{"id":9793,"date":"2012-05-04T11:58:50","date_gmt":"2012-05-04T14:58:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9793"},"modified":"2012-05-04T11:58:50","modified_gmt":"2012-05-04T14:58:50","slug":"poluicao-sonora-atrapalha-dialogo-de-aves","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9793","title":{"rendered":"Polui\u00e7\u00e3o sonora atrapalha &#8216;di\u00e1logo&#8217; de aves"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitac\u00eddeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.<\/p>\n<p>Quem identificou poss\u00edveis interfer\u00eancias na comunica\u00e7\u00e3o entre os bichos foi o bi\u00f3logo Carlos Barros de Ara\u00fajo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Ap\u00f3s sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goi\u00e1s e Tocantins e no Distrito Federal, Ara\u00fajo demonstra que essas aves conseguem &#8220;bater um papinho&#8221; a dist\u00e2ncias de at\u00e9 1,5 km.<\/p>\n<p>Essa comunica\u00e7\u00e3o de longo alcance faz parte da din\u00e2mica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. &#8220;O que voc\u00ea v\u00ea em campo s\u00e3o esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente.&#8221;<\/p>\n<p>Proteger o grupo contra inimigos e afastar poss\u00edveis rivais tamb\u00e9m s\u00e3o outras utilidades dessa comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Ara\u00fajo, j\u00e1 foi poss\u00edvel identificar notas emitidas em contextos espec\u00edficos, como a sinaliza\u00e7\u00e3o feita por sentinelas. &#8220;Um indiv\u00edduo fica na copa da \u00e1rvore observando a presen\u00e7a de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais.&#8221;<\/p>\n<p>A interfer\u00eancia do homem, no entanto, tem reduzido a dist\u00e2ncia na comunica\u00e7\u00e3o entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea corta a comunica\u00e7\u00e3o, voc\u00ea corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobreviv\u00eancia e de reprodu\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>A interfer\u00eancia sonora pode at\u00e9 fazer o animal mudar seu canto. &#8220;Muitas esp\u00e9cies passam a cantar em frequ\u00eancias mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ru\u00eddos de grande intensidade.&#8221;<\/p>\n<p>As medi\u00e7\u00f5es realizadas pelo bi\u00f3logo foram feitas em fazendas e tamb\u00e9m na Universidade de Bras\u00edlia, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, j\u00e1 foi percebida a grande redu\u00e7\u00e3o no raio de comunica\u00e7\u00e3o entre as aves.<\/p>\n<p>Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de \u00e1reas onde os bichos vivem podem ajudar a proteg\u00ea-los.<\/p>\n<p>&#8220;Ao lado do Parque Nacional de Bras\u00edlia passa uma grande rodovia. Em uma \u00e1rea que tem 80 decib\u00e9is de ru\u00eddo \u00e9 claro que os p\u00e1ssaros ser\u00e3o afetados de alguma forma.&#8221;<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima etapa do trabalho, que centrou esfor\u00e7os no estudo do periquito-rei, do maracan\u00e3-nobre e da arara-de-barriga-amarela, ser\u00e1 descobrir o impacto da polui\u00e7\u00e3o sonora na sobreviv\u00eancia dos bichos. &#8220;Estamos correndo contra o tempo.&#8221;<\/p>\n<figure style=\"width: 440px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/ambiente\/images\/12123166.jpeg\" alt=\"Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Bras\u00ed\u00adlia. Esp\u00e9cie foi uma das estudadas sobre o preju\u00ed\u00adzo causado pela polui\u00e7\u00e3o sonora humana na comunica\u00e7\u00e3o entre os psitac\u00eddeos\" width=\"440\" height=\"330\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Bras\u00ed\u00adlia. Esp\u00e9cie foi uma das estudadas sobre o preju\u00ed\u00adzo causado pela polui\u00e7\u00e3o sonora humana na comunica\u00e7\u00e3o entre os psitac\u00eddeos. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<figure style=\"width: 508px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/ciencia\/images\/12122453.jpeg\" alt=\"\" width=\"508\" height=\"523\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Editoria de arte\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Folha.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitac\u00eddeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro. 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