{"id":9023,"date":"2011-12-26T09:31:05","date_gmt":"2011-12-26T12:31:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9023"},"modified":"2011-12-26T09:31:05","modified_gmt":"2011-12-26T12:31:05","slug":"morcegos-ameacados-pelo-desconhecimento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9023","title":{"rendered":"Morcegos, amea\u00e7ados pelo desconhecimento"},"content":{"rendered":"<p>Associado a doen\u00e7as como raiva, a supersti\u00e7\u00f5es e a mitos, os morcegos est\u00e3o tendo uma oportunidade de se &#8220;redimir&#8221; com a sociedade &#8211; mesmo n\u00e3o tendo feito nada para ganhar a m\u00e1 fama. At\u00e9 a metade de 2012 ser\u00e1 celebrado o Ano Internacional do Morcego, que come\u00e7ou em meados de 2011 e tem entre seus objetivos diminuir a ignor\u00e2ncia a respeito desse mam\u00edfero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A iniciativa surgiu da uni\u00e3o de esfor\u00e7os entre o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Unep) e a The Agreement on the Conservation of Populations of European Bats (EUROBATS), tratado europeu de preserva\u00e7\u00e3o desses animais. &#8220;O desconhecimento \u00e9 a principal amea\u00e7a aos morcegos. \u00c9 uma associa\u00e7\u00e3o de m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o com pouca informa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Enrico Bernard, professor adjunto em Biologia da Conserva\u00e7\u00e3o do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pesquisador conta que diversas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo realizadas com a iniciativa do Ano, tais como a divulga\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es, atualiza\u00e7\u00e3o da lista de esp\u00e9cies brasileiras, bancos de informa\u00e7\u00f5es sobre os sinais de ecolocaliza\u00e7\u00e3o dos morcegos e parcerias com a Sociedade Brasileira para o Estudo de Quir\u00f3pteros. &#8220;A estrat\u00e9gia \u00e9 comunicar melhor o papel dos morcegos. Sair na m\u00eddia chama a aten\u00e7\u00e3o e cria um ciclo virtuoso&#8221;, opina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, Ludmilla Aguiar, uma das coordenadoras do Programa para a Conserva\u00e7\u00e3o dos Morcegos Brasileiros (PCMBr), alerta para a pouca divulga\u00e7\u00e3o em geral e a baixa educa\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil, o que dificulta ainda mais a preserva\u00e7\u00e3o desses animais. &#8220;Minha obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 relatar minhas pesquisas s\u00f3 para meus colegas, pois eles podem v\u00ea-la numa revista cient\u00edfica. Mas se ela ficar s\u00f3 ali, na revista cient\u00edfica, eu n\u00e3o terei<\/p>\n<p>cumprido minha fun\u00e7\u00e3o com o dinheiro p\u00fablico&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m destaca um fator econ\u00f4mico desfavor\u00e1vel ao mam\u00edfero: pelo fato de o Brasil ser um pa\u00eds agr\u00edcola, o morcego \u00e9 visto como uma amea\u00e7a. &#8220;O Brasil \u00e9 comandado pela agricultura, \u00e9 s\u00f3 ver o que est\u00e1 acontecendo com o C\u00f3digo Florestal&#8221;,<\/p>\n<p>ressalta. A pesquisadora avisa que &#8220;qualquer pessoa que trabalhe com morcegos pode<\/p>\n<p>atuar na divulga\u00e7\u00e3o do Ano Internacional do Morcego&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aguiar foi a respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o, h\u00e1 mais de 15 anos, da revista Quir\u00f3ptero Neotropical, que recebe colabora\u00e7\u00f5es de estudiosos do mundo inteiro e ajudou o Brasil a se inserir no mapa internacional de pesquisadores de morcegos. Atualmente, o Pa\u00eds est\u00e1 entrando numa rede latino-americana de estudiosos do animal e sediar\u00e1 em 2013, em Bras\u00edlia, o Encontro Brasileiro de Estudantes de Quir\u00f3pteros (EBEQ).