{"id":9145,"date":"2012-01-27T11:40:55","date_gmt":"2012-01-27T14:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9145"},"modified":"2012-01-27T11:40:55","modified_gmt":"2012-01-27T14:40:55","slug":"biodiversidade-avancos-no-papel-mas-perdas-naturais-continuam","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9145","title":{"rendered":"Biodiversidade: avan\u00e7os no papel, mas perdas naturais continuam"},"content":{"rendered":"<p>O brasileiro Braulio Ferreira de Souza Dias, que assumir\u00e1 a CDB, das Na\u00e7\u00f5es Unidas, comemora a converg\u00eancia de interesses entre os pa\u00edses, por\u00e9m, alerta para o crescimento dos fatores que reduzem a biodiversidade.<br \/>\nTirar do papel as inten\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade dentro e fora do Brasil. Esse ser\u00e1 um dos principais desafios do atual secret\u00e1rio de Biodiversidade e Florestas do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), Br\u00e1ulio Ferreira de Souza Dias, que foi escolhido como secret\u00e1rio-executivo da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica das Na\u00e7\u00f5es Unidas (CDB) no dia 20 de janeiro. Os cargos de secret\u00e1rios-executivos s\u00e3o os terceiros em n\u00edvel hier\u00e1rquico dentro da ONU, atr\u00e1s apenas do secretariado-geral, ocupado por Ban Ki-moon, e dos subsecret\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez que um brasileiro assume uma posi\u00e7\u00e3o de secret\u00e1rio-executivo de uma conven\u00e7\u00e3o ambiental &#8211; al\u00e9m da conven\u00e7\u00e3o sobre diversidade biol\u00f3gica, tamb\u00e9m h\u00e1 conven\u00e7\u00f5es de clima e desertifica\u00e7\u00e3o. &#8220;Isso representa o amadurecimento da quest\u00e3o ambiental no Brasil, de que temos evolu\u00eddo nessa \u00e1rea. Se pensarmos nos anos 1980, o que sa\u00eda do Brasil nos jornais eram desmatamento da Amaz\u00f4nia, queimadas e polui\u00e7\u00e3o nas grandes cidades. Era uma agenda muito negativa&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>E essa agenda continua &#8220;dif\u00edcil&#8221; de ser revertida, de acordo com o secret\u00e1rio. &#8220;Mas acho que o Brasil vem conseguindo. A gente conseguiu reverter a tend\u00eancia de desmatamento da Amaz\u00f4nia, que tem estado em queda cont\u00ednua por v\u00e1rios anos. Al\u00e9m disso, o Brasil foi o pa\u00eds que criou mais unidades de conserva\u00e7\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada e tem tido papel crescente de impacto nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais, influenciando a agenda internacional, n\u00e3o s\u00f3 de biodiversidade, mas tamb\u00e9m da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e desertifica\u00e7\u00e3o. Em todas as conven\u00e7\u00f5es o Brasil \u00e9 muito presente&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Dias sublinha tamb\u00e9m o avan\u00e7o cient\u00edfico internacional do Pa\u00eds. &#8220;Vou fazer todo esfor\u00e7o frente ao secretariado para mobilizar melhor a capacidade cient\u00edfica e t\u00e9cnico-cient\u00edfica brasileira e tamb\u00e9m ajudar no plano internacional&#8221;, afirma, acrescentando que em muitos campos da ci\u00eancia &#8220;estamos deixando de ser periferia&#8221;, como a pesquisa em agricultura tropical (&#8220;nele o Brasil \u00e9 n\u00famero um&#8221;). &#8220;O Brasil \u00e9 um dos maiores produtores de ci\u00eancia na \u00e1rea de pesquisa em conserva\u00e7\u00e3o em biodiversidade, produz 6% de toda literatura cient\u00edfica nessa \u00e1rea, sendo que a m\u00e9dia da contribui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Brasil no mundo n\u00e3o passa de 2%&#8221;, compara.