{"id":9713,"date":"2012-04-18T11:26:53","date_gmt":"2012-04-18T14:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9713"},"modified":"2012-04-18T11:26:53","modified_gmt":"2012-04-18T14:26:53","slug":"energia-renovaveis-vale-tudo-por-elas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9713","title":{"rendered":"Energia renov\u00e1veis: vale tudo por elas?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Jean Marc Sasson* &#8211;<\/strong>\u00a0\u00c0s v\u00e9speras da Rio+20 cujo tema central ser\u00e1 a<a title=\"Economia Verde\" href=\"http:\/\/www.ambienteenergia.com.br\/index.php\/category\/economia-verde\">Economia Verde<\/a>, se discutir\u00e1 como um dos objetivos para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas a mudan\u00e7a na matriz energ\u00e9tica mundial de combust\u00edvel f\u00f3ssil para energia limpa.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 not\u00f3rio, no entanto, que as\u00a0<a title=\"energias renov\u00e1veis\" href=\"http:\/\/www.ambienteenergia.com.br\/index.php\/tag\/energias-renovaveis\">energias renov\u00e1veis<\/a>\u00a0v\u00eam ganhando cada vez mais import\u00e2ncia no cen\u00e1rio mundial. Os investimentos saltaram de US$ 162 bilh\u00f5es em 2009 para US$ 240 bilh\u00f5es em 2011. A China, at\u00e9 outrora o maior poluidor mundial em raz\u00e3o de suas in\u00fameras termel\u00e9tricas, \u00e9 hoje a maior investidora em energia limpa do mundo.<\/p>\n<p>O Brasil, por sua vez, cuja matriz energ\u00e9tica j\u00e1 \u00e9 limpa, ser\u00e1 em 2013 o d\u00e9cimo maior investidor em e\u00f3licas e continuar\u00e1, ainda, ampliando suas fontes hidrel\u00e9tricas com projetos na regi\u00e3o Norte e atrav\u00e9s de parcerias com pa\u00edses sul-americanos como Argentina e Peru. Inclusive, foi considerado junto com Nicar\u00e1gua e Panam\u00e1 em recente estudo elaborado pela Bloomberg New Energy Finance \u2013 Climasc\u00f3pio 2012 \u2013 a pedido do Fundo Multilateral de Investimentos, membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como um dos pa\u00edses com maior capacidade para atrair investimentos em energia limpa da Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<p>\u00c9 importante e salutar este investimento brasileiro em renov\u00e1veis. J\u00e1 somos a sexta maior economia mundial e precisamos de energia para continuar progredindo. Mas o caminho que estamos trilhando, aparentemente sustent\u00e1vel, vem sendo realizada de forma tir\u00e2nica, atentando contra os princ\u00edpios republicanos e democr\u00e1ticos. O Poder P\u00fablico v\u00eam impondo a constru\u00e7\u00e3o de empreendimentos independente de consultas p\u00fablicas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nacional e local. Quando discutimos sustentabilidade, pensamos no trip\u00e9 social, econ\u00f4mico e ambiental. Contudo, est\u00e3o sendo flexibilizados em nome do desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p>Vemos a vertente social ser violada quando minorias n\u00e3o s\u00e3o consultadas no processo licenciat\u00f3rio, quando s\u00e3o desalojadas por uma pequena indeniza\u00e7\u00e3o em detrimento de um interesse coletivo, quando as compensa\u00e7\u00f5es sociais exigidas s\u00e3o descumpridas, quando a m\u00e3o-de-obra utilizada na constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 local. Nestes momentos h\u00e1 uma viola\u00e7\u00e3o brutal pelo Poder P\u00fablico aos princ\u00edpios constitucionais da dignidade humana e democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>J\u00e1 na vertente econ\u00f4mica, apesar de propiciar certo desenvolvimento econ\u00f4mico regional, observamos grande desperd\u00edcio da verba p\u00fablica. Por exemplo, ao comparamos as usinas hidrel\u00e9tricas de Belo Monte e Itaipu, percebe-se a diferen\u00e7a abissal do investimento em ambas. Enquanto a primeira est\u00e1 or\u00e7ada em R$ 30 bilh\u00f5es de reais (pre\u00e7o atual estipulado e que fatalmente ser\u00e1 maior), Itaipu custou m\u00edseros 11,8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, sendo constru\u00edda h\u00e1 40 anos atr\u00e1s, isto \u00e9, sem as tecnologias que dispomos hoje. Embora tenha capacidade instalada de 11 mil MW, o que a tornar\u00e1 a segunda maior hidrel\u00e9trica do pa\u00eds, Belo Monte tem energia firme (que pode ser assegurada j\u00e1 prevendo os per\u00edodos de seca) de 4,4 mil MW ou 40% de sua capacidade, enquanto Itaipu, a maior usina do pa\u00eds, tem 14 mil MW de capacidade e energia firme de 61%.