{"id":9492,"date":"2012-03-12T10:33:57","date_gmt":"2012-03-12T13:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9492"},"modified":"2012-03-12T10:33:57","modified_gmt":"2012-03-12T13:33:57","slug":"e-preciso-correr-adverte-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9492","title":{"rendered":"\u00c9 preciso correr, adverte a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Artigo do jornalista Washington Novaes publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo de sexta-feira (9).<\/p>\n<p>Deveria ser leitura obrigat\u00f3ria para todos os governantes, de todos os n\u00edveis, todos os lugares, o documento de 22 p\u00e1ginas entregue no \u00faltimo dia 20 de fevereiro, em Nair\u00f3bi, no Qu\u00eania, aos ministros reunidos pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente, escrito e assinado por 20 dos mais destacados cientistas que j\u00e1 receberam o Pr\u00eamio Blue Planet, tamb\u00e9m chamado de Pr\u00eamio Nobel do Meio Ambiente. Entre eles est\u00e3o a ex-primeira-ministra norueguesa, Gro Brundtland, coordenadora do primeiro relat\u00f3rio da ONU sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel; James Lovelock, autor da &#8220;Teoria Gaia&#8221;; o professor Jos\u00e9 Goldemberg, ex-ministro brasileiro do Meio Ambiente; sir Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial, consultor do governo brit\u00e2nico sobre clima; James Hansen, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais (Nasa); Bob Watson, conselheiro do governo brit\u00e2nico; Paul Ehrlich, da Universidade Stanford; Julia Marton-Lef\u00e8vre, da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza; Will Turner, da Conserva\u00e7\u00e3o Internacional &#8211; e v\u00e1rios outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse documento os cientistas tra\u00e7am, com palavras s\u00f3brias e cuidadosas, um panorama dram\u00e1tico da situa\u00e7\u00e3o do mundo, hoje, em \u00e1reas vitais: clima; excesso de consumo e desperd\u00edcio; fome; necessidade de aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e escassez de terras; desertifica\u00e7\u00e3o e eros\u00e3o; perda da biodiversidade e de outros recursos naturais; subs\u00eddios gigantescos nas \u00e1reas de transportes, energia, agricultura &#8211; e a necessidade de elimin\u00e1-los. Enfatizam a necessidade de &#8220;empoderamento&#8221; das mulheres e de grupos sociais marginalizados; substituir o produto interno bruto (PIB) como medida de riqueza e definir m\u00e9todos que atribuam valor ao capital natural, humano e social; atribuir valor \u00e0 biodiversidade e aos servi\u00e7os dos ecossistemas e deles fazer a base da &#8220;economia verde&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 um documento que, a cada par\u00e1grafo, provoca sustos e inquieta\u00e7\u00f5es, ao tra\u00e7ar o panorama dram\u00e1tico que j\u00e1 vivemos em cada \u00e1rea e levar todo leitor a perguntar qual ser\u00e1 o futuro de seus filhos e netos. &#8220;O atual sistema [no mundo] est\u00e1 falido&#8221;, diz Bob Watson. &#8220;Est\u00e1 conduzindo a humanidade para um futuro que \u00e9 de 3 a 5 graus Celsius mais quente do que j\u00e1 tivemos; e est\u00e1 eliminando o ambiente natural, do qual dependem nossa sa\u00fade, riqueza e consci\u00eancia. (&#8230;) N\u00e3o podemos presumir que a tecnologia vir\u00e1 a tempo para resolver; ao contr\u00e1rio, precisamos de solu\u00e7\u00f5es humanas&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Temos um sonho&#8221;, afirma o documento. &#8220;De um mundo sem pobreza e equitativo &#8211; um mundo que respeite os direitos humanos &#8211; um mundo de comportamento \u00e9tico mais amplo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza e aos recursos naturais &#8211; um mundo ambientalmente, socialmente e economicamente sustent\u00e1vel, onde desafios como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, perda da biodiversidade e iniquidade social tenham sido enfrentados com \u00eaxito. Esse \u00e9 um sonho realiz\u00e1vel, mas o atual sistema est\u00e1 profundamente ferido e nossos caminhos