{"id":9093,"date":"2012-01-14T19:13:14","date_gmt":"2012-01-14T22:13:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9093"},"modified":"2012-01-14T19:13:14","modified_gmt":"2012-01-14T22:13:14","slug":"riqueza-desconhecida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9093","title":{"rendered":"Riqueza desconhecida"},"content":{"rendered":"<p>Estudo internacional feito com participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores brasileiros mostra que os ecossistemas secos, como o semi\u00e1rido nordestino, t\u00eam um papel mais importante do que se pensava no equil\u00edbrio ecol\u00f3gico do mundo.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, eles podem ser vistos como ambientes in\u00f3spitos \u00e0 vida, desertos em forma\u00e7\u00e3o ou regi\u00f5es sem import\u00e2ncia para o meio ambiente. No entanto, as \u00e1reas de terras secas &#8211; que incluem alguns tipos de savanas, estepes e semi\u00e1ridos &#8211; est\u00e3o longe de ser irrelevantes. Al\u00e9m de compreender 41% da superf\u00edcie terrestre e abrigar 38% dos seres humanos, esse tipo de forma\u00e7\u00e3o representa uma verdadeira joia natural, cumprindo um papel fundamental na luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A conclus\u00e3o \u00e9 do maior estudo j\u00e1 feito no mundo sobre esses ecossistemas, publicado na edi\u00e7\u00e3o de hoje da revista Science e elaborado com a participa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia.<\/p>\n<p>A pesquisa avaliou 224 sistemas de terras secas em 16 pa\u00edses: Espanha, Estados Unidos, M\u00e9xico, Brasil, Equador, Venezuela, Peru, Ir\u00e3, Israel, Austr\u00e1lia, Marrocos, Tun\u00edsia, Qu\u00eania, Argentina, Chile e China. Segundo os cientistas envolvidos, esse tipo de forma\u00e7\u00e3o cont\u00e9m 20% dos principais centros de biodiversidade vegetal em todo o mundo, al\u00e9m de ser o lar de 30% das \u00e1reas end\u00eamicas em aves. &#8220;Existem numerosos estudos sobre diversos aspectos das terras \u00e1ridas. Contudo, sabemos muito menos sobre o tema do que sobre zonas tropicais e temperadas e zonas aqu\u00e1ticas&#8221;, conta ao Correio o l\u00edder do estudo, Fernando Maestre, pesquisador da Universidad Rey Juan Carlos, na Espanha.<\/p>\n<p>De acordo com ele, apenas 3% dos estudos sobre rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas foram feitos em zonas \u00e1ridas. &#8220;Poucos pesquisadores t\u00eam se interessado em explorar essas quest\u00f5es em zonas \u00e1ridas, talvez porque sempre pensem que nesses ambientes o funcionamento do ecossistema \u00e9 governado principalmente por fatores abi\u00f3ticos, como pluviosidade e temperatura&#8221;, completa o espanhol, segundo quem essa no\u00e7\u00e3o foi posta em xeque pelo novo levantamento. &#8220;Nosso estudo mostra que a biodiversidade \u00e9 um determinante importante do funcionamento dos ecossistemas \u00e1ridos, e pode ser ainda mais importante do que fatores como a precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual para explicar a varia\u00e7\u00e3o em termos de funcionalidade em escala global&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Servi\u00e7os &#8211; Depois de in\u00fameras pesquisas de campo e an\u00e1lises de laborat\u00f3rio, os pesquisadores perceberam que os sistemas secos t\u00eam uma din\u00e2mica muito mais complexa do que se imaginava. Apesar de desempenharem um papel menos intenso na reciclagem do carbono, principal causador do efeito estufa, eles t\u00eam um papel ainda assim importante nesse e em outros processos, como a purifica\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e o controle do clima, os chamados servi\u00e7os ecol\u00f3gicos. E mais: sua participa\u00e7\u00e3o nesses servi\u00e7os est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 biodiversidade. Quanto mais diversa uma \u00e1rea, mais importante para o controle global ela \u00e9.<\/p>\n<p>Os resultados indicam, contudo, um problema. &#8220;O aquecimento global do planeta est\u00e1 diminuindo a funcionalidade do \u00e1rido, com um impacto negativo na sua capacidade de produzir servi\u00e7os essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o da vida na Terra&#8221;, conta Maestre. Isso acontece porque o aumento na temperatura m\u00e9dia das regi\u00f5es secas inviabiliza a exist\u00eancia das esp\u00e9cies mais delicadas, diminuindo a biodiversidade, quest\u00e3o que se descobriu agora ser essencial para a participa\u00e7\u00e3o efetiva das forma\u00e7\u00f5es vegetais nos servi\u00e7os ecol\u00f3gicos. &#8220;Hoje, podemos n\u00e3o chegar a um acordo sobre limitar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, mas podemos ajudar a minimizar as consequ\u00eancias de sua emiss\u00e3o ao restaurar a biodiversidade vegetal&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Coautor do estudo, o pesquisador David Eldridge, da Universidade de New South Wales, na Austr\u00e1lia, explica que a descoberta valoriza ainda mais a import\u00e2ncia da biodiversidade, anteriormente vista com aten\u00e7\u00e3o especial apenas em outros biomas. &#8220;Nossas descobertas sugerem que a riqueza de esp\u00e9cies de plantas pode ser particularmente importante para a manuten\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es do ecossistema ligadas ao ciclo de carbono e nitrog\u00eanio, que sustenta o sequestro de carbono e a fertilidade do solo&#8221;, diz. &#8220;Como a degrada\u00e7\u00e3o da terra \u00e9 muitas vezes acompanhada pela perda de fertilidade do solo, a riqueza de esp\u00e9cies de plantas tamb\u00e9m pode promover a resist\u00eancia de ecossistemas \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o&#8221;, completa.<\/p>\n<p><em>Fonte: Correio Braziliense<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo internacional feito com participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores brasileiros mostra que os ecossistemas secos, como o semi\u00e1rido nordestino, t\u00eam um papel mais importante do que se pensava no equil\u00edbrio ecol\u00f3gico do mundo. \u00c0 primeira vista, eles podem ser vistos como ambientes in\u00f3spitos \u00e0 vida, desertos em forma\u00e7\u00e3o ou regi\u00f5es sem import\u00e2ncia para o meio ambiente. 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