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ecossistema das cavernas &#8211;\u00a0<\/strong>Os dois pesquisadores sublinham a enorme import\u00e2ncia dos morcegos para o ecossistema cavern\u00edcola, j\u00e1 que s\u00e3o os respons\u00e1veis por levar recursos para dentro desses locais. &#8220;Muitos dos animais que vivem ali n\u00e3o saem das cavernas. O morcego leva o material org\u00e2nico em forma de guano&#8221;, revela Bernard.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ludmilla Aguiar lembra tamb\u00e9m o servi\u00e7o que o animal presta como polinizador de plantas e dispersadores de sementes, como acontece com o pequi e o maracuj\u00e1 silvestre. Ela conta que os morcegos s\u00e3o &#8220;adorados&#8221; no M\u00e9xico porque s\u00e3o grandes polinizadores de agave (planta a partir da qual \u00e9 feita a tequila). Al\u00e9m disso, comem pragas agr\u00edcolas<\/p>\n<p>e insetos que fazem mal aos humanos, e s\u00e3o \u00fateis para pesquisas em ecolocaliza\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os estudiosos revelam que, com a instru\u00e7\u00e3o normativa do Ibama que rebaixou o n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o das cavernas brasileiras, esses animais ficaram ainda mais amea\u00e7ados, sobretudo em biomas como o Cerrado e a Mata Atl\u00e2ntica. &#8220;Basta ter um caso de animal infectado por raiva que as pessoas querem eliminar os morcegos&#8221;, conta Bernard. A queima de pneus, a inunda\u00e7\u00e3o de cavernas e a veda\u00e7\u00e3o de suas entradas s\u00e3o medidas para combat\u00ea-los que acabam afetando todo o ecossistema cavern\u00edcola. &#8220;H\u00e1 milhares<\/p>\n<p>de esp\u00e9cies dentro das cavernas, de insetos a bact\u00e9rias, muitos nem descobertos ainda&#8221;,<\/p>\n<p>lamenta o pesquisador, que lembra que a regi\u00e3o onde ser\u00e1 constru\u00edda a Usina de Belo Monte concentra cavernas importantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Brasil, segundo maior em esp\u00e9cies\u00a0<\/strong>&#8211; Bernard revela tamb\u00e9m que o Brasil \u00e9 o segundo<\/p>\n<p>pa\u00eds em diversidade de esp\u00e9cies de morcegos, com cerca de 170, &#8220;caminhando para a primeira posi\u00e7\u00e3o&#8221;, hoje ocupada pela Col\u00f4mbia. A \u00c1frica \u00e9 o continente com mais potencial atualmente, com 350 esp\u00e9cies &#8220;e pode ter o dobro desse n\u00famero&#8221;, relata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aguiar pontua que muitos pa\u00edses latino-americanos abrigam ONGs que trabalham com<\/p>\n<p>morcegos (o Brasil n\u00e3o conta com esse tipo de iniciativa) e destaca o trabalho dos Estados Unidos com a Bat Conservation International. O pa\u00eds norte-americano \u00e9 apontado como l\u00edder em pesquisas sobre o animal e em algumas de suas cidades o quir\u00f3ptero chega a ser atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica. Alemanha, Austr\u00e1lia e Inglaterra s\u00e3o outros expoentes em pesquisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bernard lembra que na China esses animais s\u00e3o s\u00edmbolos de boa sorte. &#8220;Quando dou palestras sobre morcegos, as pessoas se aproximam no fim para dizer que n\u00e3o sabiam de sua import\u00e2ncia ecol\u00f3gica. As pessoas s\u00e3o solid\u00e1rias aos morcegos quando elas se informam a respeito desses animais&#8221;, conclui Bernard.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Clarissa Vasconcellos &#8211; Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associado a doen\u00e7as como raiva, a supersti\u00e7\u00f5es e a mitos, os morcegos est\u00e3o tendo uma oportunidade de se &#8220;redimir&#8221; com a sociedade &#8211; mesmo n\u00e3o tendo feito nada para ganhar a m\u00e1 fama. 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