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a de cultura &#8211;<\/strong>\u00a0Dias comemora os avan\u00e7os do Brasil e do mundo em pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais e a tomada de consci\u00eancia da juventude. Mas ressalta que &#8220;\u00e9 agenda de mudan\u00e7a de cultura, de longo prazo&#8221;. E aponta graves fatores que v\u00eam contribuindo para a perda da biodiversidade no Pa\u00eds e no mundo.<\/p>\n<p>Entre eles, est\u00e1 o crescimento da popula\u00e7\u00e3o, que em poucas d\u00e9cadas atingir\u00e1 o n\u00famero de nove bilh\u00f5es de pessoas. O crescimento do consumo tamb\u00e9m \u00e9 outra amea\u00e7a \u00e0 biodiversidade. &#8220;A press\u00e3o entre os ecossistemas aumentou com a melhoria da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es mais pobres na sociedade de consumo. Essa melhoria na qualidade de vida \u00e9 boa, mas se n\u00e3o tomarmos cuidado, vamos esgotar recursos de pesquisa, \u00e1gua e florestas&#8221;, exemplifica. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a globaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio (&#8220;aumenta o risco de contamina\u00e7\u00e3o com doen\u00e7as e esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras de plantas e animais&#8221;) s\u00e3o outros fatores preocupantes.<\/p>\n<p>&#8220;Para muitos a quest\u00e3o da biodiversidade n\u00e3o est\u00e1 clara. Muita gente acha bonito ter os bichinhos e, se perdermos algumas esp\u00e9cies, acham que n\u00e3o haver\u00e1 problema. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o no Brasil e no mundo \u00e9 urbana e j\u00e1 n\u00e3o tem aquele contato di\u00e1rio com a natureza. N\u00e3o v\u00ea clareza da rela\u00e7\u00e3o entre o seu dia-a-dia e a natureza. \u00c9 um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de mostrar que dependemos da manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade&#8221;, alerta.<\/p>\n<p><strong>Escolhido por Ban Ki-moon &#8211;<\/strong>\u00a0O futuro secret\u00e1rio-executivo da CDB dedicou toda sua vida profissional \u00e0 biodiversidade, primeiro como pesquisador, depois na \u00e1rea de ensino, at\u00e9 chegar \u00e0 gest\u00e3o p\u00fablica. H\u00e1 duas d\u00e9cadas trabalha no MMA. &#8220;Tenho um cargo bom aqui [no MMA], com uma agenda cheia e n\u00e3o estava pensando nisso, mas [a CDB] \u00e9 uma oportunidade \u00fanica&#8221;, conta o secret\u00e1rio, que foi selecionado entre 66 candidatos do mundo inteiro e entrevistado por Ban Ki-moon.<\/p>\n<p>O mandato dura tr\u00eas anos, podendo ser renovado por mais um ou dois, e Dias assume o cargo provavelmente em fevereiro. A agenda &#8220;cheia&#8221; de temas de biodiversidade \u00e9 um dos maiores desafios do governo brasileiro e dos pa\u00edses que participaram da \u00faltima Confer\u00eancia das Partes da CDB (COP-10), em outubro de 2010. No evento, foi definido um Plano Estrat\u00e9gico com 20 metas para o per\u00edodo de 2011 a 2020 visando a redu\u00e7\u00e3o da perda de biodiversidade e o c\u00e9lebre Protocolo de Nagoya (Protocolo ABS), que estabelece normas de acesso e reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios dos recursos gen\u00e9ticos da biodiversidade. Para que o protocolo saia do papel \u00e9 preciso que os congressos nacionais de no m\u00ednimo 50 pa\u00edses ratifiquem o acordo. No momento, mais de 70 pa\u00edses assinaram of\u00edcios de compromisso formal de que v\u00e3o ratificar (Brasil entre eles), mas menos de meia d\u00fazia j\u00e1 ratificaram.