{"id":9868,"date":"2012-05-17T10:11:17","date_gmt":"2012-05-17T13:11:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9868"},"modified":"2012-05-17T10:11:17","modified_gmt":"2012-05-17T13:11:17","slug":"mudancas-climaticas-podem-ser-mais-rapidas-que-a-capacidade-de-migracao-de-alguns-mamiferos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9868","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem ser mais r\u00e1pidas que a capacidade de migra\u00e7\u00e3o de alguns mam\u00edferos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Estudo indica que pelo menos 9% dos mam\u00edferos do continente americano n\u00e3o v\u00e3o conseguir migrar a tempo para novos habitats<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo publicado nesta segunda-feira na revista\u00a0<em>PNAS<\/em>\u00a0conclui que muitos mam\u00edferos n\u00e3o conseguir\u00e3o migrar para outras regi\u00f5es a tempo de escapar dos efeitos trazidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre seus\u00a0<em>habitats<\/em>.<\/p>\n<p>O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington, em Seattle, mostrou que, ao longo do continente americano, pelo menos 9% dos mam\u00edferos n\u00e3o v\u00e3o conseguir acompanhar a velocidade das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em algumas regi\u00f5es, esta taxa chega a 40%. A varia\u00e7\u00e3o se deve ao fato de que certas paisagens s\u00e3o mais dif\u00edceis de vencer. Os animais que vivem nos tr\u00f3picos, por exemplo, geralmente t\u00eam que percorrer dist\u00e2ncias maiores para chegar a um territ\u00f3rio com clima mais adequado do que aqueles que vivem em regi\u00f5es de montanha.<\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o de animais j\u00e1 aconteceu em outros epis\u00f3dios em que a Terra sofreu altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Neste estudo, os autores buscam verificar se algumas esp\u00e9cies ser\u00e3o capazes de encontrar a tempo locais adequados para sobreviver, considerando a velocidade das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as altera\u00e7\u00f5es da paisagem provocadas pelo homem.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que \u00e9 importante verificar que, quando o clima mudou no passado, entre per\u00edodos glaciares e interglaciares e o alcance das esp\u00e9cies expandiu e contraiu, a paisagem n\u00e3o estava coberta por campos de agricultura, estradas imensas e estacionamentos. Ent\u00e3o as esp\u00e9cies podiam se locomover mais livremente pela paisagem&#8221;, diz Josh Lawler, coautor do estudo e professor da Universidade de Washington.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s subestimamos a vulnerabilidade dos mam\u00edferos \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas quando olhamos as proje\u00e7\u00f5es de \u00e1reas com climas adequados sem incluir tamb\u00e9m a capacidade dos mam\u00edferos de se locomoverem\u201d, explica Carrie Schloss, principal autora do estudo.<\/p>\n<p><strong>Grupos afetados<\/strong>\u00a0\u2014 O estudo mostrou que primatas &#8211; micos, macacos-aranhas, saguis e bugios, alguns j\u00e1 amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o &#8211; ter\u00e3o mais dificuldades para migrar. J\u00e1 o grupo dos vencedores da corrida contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica ser\u00e1 formado por coiotes, lobos, veados, renas, tatus e tamandu\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Os primatas do continente americano, por exemplo, levam anos para se tornarem sexualmente ativos. Isso contribui para sua baixa taxa de dispers\u00e3o e uma raz\u00e3o para eles se tornarem vulner\u00e1veis&#8221;, diz Schloss. &#8220;Esses fatores indicam que quase todos os primatas desse continente ter\u00e3o uma redu\u00e7\u00e3o de 75% de sua distribui\u00e7\u00e3o territorial&#8221;, explica Schloss.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat\u00a0<\/strong>\u00a0\u2014\u00a0\u00a0Cientistas calculam que 87% das esp\u00e9cies de mam\u00edferos dever\u00e3o sofrer redu\u00e7\u00f5es de seus territ\u00f3rios e que 20% dessas redu\u00e7\u00f5es ser\u00e3o provocadas pela limita\u00e7\u00e3o da capacidade de dispers\u00e3o desses animais, j\u00e1 que o n\u00famero de \u00e1reas com climas apropriados vai ser reduzido.<\/p>\n<p>O estudo foi feito com an\u00e1lise de 493 esp\u00e9cies de mam\u00edferos de diversos tamanhos ao longo do continente americano.\u00a0 \u00c9 o primeiro estudo a avaliar n\u00e3o s\u00f3 a exist\u00eancia de habitats adequados no futuro, mas a capacidade de esp\u00e9cies de mam\u00edferos alcan\u00e7\u00e1-los a tempo.<\/p>\n<p><strong>C\u00e1lculo das velocidades<\/strong>\u00a0\u2014\u00a0\u00a0A velocidade de migra\u00e7\u00e3o de cada esp\u00e9cie foi calculada considerando massa, tipo de dieta, intervalo entre gera\u00e7\u00f5es e as dist\u00e2ncias a serem percorridas. Nos mam\u00edferos, a migra\u00e7\u00e3o acontece geralmente uma vez a cada gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os autores compararam esses dados com a velocidade das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas baseada em 10 modelos clim\u00e1ticos globais e com a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa apontados pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/mudancas-climaticas-podem-ser-mais-rapidas-que-a-capacidade-de-migracao-de-alguns-mamiferos#sm\"><strong>Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>O estudo considerou apenas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como causadores da migra\u00e7\u00e3o de animais &#8211; a competi\u00e7\u00e3o entre esp\u00e9cies n\u00e3o foi levada em conta. A ocupa\u00e7\u00e3o humana do territ\u00f3rio tamb\u00e9m foi levada em conta como um impeditivo para migra\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>&#8220;Nossas previs\u00f5es s\u00e3o bastante conservadoras, ou at\u00e9 otimistas, visto o que pode acontecer. Nossas aproxima\u00e7\u00f5es assumem que os animais v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para evitar ao m\u00e1ximo as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, conclui Lawer.<\/p>\n<h2>Saiba mais<\/h2>\n<p><strong>IPCC<\/strong><br \/>\nO Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (em ingl\u00eas,\u00a0<em>Intergovernmental Panel on Climate Change<\/em>) foi criado em 1988 pela Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) e pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informa\u00e7\u00f5es relevantes para a compreens\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Por sua contribui\u00e7\u00e3o ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que v\u00e3o redigir seu quinto relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a ser publicado em 2014, 25 s\u00e3o brasileiros.<\/p>\n<p>Fonte: Veja Ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo indica que pelo menos 9% dos mam\u00edferos do continente americano n\u00e3o v\u00e3o conseguir migrar a tempo para novos habitats Um estudo publicado nesta segunda-feira na revista\u00a0PNAS\u00a0conclui que muitos mam\u00edferos n\u00e3o conseguir\u00e3o migrar para outras regi\u00f5es a tempo de escapar dos efeitos trazidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre seus\u00a0habitats. 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