<\/p>\n<p>Na segunda maior atualmente, Tucuru\u00ed \u2013 que futuramente perder\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o para Belo Monte \u2013 o percentual \u00e9 de 49%. Se n\u00e3o consider\u00e1ssemos a hip\u00f3tese da constru\u00e7\u00e3o de usinas menores nesta regi\u00e3o como a mais indicada, comparemos o custo com outras fontes de energia limpa. Nos Estados Unidos, dois projetos desenvolvidos na Calif\u00f3rnia de aproveitamento da energia t\u00e9rmica utilizando espelhos para a concentra\u00e7\u00e3o de calor, Ivanpah e Blythe, t\u00eam a previs\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de 370 MW de energia firme ao custo de R$ 3,4 bilh\u00f5es e 960 MW ao custo de R$ 9,6 bilh\u00f5es, respectivamente.<\/p>\n<p>Multiplicando o custo para gera\u00e7\u00e3o de um megawatt nesses dois projetos de matriz solar por 4 mil megawatts m\u00e9dios (quantidade indicada de Belo Monte) teriam um total de R$ 38 bilh\u00f5es, para o projeto de Ivanpah, e de R$ 36,7 bilh\u00f5es para o Blythe. S\u00e3o dois projetos que teriam equival\u00eancia, ao menos em teoria, em investimento e gera\u00e7\u00e3o de energia \u00e0 Belo Monte, mas com um impacto socioambiental muito menor.<\/p>\n<p>J\u00e1 a vertente ambiental, tratando-se de energia renov\u00e1vel, \u00e9 por \u00f3bvio a mais vantajosa em raz\u00e3o da n\u00e3o emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono. Ressalta-se, no entanto, que qualquer energia renov\u00e1vel n\u00e3o est\u00e1 livre de impacto ambiental. H\u00e1 desmatamentos, desvios de rios, impacto na fauna e flora, impacto visual e sonoro etc. Fora isso, observa-se ainda viola\u00e7\u00f5es no campo pol\u00edtico, violando o regime democr\u00e1tico, quando processos licenciat\u00f3rios s\u00e3o acelerados por mero interesse pol\u00edtico, despendendo menos tempo do que se faz necess\u00e1rio para a an\u00e1lise dos impactos ambientais gerados por determinado empreendimento. Sabemos que o processo licenciat\u00f3rio brasileiro \u00e9 moroso, mais em raz\u00e3o da aus\u00eancia de m\u00e3o- de-obra especializada do que pela complexidade da an\u00e1lise. Mas, ainda assim, n\u00e3o se justifica acelerar al\u00e9m do necess\u00e1rio para cumprir metas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o Poder P\u00fablico deve ponderar e analisar o custo-benef\u00edcio nas tr\u00eas vertentes, independente do interesse pol\u00edtico e particular. N\u00e3o existe energia renov\u00e1vel perfeita e livre de impacto. Devemos utilizar o princ\u00edpio do equilibro nesta an\u00e1lise, de modo a analisar a melhor alternativa, optando por aquela que ter\u00e1 o menor impacto nas tr\u00eas esferas.<\/p>\n<p>Pensar em impacto zero ou em desenvolvimento zero \u00e9 n\u00e3o ponderar, \u00e9 n\u00e3o ser realista. Se desenvolver e progredir \u00e9 necess\u00e1rio sim, mas de forma racional e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>*Jean Marc Sasson \u00e9 advogado com especializa\u00e7\u00e3o em\u00a0<a title=\"gest\u00e3o ambiental\" href=\"http:\/\/www.ambienteenergia.com.br\/index.php\/tag\/gestao-ambiental\">gest\u00e3o ambiental<\/a>\u00a0pela COPPE\/UFRJ e colunista do Portal Ambiente Energia. Ele tamb\u00e9m \u00e9 editor do blog Verdejando (www.verdejeando.blogspot.com).<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Ambiente Energia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jean Marc Sasson* &#8211;\u00a0\u00c0s v\u00e9speras da Rio+20 cujo tema central ser\u00e1 aEconomia Verde, se discutir\u00e1 como um dos objetivos para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas a mudan\u00e7a na matriz energ\u00e9tica mundial de combust\u00edvel f\u00f3ssil para energia limpa. 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