{"id":9396,"date":"2012-02-28T11:29:35","date_gmt":"2012-02-28T14:29:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9396"},"modified":"2012-02-28T11:29:35","modified_gmt":"2012-02-28T14:29:35","slug":"e-possivel-levar-energia-renovavel-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9396","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 poss\u00edvel levar energia renov\u00e1vel para todos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pragm\u00e1tica, a dinamarquesa Connie Hedegaard, \u00e9 uma mulher que acredita em metas. A comiss\u00e1ria europeia para a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, famosa por seu protagonismo na confer\u00eancia do clima de Copenhague, em 2009, e tamb\u00e9m em Durban, na \u00c1frica do Sul, em 2011, chega ao Brasil hoje convencida de que tornar concreta a meta de dar acesso universal a energia renov\u00e1vel, em 2030, poderia ser um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODG) a ser imediatamente implementado ao fim da Rio+20, a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, em junho, no Rio.<\/p>\n<p>Para a ex-ministra do meio ambiente, de coopera\u00e7\u00e3o, e de clima e energia da Dinamarca, n\u00e3o \u00e9 preciso esperar pelo detalhamento de todas as outras \u00e1reas &#8211; que podem tratar de temas t\u00e3o diversos como \u00e1gua, oceanos ou consumo &#8211; para dar a partida aos ODG. &#8220;O objetivo da energia poderia come\u00e7ar j\u00e1&#8221;, defende. &#8220;\u00c9 muito importante que miremos coisas tang\u00edveis e que tenham resultado a curto prazo.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta entrevista, concedida em Nair\u00f3bi, no Qu\u00eania, onde participou das comemora\u00e7\u00f5es do 40\u00ba anivers\u00e1rio do Pnuma, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente, ela evitou falar sobre as mudan\u00e7as na governan\u00e7a institucional ambiental e de desenvolvimento sustent\u00e1vel que a Rio+20 pode produzir. O tema \u00e9 controverso. A Europa quer que o Pnuma se transforme em uma ag\u00eancia ambiental da ONU. O Brasil quer fortalecer o Pnuma, mas aposta na cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Connie Hedegaard tem encontros em Bras\u00edlia com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Antonio Patriota, e uma agenda que termina em S\u00e3o Paulo e mistura clima e Rio+20. Ela participou do Painel de Alto N\u00edvel sobre Sustentabilidade Global da ONU e tem, na cabe\u00e7a, vis\u00e3o de longo prazo para o crescimento dos pa\u00edses fundamentada na economia verde. &#8220;Se a Rio+20 mudar este paradigma, ser\u00e1 um grande ganho&#8221;, diz. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Valor Econ\u00f4mico:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Qual o perfil da sua visita ao Brasil? Mais mudan\u00e7a clim\u00e1tica ou mais Rio+20?<\/strong><\/p>\n<p>Connie Hedegaard: \u00c9 uma agenda mista. Fiz parte do painel das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel junto com a ministra Izabella Teixeira, e, claro, temos ambas interesse na agenda clim\u00e1tica. Em Durban, o Brasil e a Europa tiveram uma coopera\u00e7\u00e3o muito construtiva. Espero que possamos avan\u00e7ar na agenda do clima para a pr\u00f3xima reuni\u00e3o, no Qatar. E agora, t\u00e3o perto da Rio+20, \u00e9 natural que discutamos alguns temas da confer\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: A senhora diz que a Rio+20 n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rvore de Natal. O que quer dizer?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: \u00c9 que todos v\u00eam com todos os seus desejos para a confer\u00eancia. Mas dever\u00edamos ter em mente que muita gente l\u00e1 fora pensa que estes s\u00e3o tempos muito desafiadores. As pessoas percebem que a economia, os mercados, os bancos est\u00e3o globalizados, e temos que mostrar que o globalizado sistema pol\u00edtico multilateral pode dar algumas respostas claras. Acho que um dos desafios da Rio+20 n\u00e3o \u00e9 escrever um monte de declara\u00e7\u00f5es, mas temos que ser capazes de, no dia seguinte \u00e0 confer\u00eancia, responder \u00e0 pergunta: o que a Rio+20 mudou na vida dos cidad\u00e3os?