{"id":9940,"date":"2012-05-28T12:08:20","date_gmt":"2012-05-28T15:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9940"},"modified":"2012-05-28T12:08:20","modified_gmt":"2012-05-28T15:08:20","slug":"brasileiros-preferem-publicar-em-revista-tradicional-as-de-livre-acesso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9940","title":{"rendered":"Brasileiros preferem publicar em revista tradicional \u00e0s de livre acesso"},"content":{"rendered":"<p>Uma iniciativa de cientistas do mundo todo est\u00e1 propondo uma revolu\u00e7\u00e3o no mundo acad\u00eamico. Chamada de Primavera da Academia, a campanha incentiva o boicote \u00e0s editoras de peri\u00f3dicos cient\u00edficos, que imp\u00f5em aos interessados em seu conte\u00fado assinaturas que chegam a US$ 40 mil. O movimento ganhou for\u00e7a com o apoio de universidades como Harvard, que publicou um comunicado, no dia 17 de abril, incentivando seus pesquisadores a disponibilizarem seus artigos gratuitamente em seu site. Contudo, hoje, apesar das cobran\u00e7as, os cientistas brasileiros ainda priorizam as publica\u00e7\u00f5es tradicionais, publicando poucos artigos em revistas de livre acesso.<\/p>\n<p>Os pesquisadores justificam a prefer\u00eancia. &#8220;\u00c9 importante publicarmos em revistas tradicionais, pois elas t\u00eam uma notoriedade maior, e a Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior) est\u00e1 muito preocupada com o \u00edndice de impacto das publica\u00e7\u00f5es. Se o pesquisador n\u00e3o publica artigos em revistas com alto \u00edndice, ele n\u00e3o \u00e9 considerado prestigiado na classifica\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, o que prejudica os alunos e o curso dele, pois cursos com classifica\u00e7\u00e3o abaixo de 4 na avalia\u00e7\u00e3o fecham. Se eu tiver cinco artigos publicados na<em>Nature<\/em>, eu tenho portas abertas no mundo inteiro, o que n\u00e3o ocorre se publicar cinco trabalhos em revistas de livre acesso&#8221;, explica o professor de bioqu\u00edmica da Unicamp Anibal Vercesi.<\/p>\n<p>O professor de f\u00edsica da USP-S\u00e3o Carlos Vanderlei Bagnato concorda: &#8220;Voc\u00ea tem que se preocupar em publicar em peri\u00f3dicos s\u00e9rios e reconhecidos, porque, para n\u00f3s, a credibilidade do trabalho vem com a publica\u00e7\u00e3o nessas revistas&#8221;. Por outro lado, ele tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia da publica\u00e7\u00e3o de artigos nas revistas de livre acesso. &#8220;Todo mundo quer ler trabalhos relevantes. Por isso, as pessoas procuram acessar publica\u00e7\u00f5es de boa reputa\u00e7\u00e3o, e pelas quais n\u00e3o precisam pagar. Por isso, o ideal seria a gente unir essas duas caracter\u00edsticas em revistas de acesso livre, que tamb\u00e9m s\u00e3o mais vantajosas para quem publica nelas, j\u00e1 que podem ser lidas por mais pessoas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para o professor em\u00e9rito da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e coordenador do Grupo de Educa\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), Isaac Roitman, o quadro brasileiro da publica\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos deve ser analisado historicamente. &#8220;H\u00e1 30, 40 anos, era muito mais dif\u00edcil para o pesquisador do Brasil publicar os seus trabalhos em peri\u00f3dicos cient\u00edficos, e poucas publica\u00e7\u00f5es brasileiras preenchiam os requisitos de qualidade exigidos. Al\u00e9m disso, o acesso \u00e0s revistas estrangeiras era muito mais dif\u00edcil e lento&#8221;, analisa. Contudo, especialmente nos \u00faltimos 10 anos, a populariza\u00e7\u00e3o da internet permitiu o maior acesso a publica\u00e7\u00f5es do mundo todo, que passaram a ter vers\u00f5es online.<\/p>\n<p><strong>Portal facilita acesso a peri\u00f3dicos<\/strong><br \/>\nPara acad\u00eamicos e pesquisadores brasileiros, esse acesso \u00e9 facilitado pelo portal de peri\u00f3dicos da Capes, que disponibilizou, em 2011, o acesso a 31 mil revistas cient\u00edficas para 326 institui\u00e7\u00f5es de ensino do pa\u00eds, a um custo de R$ 133 milh\u00f5es. Alguns dos conte\u00fados do portal da Capes, criado em 2000, s\u00e3o acess\u00edveis todos, como disserta\u00e7\u00f5es produzidas em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e peri\u00f3dicos publicados no pa\u00eds. Outros conte\u00fados s\u00e3o liberados apenas para bibliotecas, alunos e pesquisadores vinculados a universidades p\u00fablicas e privadas que atendam a pr\u00e9-requisitos exigidos pela institui\u00e7\u00e3o, como oferecer programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que tenham uma nota m\u00ednima na avalia\u00e7\u00e3o da Capes.