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as afastou os c\u00e3es de seus antepassados. E isso pode ter sido determinante para que o homem se sinta t\u00e3o ligado a esse animal. &#8220;Os criadores de ra\u00e7as suavizaram a apar\u00eancia dos animais ao ponto de infantilizar muitas ra\u00e7as. Outras tiveram o tamanho da cabe\u00e7a reduzido, focinhos achatados e os olhos frontais modificados. Uma apar\u00eancia civilizada para combinar com seu comportamento mais &#8216;decente'&#8221;, explica ele, no livro, que ainda n\u00e3o tem previs\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Fonte: Veja Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Mark Derr, autor de &#8216;How the dog became the dog&#8217;, a teoria de que os c\u00e3es se originaram de lobos selvagens, quando os homens se tornaram sedent\u00e1rios, est\u00e1 errada. 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