atuais n\u00e3o o tornar\u00e3o realidade&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo os cientistas, \u00e9 urgente romper a rela\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o e consumo, de um lado, e destrui\u00e7\u00e3o ambiental, de outro: &#8220;Crescimento material sem limites num planeta com recursos naturais finitos e em geral fr\u00e1geis ser\u00e1 insustent\u00e1vel&#8221;, ainda mais com subs\u00eddios prejudiciais em \u00e1reas como energia (US$ 1 trilh\u00e3o\/ano), transporte e agricultura &#8211; &#8220;que deveriam ser eliminados&#8221;. A tese do documento \u00e9 de que os custos ambientais e sociais deveriam ser internalizados em cada a\u00e7\u00e3o humana, cada projeto. Valores de bens e servi\u00e7os dos ecossistemas precisam ser levados em conta na tomada de decis\u00f5es. \u00c9 algo na mesma dire\u00e7\u00e3o das avalia\u00e7\u00f5es recentes de economistas e outros estudiosos, comentadas neste espa\u00e7o, a respeito da finitude dos recursos naturais e da necessidade de recompor a vida econ\u00f4mica e social em fun\u00e7\u00e3o disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O balan\u00e7o na \u00e1rea de energia \u00e9 inquietador, com a depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis, danos para a sa\u00fade e as condi\u00e7\u00f5es ambientais. Seria preciso proporcionar acesso universal de toda a popula\u00e7\u00e3o pobre aos formatos &#8220;limpos&#8221; e renov\u00e1veis de energia &#8211; a transi\u00e7\u00e3o para economia de &#8220;baixo carbono&#8221; -, assim como a formatos de captura e sepultamento de gases poluentes (ainda em avalia\u00e7\u00e3o). Como n\u00e3o caminhamos assim, as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono equivalente j\u00e1 chegam a 50 bilh\u00f5es de toneladas anuais, com a atmosfera e os oceanos aumentando suas concentra\u00e7\u00f5es para 445 partes por milh\u00e3o (ppm)- mais 2,5 ppm por ano, que desenham uma perspectiva de 750 ppm no fim do s\u00e9culo. E com isso o aumento da temperatura poder\u00e1 chegar a mais 5 graus Celsius.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na \u00e1rea da biodiversidade, 15 dos 24 servi\u00e7os de ecossistemas avaliados pelo Millenium Ecosystem Assessment est\u00e3o em decl\u00ednio &#8211; quando \u00e9 preciso criar caminhos para atribuir valor \u00e0 biodiversidade e seus servi\u00e7os, base para uma &#8220;economia verde&#8221;. Mas para isso ser\u00e1 preciso ter novos formatos de governan\u00e7a em todos os n\u00edveis &#8211; hoje as avalia\u00e7\u00f5es cabem a estruturas pol\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas, ambientais, separadas e competindo entre elas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E para que tudo isso seja poss\u00edvel, dizem os cientistas, se desejamos tornar reais os nossos sonhos, &#8220;o momento \u00e9 agora&#8221; &#8211; enfrentando a in\u00e9rcia do sistema socioecon\u00f4mico e impedindo que sejam irrevers\u00edveis as consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da perda da biodiversidade. Se falharmos, vamos &#8220;empobrecer as atuais e as futuras gera\u00e7\u00f5es&#8221;. Esquecendo que vivemos em &#8220;uma sociedade global infestada pela cren\u00e7a irracional de que a economia f\u00edsica pode crescer sempre, deslembrada de que os ricos nos pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento se tornam mais ricos e os pobres s\u00e3o deixados para tr\u00e1s&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um manifesto de &#8220;ambientalistas&#8221;, &#8220;xiitas&#8221; ou hippies. S\u00e3o palavras de dezenas dos mais conceituados cientistas do mundo, que advertem: &#8220;A demora [em mudar] \u00e9 perigosa e seria um erro profundo&#8221;. \u00c9 preciso ler esse estudo (<a href=\"http:\/\/www.af-info.or.jp\/\">www.af-info.or.jp<\/a>). Escutar. E dar consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do jornalista Washington Novaes publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo de sexta-feira (9). 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