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: A senhora tem algum exemplo do que poderia ser decidido no Rio, em junho?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Saliento a meta de acesso a energia sustent\u00e1vel para todos. Isso \u00e9 algo muito concreto. Se h\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o que aprendemos na Europa \u00e9 que ajuda muito ter metas porque faz com que os governos tenham foco. Metas tamb\u00e9m fazem com que os investidores se mexam em determinadas \u00e1reas, se souberem quais s\u00e3o os objetivos e se tiverem alguma previs\u00e3o. Acredito que h\u00e1 muitos investidores l\u00e1 fora que gostariam de investir em energia. Mas eles t\u00eam que ter indica\u00e7\u00f5es claras de que isso \u00e9 para valer. A sociedade global est\u00e1 levando a s\u00e9rio essas metas? O que significa dar acesso \u00e0 energia sustent\u00e1vel para todos, em 2030? \u00c9 sobre conseguir mais efici\u00eancia energ\u00e9tica? Como podemos medir isso? Podemos fazer uma enorme diferen\u00e7a se decidirmos que, agora, vamos estabelecer estes padr\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: No final da Rio+20, o que ter\u00e1 sido um bom resultado, na sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Acredito que um bom resultado ser\u00e1 se o mundo puder abra\u00e7ar o conceito de economia verde. Conseguindo isso, a confer\u00eancia do Rio poderia marcar uma real mudan\u00e7a de paradigma. Seria o momento em que as pessoas e os governos entenderiam que n\u00e3o podemos continuar fazendo as coisas como sempre, o que se chama &#8220;business as usual&#8221;. N\u00e3o \u00e9 assim que tornaremos as economias sustent\u00e1veis, n\u00e3o se criar\u00e3o sociedades sustent\u00e1veis. Temos que mudar a maneira em que percebemos o crescimento e mudar para uma maneira mais eficiente de usar a energia e os recursos naturais. Se a Rio+20 puder marcar esta mudan\u00e7a, penso que ter\u00e1 sido um ganho muito grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: A Rio+20 n\u00e3o ir\u00e1 produzir tratados internacionais com for\u00e7a legal. Isso \u00e9 um problema?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Quando foram estabelecidos os Objetivos do Mil\u00eanio, dez anos atr\u00e1s, perguntei ao ent\u00e3o primeiro ministro de Mo\u00e7ambique o que estas metas significavam para o seu governo. Ele respondeu que representavam um incr\u00edvel est\u00edmulo para que pudessem definir os processos e os caminhos de desenvolvimento do pa\u00eds. Os objetivos do mil\u00eanio significam acesso \u00e0 \u00e1gua, maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres, educa\u00e7\u00e3o, e isso faz diferen\u00e7a. \u00c9 o mundo querendo medir se est\u00e1 se mexendo na dire\u00e7\u00e3o certa ou n\u00e3o. Basicamente \u00e9 a mesma coisa que podemos fazer com os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel na Rio+20. E, claro, se falarmos, vamos adotar a meta do acesso \u00e0 energia renov\u00e1vel, teremos que encontrar uma metodologia que mostre como chegaremos a isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODG) que podem ser adotados na Rio+20 seriam um avan\u00e7o nesta dire\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: A Europa pensa que os ODG podem ser algo muito bom. Agora, um dos desafios da Rio+20 \u00e9 ver se a comunidade internacional est\u00e1 pronta para definir quais s\u00e3o estes objetivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Como assim?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Dizer quais s\u00e3o os objetivos, quais as \u00e1reas e quais as metas. Uma \u00e1rea em que o trabalho preparat\u00f3rio j\u00e1 foi extremamente feito, dentro do sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u00e9 energia. Ent\u00e3o, de um lado, poder\u00edamos indicar que queremos ODGs neste e naquele campo, mas se tivermos alguma \u00e1rea mais espec\u00edfica, ou que est\u00e1 mais pronta, por que n\u00e3o come\u00e7ar com este setor imediatamente? Por que temos que esperar para conseguir detalhar outras \u00e1reas para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel? Somos muito favor\u00e1veis ao que o mundo promova estas metas, s\u00f3 acho que n\u00e3o precisamos ter cada uma delas muito detalhada e definida j\u00e1 no Rio. Talvez, na confer\u00eancia, os temas possam ser identificados e come\u00e7ar um processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Os assuntos poderiam ser definidos no Rio. Mas o que mais?