<\/p>\n<p>Se o valor gasto para a assinatura dos peri\u00f3dicos parece alto, Roitman diz que a quantia \u00e9 pequena se comparada ao que representa. &#8220;O portal da Capes \u00e9 um grande salto: \u00e9 como se fosse uma grande biblioteca, acess\u00edvel a diversas universidades brasileiras. Poucos pa\u00edses t\u00eam algo de tamanha magnitude, com tantos conte\u00fados de qualidade dispon\u00edveis. Pode parecer caro, mas considerando o valor que cada um de n\u00f3s pagaria para assinar as vers\u00f5es impressas dos peri\u00f3dicos, \u00e9 muito mais barato. Al\u00e9m disso, sem o portal, muitas pessoas n\u00e3o teriam acesso a esses conte\u00fados&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Mesmo com a exist\u00eancia do portal, o acesso a publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de renome no mundo ainda \u00e9 invi\u00e1vel para grande parte dos leitores de fora do mundo acad\u00eamico &#8211; que, diferentemente de muitos cientistas brasileiros, n\u00e3o recebem verbas para assinatura de peri\u00f3dicos nacionais e estrangeiros. O aux\u00edlio aos pesquisadores \u00e9 fornecido pelas ag\u00eancias de fomento nacionais, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, e estaduais, como as funda\u00e7\u00f5es de amparo \u00e0 pesquisa, entre elas a Faperj e a Fapesp.<\/p>\n<p><strong>Publica\u00e7\u00f5es de livre acesso tamb\u00e9m cobram<\/strong><br \/>\nMas publicar em uma revista de livre acesso n\u00e3o significa se livrar de qualquer tipo de cobran\u00e7a. &#8220;Algumas cobram dos pesquisadores para publicarem seus artigos. Outras n\u00e3o, pois s\u00e3o mantidas por apoio governamental, por exemplo. De qualquer forma, sempre existe o custo de manter essas revistas, mesmo elas sendo virtuais, pois t\u00eam demandas, como o corpo editorial. Algu\u00e9m tem que pagar&#8221;, esclarece Bagnato.<\/p>\n<p>Para Vercesi, a populariza\u00e7\u00e3o dos peri\u00f3dicos livres no pa\u00eds durante os pr\u00f3ximos anos depende de como forem administrados. &#8220;Mais importante do que cobrar ou n\u00e3o dos pesquisadores para a publica\u00e7\u00e3o de artigos \u00e9 que o leitor tenha livre acesso. Seria maravilhoso que a ci\u00eancia estivesse ao alcance de todos atrav\u00e9s desses peri\u00f3dicos, mas qual vai ser a pol\u00edtica para se chegar a isso? Uma op\u00e7\u00e3o pode ser que as pr\u00f3prias funda\u00e7\u00f5es de amparo \u00e0 pesquisa se associem para pagar o custo dessas publica\u00e7\u00f5es&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Bagnato considera incerto o crescimento dos peri\u00f3dicos de livre acesso no Brasil, e que tamb\u00e9m depende do impacto de campanhas como a Primavera da Academia. &#8220;O aumento do n\u00famero de revistas de acesso livre no Brasil tem sido pequeno, e \u00e9 muito dif\u00edcil prever o que vai ocorrer. Todo mundo gostaria de ter seus trabalhos publicados em publica\u00e7\u00f5es de livre acesso, mas isso n\u00e3o ocorre se elas n\u00e3o tiverem o impacto necess\u00e1rio. O futuro delas depende muito do que acontecer a seguir, se eventos como o apoio dado por Harvard refletirem mundialmente&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>Fonte: Terra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma iniciativa de cientistas do mundo todo est\u00e1 propondo uma revolu\u00e7\u00e3o no mundo acad\u00eamico. Chamada de Primavera da Academia, a campanha incentiva o boicote \u00e0s editoras de peri\u00f3dicos cient\u00edficos, que imp\u00f5em aos interessados em seu conte\u00fado assinaturas que chegam a US$ 40 mil. O movimento ganhou for\u00e7a com o apoio de universidades como Harvard, que &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"http:\/\/ipevs.org.br\/?p=9940\"> <span class=\"screen-reader-text\">Brasileiros preferem publicar em revista tradicional \u00e0s de livre acesso<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":474,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[232],"tags":[3479,2260,3476,1651,3831,3477,3478,3044],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9940"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/474"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9940"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9940\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9941,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9940\/revisions\/9941"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipevs.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}