{"id":9398,"date":"2012-02-28T11:31:59","date_gmt":"2012-02-28T14:31:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9398"},"modified":"2012-02-28T11:31:59","modified_gmt":"2012-02-28T14:31:59","slug":"cientistas-chamam-atencao-para-futuro-dos-oceanos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9398","title":{"rendered":"Cientistas chamam aten\u00e7\u00e3o para futuro dos oceanos"},"content":{"rendered":"<p>A confer\u00eancia anual da Associa\u00e7\u00e3o Americana para o Progresso da Ci\u00eancia (AAAS) foi realizada de 16 a 20 de fevereiro em Vancouver, cidade \u00e0 beira-mar no Canad\u00e1. N\u00e3o por acaso, diversos relatos de pesquisas relevantes sobre a vida e o futuro dos oceanos foram apresentados durante o encontro e chamaram a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em geral e especialmente da comunidade local.<\/p>\n<p>Uma das exposi\u00e7\u00f5es de grande repercuss\u00e3o foi a de James Hansen, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a ag\u00eancia espacial norte-americana. Segundo Hansen, o uso intensivo de combust\u00edveis f\u00f3sseis e o consequente aumento das temperaturas m\u00e9dias dos oceanos (j\u00e1 bastante superiores \u00e0s do Holoceno) podem levar, entre outras consequ\u00eancias, a eleva\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios metros do n\u00edvel dos oceanos e \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de entre 20% e 50% das esp\u00e9cies do planeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos mares coloca em risco a pr\u00f3pria exist\u00eancia f\u00edsica de cidades em \u00e1reas costeiras de baixa altitude, como \u00e9 o caso de Vancouver, entre muitas outras. O fen\u00f4meno \u00e9 intensificado pelo derretimento de parte das calotas polares, tamb\u00e9m decorrente do aquecimento global, especialmente em regi\u00f5es mais pr\u00f3ximos dos polos, como tamb\u00e9m \u00e9 o caso da cidade canadense.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O alerta de Hansen, uma das grandes estrelas da reuni\u00e3o da AAAS, teve, portanto, grande impacto na opini\u00e3o p\u00fablica da cidade anfitri\u00e3 da confer\u00eancia, inclusive porque suas autoridades tomaram recentes decis\u00f5es que seguem na contram\u00e3o das advert\u00eancias do cientista. Por exemplo, h\u00e1 planos para dobrar a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o metal\u00fargico e fazer crescer significativamente a de g\u00e1s natural liquefeito, n\u00e3o s\u00f3 para atender \u00e0 demanda local por energia, mas tamb\u00e9m para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Menos c\u00e9lebre do que Hansen, mas tamb\u00e9m muito respeitado na comunidade cient\u00edfica internacional, Villy Christensen, professor da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, apresentou resultados iniciais, mas impressionantes, de seu projeto Nereus, cujo nome homenageia o deus grego que previa o futuro e morava no mar Egeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Christensen, as melhores estimativas atuais s\u00e3o de que h\u00e1 nos oceanos cerca de 2 bilh\u00f5es de toneladas de peixe, ou seja, cerca de 300 quilos para cada habitante do planeta. No entanto, pelo menos metade disso est\u00e1 em zonas muito profundas dos mares, \u00e9 constitu\u00edda de esp\u00e9cies pequenas demais em tamanho e, por isso, \u00e9 invi\u00e1vel para explora\u00e7\u00e3o comercial e consumo humano. E na outra metade, de peixes que medem pelo menos 90 cent\u00edmetros e s\u00e3o apropriados para alimenta\u00e7\u00e3o de pessoas, houve um decl\u00ednio da biomassa de 55% de 1970 at\u00e9 agora. &#8220;\u00c9 uma mudan\u00e7a dram\u00e1tica e global&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Christensen defendeu que se invista mais em pesquisa sobre a vida marinha e especialmente sobre o impacto do aquecimento global sobre ela para que decis\u00f5es pol\u00edticas apropriadas possam ser tomadas, mas &#8211; apesar da necessidade de mais estudos &#8211; ele acha que o que j\u00e1 se sabe \u00e9 suficiente para muita preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por exemplo, h\u00e1 a previs\u00e3o de que o aumento da temperatura das \u00e1guas vai fazer com que muitas esp\u00e9cies de animais marinhos procurem as \u00e1guas mais frias das regi\u00f5es mais pr\u00f3ximas dos polos, o que poderia beneficiar os habitantes dessas \u00e1reas. Mas William Cheung, que trabalha no mesmo projeto Nereus, argumenta que essa conclus\u00e3o otimista pode ser apressada e errada: diferen\u00e7as de quantidade de oxig\u00eanio em \u00e1guas frias e quente e a crescente acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, outra consequ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tamb\u00e9m comprometem negativamente a produtividade mar\u00edtima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lisa Levin, do Instituto de