{"id":9935,"date":"2012-05-28T10:11:58","date_gmt":"2012-05-28T13:11:58","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9935"},"modified":"2012-05-28T10:11:58","modified_gmt":"2012-05-28T13:11:58","slug":"quanto-falta-para-o-colapso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9935","title":{"rendered":"Quanto falta para o colapso?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/novo.maternatura.org.br\/imagens\/informativo\/marco_2012\/decada_biodiversidad[1].jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"162\" \/>Sistemas vivos passam por transi\u00e7\u00f5es abruptas. A morte \u00e9 a mais conhecida. Em um momento estamos vivos, no seguinte, mortos. Mas existem in\u00fameros exemplos de pontos de transi\u00e7\u00e3o abruptos. Qual o momento em que a devasta\u00e7\u00e3o de uma floresta a condena ao desaparecimento? Qual o n\u00famero m\u00ednimo de baleias necess\u00e1rio para a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie? Determinar o ponto exato em que essas transi\u00e7\u00f5es ocorrem e qu\u00e3o longe estamos delas \u00e9 um problema ainda n\u00e3o resolvido.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 dif\u00edcil de fazer porque todos os sistemas vivos possuem mecanismos de autorregula\u00e7\u00e3o. Imagine que um animal coma cada vez menos; intuitivamente, sabemos que chega um momento em que ele morre. Mas determinar esse momento \u00e9 dif\u00edcil porque, \u00e0 medida que ele come menos, ele tamb\u00e9m se movimenta menos, diminui seu metabolismo e passa a necessitar de menos alimento. Processos semelhantes tornam dif\u00edcil prever o tamanho m\u00ednimo de uma popula\u00e7\u00e3o de baleias ou o abuso que uma floresta aguenta antes de desaparecer.<\/p>\n<p>Por volta de 1980, foi proposta uma teoria que permite medir a dist\u00e2ncia entre o estado presente e o ponto de colapso de um sistema biol\u00f3gico. A ideia \u00e9 que o tempo que um sistema vivo leva para se recuperar de um trauma aumenta \u00e0 medida que o sistema se aproxima do ponto de colapso. Se voc\u00ea abre uma clareira em uma floresta virgem, ela se fecha rapidamente. \u00c0 medida que a floresta se aproxima do ponto de colapso, a teoria prev\u00ea que o tempo necess\u00e1rio para a clareira fechar aumenta. Voc\u00ea tira o alimento de um animal. Se ele estiver saud\u00e1vel, ao ser alimentado, a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida. Mas, se ele estiver se aproximando do ponto de colapso, o tempo de recupera\u00e7\u00e3o aumenta. O mesmo princ\u00edpio se aplicaria a uma popula\u00e7\u00e3o de baleias ou a um paciente na UTI.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica. O problema \u00e9 que essa teoria nunca havia sido testada. Agora, um grupo de cientistas demonstrou que ela funciona na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O experimento foi feito com microalgas, e publicado na revista Nature com o t\u00edtulo \u201cEcovery Rates Reflect Distance To a Tipping Point In a Living System\u201d. Esses seres unicelulares necessitam de luz para fazer fotoss\u00edntese e produzir seu alimento, mas luz em excesso os mata. Para evitar o excesso de luz, eles crescem todos juntos \u2013 assim, um faz sombra para o outro. Regulando a dist\u00e2ncia entre eles (sua densidade no oceano), regula-se a quantidade de luz que recebem. Os cientistas colocaram essas algas em um recipiente de vidro em condi\u00e7\u00f5es ideais: muitas algas por litro e uma quantidade de luz fixa.<\/p>\n<p>Estabelecida a condi\u00e7\u00e3o \u00f3tima, os cientistas adicionaram mais l\u00edquido ao recipiente, mantendo a mesma quantidade de luz incidente. Inicialmente, as algas, com menos vizinhos para diminuir a incid\u00eancia de luz, diminuem sua taxa de crescimento, mas rapidamente se dividem de modo a otimizar novamente o sombreamento.<\/p>\n<p>Os cientistas mediram o tempo que o sistema leva para se recuperar. Mas, antes que ele estivesse totalmente recuperado, adicionaram mais l\u00edquido, for\u00e7ando as algas a se adaptar ao novo ambiente. As algas novamente se recuperaram. Ao longo de 30 dias, os cientistas foram aumentando o estresse e a cada vez as algas se recuperavam. Mas o tempo de recupera\u00e7\u00e3o foi ficando mais longo. At\u00e9 um momento em que eles adicionaram um pouco mais de l\u00edquido e o sistema colapsou: todas as algas morreram. Haviam atingido o ponto de transi\u00e7\u00e3o abrupta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s medir a velocidade de recupera\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do estresse aplicado no sistema, os cientistas demonstraram que \u00e9 poss\u00edvel prever qu\u00e3o distante o sistema est\u00e1 do colapso medindo seu tempo de recupera\u00e7\u00e3o. Estes resultados demonstram que a teoria proposta em 1980 \u00e9 verdadeira.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos anos, \u00e9 prov\u00e1vel que diversos grupos, usando diversos sistemas biol\u00f3gicos, tentem demonstrar que medir a varia\u00e7\u00e3o do tempo de recupera\u00e7\u00e3o permite prever qu\u00e3o distante um sistema vivo est\u00e1 do colapso.<\/p>\n<p>Se essa teoria for confirmada, teremos uma arma poderosa. Estudos de impacto ambiental finalmente ter\u00e3o um embasamento cient\u00edfico mais s\u00f3lido e programas de recupera\u00e7\u00e3o ambiental poder\u00e3o ter seus resultados medidos de forma objetiva.<\/p>\n<p>Fonte: Mater Natura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sistemas vivos passam por transi\u00e7\u00f5es abruptas. A morte \u00e9 a mais conhecida. Em um momento estamos vivos, no seguinte, mortos. Mas existem in\u00fameros exemplos de pontos de transi\u00e7\u00e3o abruptos. Qual o momento em que a devasta\u00e7\u00e3o de uma floresta a condena ao desaparecimento? 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