{"id":9643,"date":"2012-04-02T10:45:41","date_gmt":"2012-04-02T13:45:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9643"},"modified":"2012-04-02T10:45:41","modified_gmt":"2012-04-02T13:45:41","slug":"organizacao-propoe-usar-credito-de-carbono-para-ajudar-produtores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9643","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00e3o prop\u00f5e usar cr\u00e9dito de carbono para ajudar produtores"},"content":{"rendered":"<p><strong>Certifica\u00e7\u00e3o a agricultores e pagamento pela preserva\u00e7\u00e3o est\u00e3o em foco.<\/strong><br \/>\n<strong>Recursos seriam aplicados para tornar produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n<p>O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), organiza\u00e7\u00e3o que trabalha pelo desenvolvimento sustent\u00e1vel do bioma, lan\u00e7ou nesta quarta-feira (28) an\u00e1lise que aponta uma nova estrat\u00e9gia para manter a floresta em p\u00e9 e reduzir as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A proposta do Ipam, citada na revista &#8220;Nature&#8221; desta semana, quer unir dois mecanismos j\u00e1 existentes e que apresentam dificuldades de emplacar. Um deles \u00e9 o com\u00e9rcio de cr\u00e9dito de carbono, pelo qual emissores de CO2 pagam para manter a floresta intacta. Para o instituto, a comercializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sido f\u00e1cil porque faltam produtores interessados em vender os cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Outro mecanismo \u00e9 a tentativa de alguns agricultores e pecuaristas de tornar suas propriedades sustent\u00e1veis para atender padr\u00f5es internacionais de qualidade. Estes padr\u00f5es conferem &#8220;selos&#8221; de certifica\u00e7\u00e3o, que podem aumentar o valor do produto. No entanto, diz o Ipam, as recompensas n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com os custos necess\u00e1rios para tornar o neg\u00f3cio sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;[Compradores internacionais] imp\u00f5em padr\u00f5es, mas n\u00e3o d\u00e1 mecanismo para pagar [os gastos com as mudan\u00e7as necess\u00e1rias]. Estamos tentando oferecer um mecanismo para pagar a conta&#8221;, resume Daniel Nepstad, coordenador de programas internacionais do Ipam.<\/p>\n<p>Segundo o Ipam, as duas pontas s\u00e3o complementares e devem ser unidas em um cons\u00f3rcio. Ou seja, cr\u00e9ditos de carbono devem ser usados para ajudar produtores rurais a tornar suas propriedades sustent\u00e1veis, recuperando \u00e1reas desmatadas e aumentando a produtividade para produzir mais alimentos sem a necessidade de novas terras e novos desmatamentos.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 viabilizar transi\u00e7\u00e3o da agricultura predadora para agricultura sustent\u00e1vel. Essa transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sempre barata, precisa de dinheiro, investimento, pol\u00edtica p\u00fablica, mas precisa tamb\u00e9m de demanda&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Em junho no Rio de Janeiro, durante a Rio+20, a Confer\u00eancia do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da ONU, o Ipam pretende apresentar projetos pilotos para a implementa\u00e7\u00e3o deste cons\u00f3rcio em \u00e1reas da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>Cons\u00f3rcio global<\/strong><br \/>\nSegundo o instituto, \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio viabilizar o cons\u00f3rcio em n\u00edvel global. Isso seria poss\u00edvel porque os dois lados da moeda t\u00eam correspondentes em larga escala.<\/p>\n<p>Do lado do com\u00e9rcio de carbono, est\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo que &#8220;compensa&#8221; financeiramente as na\u00e7\u00f5es que preservam a floresta e contribuem para a redu\u00e7\u00e3o dos gases causadores do efeito estufa. Chamado de Redd+ (Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o), ele foi negociado na Confer\u00eancia do Clima em Durban, em 2011 &#8212; mas n\u00e3o obteve avan\u00e7os e por isso deve deve voltar a ser discutido.<\/p>\n<p>J\u00e1 do lado das melhorias nas propriedades rurais para obter selos de qualidade, existem mesas de negocia\u00e7\u00e3o internacionais para criar padr\u00f5es de sustentabilidade para algumas culturas. At\u00e9 agora, j\u00e1 foram realizadas tr\u00eas, segundo o Ipam: a Bonsucro, para a cana, a RTRS, para a soja, e a RSPO, para o \u00f3leo de palma.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos tentando construir ponte entre dois processos paralelos, que buscam v\u00e1rias coisas em comum, mas que at\u00e9 agora n\u00e3o foram costurados. Eles andam no mesmo rumo, mas paralelamente. Um s\u00e3o as mesas redondas das commodities e outro \u00e9 o Redd&#8221;, resume Nepstad.<\/p>\n<p>Para mostrar como o cons\u00f3rcio poderia ser aplicado globalmente, o Ipam mapeou pa\u00edses que j\u00e1 t\u00eam as duas iniciativas: projetos de Redd a n\u00edvel local e aplica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es exigidos nas mesas redondas das commodities. Entre as na\u00e7\u00f5es encontradas est\u00e3o o Brasil, M\u00e9xico e Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00edticas<\/strong><br \/>\nO representante do Ipam admite que a proposta pode ser vista como uma vantagem para compradores internacionais que querem comprar produtos mais sustent\u00e1veis sem pagar pelo seu custo.<\/p>\n<p>Por outro lado, pode ser acusada de favorecer setores do agroneg\u00f3cio, que v\u00e3o obter recursos de cr\u00e9ditos de carbono para realizar algo que \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o legal: a preserva\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos em uma bifurca\u00e7\u00e3o super importante. A agricultura brasileira pode se sentir impune, por exemplo, se ganhar a vota\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo florestal. Ou ela pode escolher um segundo caminho, imbutindo um compromisso s\u00f3cio ambiental. Assim, o Brasil garantiria lideran\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 na agricultura, mas tamb\u00e9m nas quest\u00f5es ambientais. N\u00f3s esperamos contribuir para a segunda op\u00e7\u00e3o&#8221;, conclui Nepstad.<\/p>\n<figure style=\"width: 496px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2012\/03\/29\/mapa1.jpg\" alt=\"Mapa do Ipam mostra \u00e1reas que poderiam usar o sistema de cons\u00f3rcio entre cr\u00e9dito de carbono e certifica\u00e7\u00e3o ambiental de propriedades rurais. (Foto: (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Ipam))\" width=\"496\" height=\"269\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mapa do Ipam mostra \u00e1reas que poderiam usar o sistema de cons\u00f3rcio entre cr\u00e9dito de carbono e certifica\u00e7\u00e3o ambiental de propriedades rurais. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Ipam)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Fonte: Globo Natureza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certifica\u00e7\u00e3o a agricultores e pagamento pela preserva\u00e7\u00e3o est\u00e3o em foco. Recursos seriam aplicados para tornar produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), organiza\u00e7\u00e3o que trabalha pelo desenvolvimento sustent\u00e1vel do bioma, lan\u00e7ou nesta quarta-feira (28) an\u00e1lise que aponta uma nova estrat\u00e9gia para manter a floresta em p\u00e9 e reduzir as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. 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