{"id":9803,"date":"2012-05-10T09:30:20","date_gmt":"2012-05-10T12:30:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9803"},"modified":"2012-05-10T09:30:20","modified_gmt":"2012-05-10T12:30:20","slug":"codigo-florestal-feito-por-maluco-artigo-de-jose-eli-da-veiga","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9803","title":{"rendered":"C\u00f3digo Florestal &#8220;feito por maluco&#8221;, artigo de Jos\u00e9 Eli da Veiga"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Eli da Veiga \u00e9 professor de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da USP (IRI\/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas (Ip\u00ea). Artigo publicado na Folha de S\u00e3o Paulo de ontem (9).<\/p>\n<p>O projeto para revogar o C\u00f3digo Florestal que a C\u00e2mara submeteu \u00e0 presidente Dilma foi &#8220;feito por maluco&#8221;, diz o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP), um dos mais tarimbados l\u00edderes do agroneg\u00f3cio exportador, em entrevista ao site Congresso em Foco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como ser menos severo com o grupo de pretensos ruralistas que conseguiu arrastar o PMDB para um dos momentos mais vergonhosos de sua hist\u00f3ria, conspurcando a mem\u00f3ria de todos os que acompanharam o dr. Ulysses em sua epopeia contra a ditadura militar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por incr\u00edvel que possa parecer para muita gente, se o &#8220;Novo C\u00f3digo Florestal de 1965&#8221; for revogado por algo parecido com esse projeto de lei 1876\/99, o retrocesso ser\u00e1 muito mais pol\u00edtico e econ\u00f4mico do que ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele, ao consolidar estragos ambientais j\u00e1 perpetrados, promover\u00e1 imensos ganhos patrimoniais aos detentores de dom\u00ednios no Centro-Oeste e no Norte nos quais as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente (APPs) foram derrubadas, queimadas e maquiadas com capim. N\u00e3o para expandir a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, como muitos ingenuamente acreditam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 o que basta para entender tanto a revolta desse grande exportador de laranja l\u00e1 de Pirassununga como a geografia da vota\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio. Aprovado com 100% dos votos das bancadas de Tocantins e de Mato Grosso, ou com mais de 85% dos votos das de Rond\u00f4nia, Goi\u00e1s e Roraima, foi rejeitado pelas bancadas de S\u00e3o Paulo (41 a 26) e do Rio de Janeiro (25 a 15).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O projeto anterior, agora apelidado de &#8220;monstrengo&#8221;, havia sido aprovado em 24 de abril de 2011 por 410 dos 513 deputados. Esse novo, &#8220;feito por louco&#8221;, apesar de ter sido cavalo da batalha intergovernamental do PMDB contra o PT, s\u00f3 obteve 274 votos favor\u00e1veis, pouco mais de 50%. E menos de 50% pelo crit\u00e9rio do n\u00famero de eleitores que botaram os atuais deputados na C\u00e2mara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ser\u00e1 absolutamente leg\u00edtima, portanto, a poss\u00edvel decis\u00e3o de veto integral com a imediata promulga\u00e7\u00e3o de uma medida provis\u00f3ria que restaure ao menos aquele bom senso que prevaleceu no Senado em 6 de dezembro. Com chances de se evitar tr\u00eas s\u00e9rios cochilos ali cometidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar que a Lei de Crimes Ambientais (9.605, de 12\/02\/1998) foi regulamentada desde 1999. Posteriores desmatamentos de APP foram crimes dolosos que, se perdoados, configurariam mais indulto que anistia. A escolha de julho de 2008 para demarcar o passivo \u00e9 uma mesquinha vingan\u00e7a contra a regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do governo Lula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se houver excepcionalidade para os chamados &#8220;pequenos produtores&#8221;, n\u00e3o se deve usar a figura do im\u00f3vel rural (com \u00e1rea de at\u00e9 tantos m\u00f3dulos), porque n\u00e3o h\u00e1 qualquer correspond\u00eancia entre propriedade (im\u00f3vel) e empreendimento (estabelecimento).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso respeitar a Lei da Agricultura Familiar (11.326, de 24\/07\/2006), cujos crit\u00e9rios impedem que im\u00f3vel voltado \u00e0 especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria seja tomado como se fosse dedicado \u00e0 agricultura de pequena escala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Terceiro, mas n\u00e3o menos importante: \u00e9 preciso banir pastagem em APP, pois n\u00e3o h\u00e1 pior atentado ao beab\u00e1 do conhecimento agron\u00f4mico, como bem enfatizou o agroexportador e deputado Marquezelli.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* A equipe do Jornal da Ci\u00eancia esclarece que o conte\u00fado e opini\u00f5es expressas nos artigos assinados s\u00e3o de responsabilidade do autor e n\u00e3o refletem a opini\u00e3o do jornal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da Ci\u00eancia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Eli da Veiga \u00e9 professor de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da USP (IRI\/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas (Ip\u00ea). 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