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Por exemplo, uma meta poderia ser sobre pesca sustent\u00e1vel. O que isso significa, como podemos detalhar o objetivo e como chegar a ele. Mas se n\u00e3o tivermos condi\u00e7\u00f5es de fazer tudo nos m\u00ednimos detalhes no Rio, dever\u00edamos dizer: este \u00e9 o prazo final, \u00e9 o que politicamente queremos fazer e a\u00ed voltamos e vemos como a meta poderia ficar. O que digo \u00e9 que, por exemplo, no campo de energia sustent\u00e1vel n\u00f3s j\u00e1 temos todos os detalhes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Seria um come\u00e7o, a meta da energia sustent\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Sim, poderia come\u00e7ar j\u00e1, e fazer isso n\u00e3o estaria em contradi\u00e7\u00e3o com as outras metas. Seria apenas para termos uma a\u00e7\u00e3o orientada. E poderia come\u00e7ar no dia seguinte ao t\u00e9rmino da Rio+20. Ministros brasileiros, comiss\u00e1rios europeus, todos n\u00f3s poder\u00edamos nos perguntar que diferen\u00e7a a Rio+20 pode fazer para o mundo. \u00c9 muito importante que miremos coisas tang\u00edveis e que tenham resultado a curto prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: O que a senhora poderia dizer sobre a opini\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia sobre governan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Bem, s\u00f3 posso repetir o que Janez Pot\u00f3cnik, comiss\u00e1rio da Uni\u00e3o Europeia para Ambiente, disse sobre isso (em coletiva de imprensa em Nair\u00f3bi Pot\u00f3cnik defendeu o fortalecimento do Pnuma e disse que &#8220;h\u00e1 desejo de mudan\u00e7as&#8221;, mas n\u00e3o se prolongou no tema).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Como trazer chefes de Estado para o Rio?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: N\u00e3o tenho coment\u00e1rios. Este \u00e9 um assunto do governo brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: O que esperar da pr\u00f3xima reuni\u00e3o do clima, no Qatar?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: A reuni\u00e3o no Qatar tem que preparar um plano de trabalho muito claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: A Uni\u00e3o Europeia foi protagonista na \u00faltima confer\u00eancia clim\u00e1tica, em Durban. Como avan\u00e7ar nas negocia\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Nossa estrat\u00e9gia funcionou. Usamos o fato de que est\u00e1vamos prontos para aceitar um segundo per\u00edodo de compromissos do Protocolo de Kyoto, assumindo que \u00e9ramos os \u00fanicos pa\u00edses do mundo prontos para isso. Dissemos &#8220;ok, vamos deixar o sistema vivo, mas s\u00f3 se outros nos disserem quando o resto do mundo subir\u00e1 a bordo com algum acordo realmente global.&#8221; Foi onde chegamos em Durban gra\u00e7as \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses africanos e dos pa\u00edses menos desenvolvidos do mundo. Mais de cem pa\u00edses falaram muito claramente para as economias emergentes e aos Estados Unidos: temos que ter agora um sistema global verdadeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Foi assim que se chegou \u00e0 promessa de se chegar a um acordo clim\u00e1tico global em 2015?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Alguns pa\u00edses disseram &#8220;ok, mas vamos terminar em 2016 ou 2017 e n\u00e3o dever\u00edamos come\u00e7ar este ano.&#8221; Falamos: &#8220;Claro que temos que come\u00e7ar este ano!&#8221; Como podemos explicar para qualquer cidad\u00e3o que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 urgente, mas que n\u00e3o vamos come\u00e7ar nada at\u00e9 o ano que vem? Temos que terminar em 2015 porque se h\u00e1 algo que aprendemos neste processo \u00e9 que ele nunca surpreende com decis\u00f5es que acontecem mais r\u00e1pidas do que voc\u00ea imaginou. Sempre leva muito tempo at\u00e9 que se possa concordar com algo e ver aquilo come\u00e7ando a funcionar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Ent\u00e3o, para se ter um acordo clim\u00e1tico global em 2015, o que tem que acontecer no Qatar?