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o processos demorados, \u00e9 preciso traduzir, esclarecer, fazer reuni\u00f5es. Aqui no Brasil a gente espera conseguir avan\u00e7ar nessa agenda junto ao Congresso Nacional de promover a ratifica\u00e7\u00e3o do protocolo de Nagoya. N\u00f3s fizemos um exerc\u00edcio interno dentro do Governo de tentar discutir essa quest\u00e3o [a Medida Provis\u00f3ria 2186-16\/01, legisla\u00e7\u00e3o atual sobre gest\u00e3o da biodiversidade] e ver o que a gente poderia fazer antes mesmo da ratifica\u00e7\u00e3o do protocolo, o que se poderia fazer para melhorar situa\u00e7\u00e3o dos pesquisadores e das empresas&#8221;, detalha.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as no marco legal &#8211;<\/strong>\u00a0As mudan\u00e7as na atual legisla\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma antiga reivindica\u00e7\u00e3o tanto da academia quanto de empresas interessadas em produzir com base na biodiversidade. A atual MP 2186 \u00e9 considerada burocr\u00e1tica, em parte por medo \u00e0 biopirataria. &#8220;A gente avan\u00e7ou, h\u00e1 uma converg\u00eancia dentro do Governo em mudar essa MP. Esperamos concluir essa negocia\u00e7\u00e3o interna neste semestre&#8221;, revela Dias, alertando para o conflito de interesses que a legisla\u00e7\u00e3o gera em setores como o agr\u00edcola, a sa\u00fade, a ci\u00eancia, a ind\u00fastria e as comunidades tradicionais, como as ind\u00edgenas e os quilombolas.<\/p>\n<p>&#8220;A legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser excessivamente burocr\u00e1tica a ponto de desestimular pesquisas na biodiversidade brasileira. A gente se envolveu muito na negocia\u00e7\u00e3o internacional porque n\u00e3o adiantava ter um marco aqui e n\u00e3o ter um no exterior&#8221;, explica. Por\u00e9m, Dias ressalta que as facilidades priorizar\u00e3o os interesses nacionais.\u00a0 &#8220;Os estrangeiros ter\u00e3o que cumprir uma exig\u00eancia mais burocr\u00e1tica&#8221;, sublinha.<\/p>\n<p>Atualmente, empresas ou pesquisadores estrangeiros que queiram ter acesso a recursos gen\u00e9ticos no Brasil precisam se associar a institui\u00e7\u00f5es brasileiras. &#8220;Isso em parte \u00e9 decorrente de uma legisla\u00e7\u00e3o mais antiga de C&amp;T, a legisla\u00e7\u00e3o de expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, que era muito bem intencionada, para que n\u00e3o tratassem o Brasil como o quintal deles. \u00c9 uma forma at\u00e9 de valorizar as institui\u00e7\u00f5es nacionais e promover parcerias, estimular nossa autossustentabilidade&#8221;, relembra Dias. Com a ado\u00e7\u00e3o do Protocolo, os estrangeiros ter\u00e3o menos burocracia, mas a ideia \u00e9 &#8220;compatibilizar a pol\u00edtica nacional com regras internacionais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o poderemos criar impedimentos exagerados para estrangeiros que queiram acessar nossa biodiversidade, mas o que podemos facilitar \u00e9 o acesso a partir de cole\u00e7\u00f5es ex situ. Agora, se quiser ir para o campo, enquanto prevalecer nossa pol\u00edtica, vamos continuar exigindo a parceria com institui\u00e7\u00f5es nacionais&#8221;, conclui.<\/p>\n<p><em>Fonte: Clarissa Vasconcellos &#8211; Jornal da Ci\u00eancia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O brasileiro Braulio Ferreira de Souza Dias, que assumir\u00e1 a CDB, das Na\u00e7\u00f5es Unidas, comemora a converg\u00eancia de interesses entre os pa\u00edses, por\u00e9m, alerta para o crescimento dos fatores que reduzem a biodiversidade. 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