Oceanografia Scripps, da Calif\u00f3rnia, em outra atividade da confer\u00eancia da AAAS, corroborou indiretamente a fala de Cheung. Levin mostrou conclus\u00f5es de sua pesquisa, segundo as quais o aquecimento dos oceanos produzidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 causando a expans\u00e3o de zonas submarinas de baixo oxig\u00eanio, o que afeta negativamente a produ\u00e7\u00e3o pesqueira de diversas regi\u00f5es, inclusive as da costa da Col\u00fambia Brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Levin chama o fen\u00f4meno de &#8220;compress\u00e3o de habitat&#8221; e disse que ele afeta \u00e1reas que se estendem por mais de 150 mil quil\u00f4metros em torno das beiradas dos oceanos. Segundo suas previs\u00f5es, at\u00e9 o ano de 2050, peixes que habitam nessas regi\u00f5es podem perder 50% na varia\u00e7\u00e3o da profundidade em que vivem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os canadenses s\u00e3o bastante sens\u00edveis para este tipo de problema por j\u00e1 terem visto como podem ser socialmente dram\u00e1ticos os seus efeitos. H\u00e1 cerca de 20 anos, a escassez da produ\u00e7\u00e3o de bacalhau na regi\u00e3o de Newfoudland, na costa leste do pa\u00eds, provocou o fim de 40 mil empregos. Diversas esp\u00e9cies de peixe &#8211; como o do bacalhau atl\u00e2ntico daquela cidade &#8211; est\u00e3o sendo consideradas como amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o e sua pesca est\u00e1 sendo restringida ou totalmente proibida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Patentes gen\u00e9ticas &#8211;\u00a0<\/strong>Os efeitos dos problemas dos oceanos s\u00e3o percebidos em v\u00e1rios pa\u00edses. O professor Rashid Sumaila, tamb\u00e9m da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, apresentou aos participantes da confer\u00eancia da AAAS estudos que conduziu no M\u00e9xico que apontam redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 20% em poucos anos na produ\u00e7\u00e3o de pesca de diversas esp\u00e9cies de peixes e moluscos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peter DeMonocal, bi\u00f3logo marinho da Universidade Columbia de Nova York, mostrou sua pesquisa, de acordo com a qual grandes diferen\u00e7as de temperatura nos oceanos \u00cdndico e Pac\u00edfico que ocorreram h\u00e1 2 milh\u00f5es de anos foram respons\u00e1veis por altera\u00e7\u00f5es de padr\u00f5es de chuva na \u00c1frica oriental que desertificaram vastas \u00e1reas daquele peda\u00e7o do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo quando as not\u00edcias sobre a explora\u00e7\u00e3o, a atividade e as mudan\u00e7as nos oceanos apresentadas no encontro da AAAS s\u00e3o inegavelmente positivas, elas n\u00e3o deixaram de trazer junto com elas algum tipo de preocupa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, Carlos Duarte, diretor do Instituto de Oceanos da Universidade da Austr\u00e1lia Ocidental, relatou como um grande tesouro de recursos gen\u00e9ticos est\u00e1 sendo descoberto e permitir\u00e1 aplica\u00e7\u00f5es em diversos setores da economia, como medicamentos para combater dores, c\u00e2ncer, regenerar tecidos e ossos ou para gerar biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com Duarte, desde 2009 cerca de cinco mil patentes gen\u00e9ticas de organismos marinhos foram requeridas e \u00e9 previsto um aumento de 12% ao ano desta quantidade. Duarte tamb\u00e9m afirmou que a vida marinha tem uma diversidade muito superior \u00e0 da terrestre e que pode levar at\u00e9 mil anos para que todas as suas esp\u00e9cies sejam descobertas e catalogadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo isso pode ser \u00f3timo, mas tamb\u00e9m pode provocar ainda mais problemas se n\u00e3o houver uma regulamenta\u00e7\u00e3o bem concebida e cumprida rigorosamente para evitar excessos na pesquisa e explora\u00e7\u00e3o desses recursos, que agravariam ainda mais os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a quest\u00e3o de quem vai usufruir materialmente dessas descobertas. Apenas dez pa\u00edses t\u00eam 90% dos pedidos de patentes gen\u00e9ticas de organismos marinhos e tr\u00eas deles (Estados Unidos, Alemanha e Jap\u00e3o) t\u00eam 70%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso pode fazer com que o fosso entre pa\u00edses ricos e pobres aumente ainda mais, com as inevit\u00e1veis tens\u00f5es sociais decorrentes, e causar atritos diplom\u00e1ticos capazes de prejudicar eventuais compromissos em decis\u00f5es sobre problemas cr\u00edticos, como os das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Fonte: O Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A confer\u00eancia anual da Associa\u00e7\u00e3o Americana para o Progresso da Ci\u00eancia (AAAS) foi realizada de 16 a 20 de fevereiro em Vancouver, cidade \u00e0 beira-mar no Canad\u00e1. 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