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Em Durban acertamos que temos que terminar as negocia\u00e7\u00f5es do novo tratado em 2015. Teremos novos elementos sobre a mesa, um novo relat\u00f3rio do IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que re\u00fane os novos estudos cient\u00edficos sobre o assunto) que ser\u00e1 lan\u00e7ado em 2014. E ent\u00e3o teremos 4 ou 5 anos para que os pa\u00edses ratifiquem e implementem o acordo e o novo regime comece a operar. Isso leva tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Qatar \u00e9 o in\u00edcio disso?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Qatar \u00e9 sobre um programa de trabalho bem espec\u00edfico: quem faz o qu\u00ea dentro de qual prazo. Como estruturamos, o que tem que ser feito politicamente, e por a\u00ed vai. Temos que trabalhar de tr\u00e1s para a frente. Pensando que temos de terminar com um acordo global na CoP de 2015, ent\u00e3o, que tipo de conhecimento precisamos agora, quais os caminhos, working shops, grupos de trabalho e assim por diante para assegurar que no final de 2015 teremos o acordo. No Qatar tamb\u00e9m vamos ter que ter avan\u00e7os no Fundo Verde, o dinheiro ter\u00e1 que come\u00e7ar a fluir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: E as metas do segundo per\u00edodo de compromisso de Kyoto&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Sim, vamos submet\u00ea-las antes de 1\u00ba de maio, o prazo final acertado em Durban.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Perguntaram como o mundo dos neg\u00f3cios est\u00e1 reagindo \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e \u00e0 economia de baixo carbono. A senhora mencionou o que est\u00e1 acontecendo na Tail\u00e2ndia. Pode explicar?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: A Tail\u00e2ndia divulgou n\u00fameros mostrando que nos \u00faltimos quatro meses de 2011, perdeu 9% de seu PIB por causa das inunda\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, se voc\u00ea \u00e9 uma empresa na Tail\u00e2ndia, voc\u00ea definitivamente aprendeu que continuar a fazer como sempre fez, &#8220;business as usual&#8221;, \u00e9 algo que pode custar muito. S\u00e3o riscos muito perigosos para os neg\u00f3cios. \u00c9 por isso, tamb\u00e9m, que \u00e9 t\u00e3o importante ter uma estrat\u00e9gia coerente para combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Valor: Mesmo com a crise econ\u00f4mica global, as emiss\u00f5es de gases-estufa ainda est\u00e3o crescendo. Isso n\u00e3o preocupa?<\/strong><\/p>\n<p>Hedegaard: Acho que quando temos uma crise global como a que estamos vivendo, \u00e9 uma oportunidade excelente para repensar o jeito como fazemos as coisas. Estou certa que, muitas empresas e muitos CEOs no mundo todo, durante esta crise, est\u00e3o olhando para suas contas, vendo quanta energia gastam para fazer seus produtos, quanto a\u00e7o precisam, quanto consomem de mat\u00e9rias-primas. Porque se uma coisa \u00e9 certa sobre o futuro, \u00e9 que estamos em um mundo em que h\u00e1 mais gente, e mais gente virando classe m\u00e9dia e com mais possibilidade de consumo, ent\u00e3o est\u00e1 claro que a demanda por mat\u00e9rias-primas e por energia ir\u00e1 crescer. Isso significa que os pre\u00e7os ir\u00e3o aumentar e que efici\u00eancia energ\u00e9tica e efici\u00eancia no uso de recursos naturais, ser\u00e3o par\u00e2metros competitivos. Acho que esta l\u00f3gica est\u00e1 sendo aceita por mais e mais empres\u00e1rios e pelo poder p\u00fablico. Na Europa, agora, estamos falando muito mais sobre efici\u00eancia energ\u00e9tica nos nossos pr\u00e9dios, na nossa infraestrutura, em como nos tornarmos mais eficientes em termos energ\u00e9ticos. Acho que esta \u00e9 a mudan\u00e7a de paradigma que espero que a Rio+20 realmente consiga alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pragm\u00e1tica, a dinamarquesa Connie Hedegaard, \u00e9 uma mulher que acredita em metas. 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